Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Jéssica, mais uma mulher morta pela violência machista

Jéssica Pontes, tinha 28 anos e estava grávida de 7 meses. Trabalhava como vigilante terceirizada na USP Leste.

segunda-feira 19 de junho| Edição do dia

A cada uma hora e meia uma mulher é morta no Brasil. O motivo? Serem mulheres. Na triste estatística do feminicídio, o Brasil é o 5º colocado. E os números só aumentam. A uma hora e meia de Jéssica foi no dia 08 de junho.

Jéssica Pontes era trabalhadora terceirizada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na USP Leste. Tinha 28 anos e estava grávida de 7 meses. Era mãe de duas meninas. Seu companheiro, pai do filho que esperava, montou uma emboscada, a torturou e matou deixando seu corpo enterrado num matagal. Ao ser preso confessou o crime alegando que não aceitava a gravidez.

A cada uma hora e meia mais uma vítima de feminicídio. O ex-marido não aceitava o fim do casamento; o ex-namorado matou por ciúmes; ele era casado e não queria que a esposa descobrisse; ela estava grávida e ele não queria ser pai. São milhares de desculpas para justificar o injustificável: a matou por ser mulher. Há séculos existe o patriarcado, o machismo. Há século as mulheres lutam pela sua emancipação. Não podiam votar, sair, viajar sozinha, ter vida sexual, etc. Não podiam porque eram mulheres, consideradas inferiores deveriam ser sempre submissas. Avançamos bastante na conquista de direitos, mas ainda nossas vidas estão em jogo, ainda vivemos sob o jugo do patriarcado.

O Estado falha cotidianamente em proteger a vida e os direitos das mulheres. No congresso federal, políticos como Bolsonaro vociferam contra as mulheres, desde fazendo apologia ao estupro até atacando o direito ao próprio corpo ou ainda os direitos trabalhistas e previdenciários das mulheres. As mulheres que são vítimas de violência doméstica, por exemplo, não tem a quem recorrer. Muitas vezes, por não ter condições financeiras de se sustentar, acabam continuando sob o mesmo teto que o agressor.

É preciso exigir dos governos um programa sério de combate à violência contra a mulher que combata e previna a violência e o feminicídio, que inclua casas abrigos transitórias para as mulheres vítimas de violência, licenças remuneradas do trabalho, seguro-desemprego que cubra o custo de vida para todas as mulheres que necessitarem, acesso a crédito familiar sem taxa de juros para que as mulheres possam restabelecer suas vidas.

Jéssica Pontes deixa duas filhas. Precisamos lutar para que essas meninas tenham direito ao futuro. Nossa dor e ódio diante do absurdo de sua morte deve ser o combustível para a luta das mulheres contra o patriarcado e esse sistema capitalista que se vale da opressão às mulheres para existir e gerar lucros. Louise Michel, revolucionária do século XIX, disse: “Cuidado com as mulheres quando sentirem nojo por tudo que as rodeiam e se levantarem contra o velho mundo. Nesse dia, nascerá o novo mundo!”.

Nos levantemos para lutar por um mundo novo, pela emancipação das mulheres e dos explorados e oprimidos do mundo. Nos levantemos para exigir que, se não foi a primeira, que Jéssica seja a última mulher morta pelo machismo!

Nem Uma a Menos!
Basta de Mulheres mortas pelo machismo e pelo capitalismo!

Abaixo a nota da Secretaria de Mulheres do Sintusp publicada em 19 de junho de 2017.

JÉSSICA, PRESENTE!

É com muita tristeza e pesar que recebemos a notícia da morte de uma trabalhadora terceirizada da EACH-USP, Jéssica Pontes, 28 anos e grávida de 7 meses. Diante dessa tragédia oferecemos toda nossa solidariedade às suas filhas, familiares e amigos.

Há dois anos outra trabalhadora da USP, Geiza Martinez, também foi morta, também vítima da violência machista, também foi feminicídio. De lá pra cá pouco mudou. A morte de Jéssica, assim como a de Geiza, faz parte da cruel estatística de feminicídio no país. A cada uma hora e meia uma mulher é morta vítima da violência machista. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo e o número de mortes vem aumentando. São milhares de mulheres mortas pelo simples fato de serem mulheres. O Estado falha em proteger a vida e os direitos das mulheres. Jéssica, infelizmente, não foi a primeira.

Toda morte é uma tragédia. Mas a morte de Jéssica, além de nos encher o coração de tristeza nos enche de ódio também. Uma morte desta forma, tão absurda e antinatural deve nos fazer levantar com tamanha indignação e gritar por justiça. Se não foi a primeira, exigimos que seja última!

SOMOS TODAS JÉSSICA!




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