GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA

João Vitor presente! Novo assassinato de jovem negro expõe o genocídio ininterrupto de Witzel contra os negros

João Vitor, em menos de 48h após o assassinato de João Pedro, foi outro jovem negro executado pela polícia genocida de Witzel. Em tempos onde diariamente contamos os mortos, essas mortes mostram como mesmo em meio a pandemia do coronavírus outro genocídio segue ininterrupto e brutal.

quinta-feira 21 de maio| Edição do dia

João Vitor da Rocha saía para comprar pipas quando foi surpreendido por uma operação da PM carioca na comunidade da Cidade de Deus na noite de ontem (20/05). O desfecho, a morte do jovem de 18 anos.

João Pedro, 14 anos, brincava no quintal de casa de um tio, quando policiais invadiram o imóvel e o atingiram na barriga.

Duas imagens que contrastam a inocência dos jovens, em meio a suas brincadeiras, com a violência sanguinária da polícia carioca sob o comando do genocida governador Wilson Witzel.

Outra imagem, concomitante à brutal ação da polícia que culminou na morte de João Vitor, mostra a ligação dessas mortes com o atual contexto de pandemia. Voluntários da Frente Cidade de Deus distribuíam cestas básicas para os moradores da comunidade quando foram surpreendidos pelos disparos da operação policial.

Essas imagens revelam toda a vulnerabilidade das vidas negras e periféricas no contexto da pandemia, principalmente no Rio de Janeiro. À letalidade do vírus, que se mostra muito superior para os negros -mesmo sem nenhum fator biológico, apenas pelo racismo estrutural e suas precárias condições de vida -, se soma a letalidade proveniente de um outro genocídio, mais duradouro e naturalizado.

Assistimos nos jornais diariamente a contabilidade das mortes pelo COVID-19. Contra o relativismo genocida de Bolsonaro, a mídia tenta mostrar que os números representam vidas. Mas contra as brutais mortes de jovens negros e periféricos, que seguem ocorrendo, a mesma mídia burguesa se cala, apenas "mais um".

As mortes pelo coronavírus são combatidas, desnaturalizadas, mas e as ininterruptas mortes do genocídio negro? Essas já estão naturalizadas. Tão naturalizadas que um genocida como Witzel - com o sangue nas mãos de João Vitor, de João Pedro, de Agatha Felix, de Kauan Peixoto, de Jenifer Gomes... - pode impunemente se dizer em "defesa das vidas".

A hipocrisia desse discurso de Witzel se mostra desde a insuficiência de seu combate ao coronavírus, que não garante testes massivos, e leitos de UTI, como assistimos ao colapso do sistema de saúde carioca. Mas mais impressionante ainda, na realização de brutais operações policiais mesmo em meio a pandemia, como a chacina no Complexo do Alemão que assassinou 13 pessoas.

Os negros das comunidades e morros cariocas estão encurralados pela letalidade do vírus nas favelas, fruto das condições precárias de vida, e pela letalidade da polícia carioca, que não dá trégua mesmo nesse contexto. Contra essa nefasta realidade, defendemos a auto-organização dos moradores, como vemos em diversas ações de solidariedade que se organizam, desde a distribuição de cestas a conscientização, mas também para exigir a justiça contra esses casos brutais de assassinato da juventude negra pela polícia.

Nós do Esquerda Diário expressamos toda a solidariedade aos familiares de João Vitor e nos somamos aos gritos por justiça, tendo a certeza que os negros e negras ainda vão vingar cada uma dessas mortes cometidas a mando desses políticos racistas.

João Vitor Presente!




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