Política

JANTARES E ATAQUES

Jantar dos Tucanos, Temer e a Rainha: entre luxos e ataques, o que busca o PSDB?

Difícil imaginar uma composição de jantar mais reacionária, banhada a comidas luxuosas e pompas de poder, o encontro perpassou os atuais embates internos do PSDB frente à subida do prefeito Dória e a preparação eleitoral para 2018. Temer e a realeza sueca foram convidados especiais do Palácio dos Bandeirantes, pela manha o presidente também foi a FIESP negociar com o empresariado e os “patos”.

terça-feira 4 de abril| Edição do dia

Os tucanos estão no último período perpassados por debates e competições sobre quem será o candidato às eleições de 2018. Com a subida do prefeito de São Paulo, João Dória, novas possibilidades surgiram, e o criador pode estar ameaçado pela criatura. Surgindo boatos sobre a possibilidade de Dória se candidatar a presidência no lugar de Alckmin, outros dizem não passar de um jogo para o prefeito se candidatar a governador. Entre os jogos e conflitos ocorreu nessa terça-feira um jantar diplomático junto a Temer e o Rei e Rainha da Suécia.

Michel Temer veio pela manha se reunir na FIESP, o assunto não foi divulgado. Participaram do evento o rei e a rainha da Suécia, o presidente da FIESP, Paulo Skaf, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), representantes de outros países da América Latina, a senadora Marta Suplicy (PMDB), e outros. Pela composição é claro o conteúdo do encontro: a FIESP como uma das principais representantes da patronal brasileira junto a banqueiros vem pressionando pelos ajustes, para aumentarem seus lucros em cima da terceirização, do corte de direitos trabalhistas e da aposentadoria.

Por sua vez Temer busca aliados para aprovação da reforma da previdência, uma vez que o congresso vem colocando empecilhos, não porque sejam contra o ataque, mas porque ano que vem tem eleições e os parlamentarem ficam pressionados em aprovar uma medida tão impopular, correndo o risco de terem seus cargos ameaçados se forem associados a aprovação da reforma.

Já a realeza Sueca, que não deixa claro seus interesses no Brasil, elogiou Temer sobre a proteção das crianças na agenda de governo do golpista. Se em si a existência de reis já não fosse um absurdo, o elogio não fica para trás no cinismo, o governo que quer que a nova geração se mate de trabalhar de forma precária e terceirizada, que acaba com o ensino médio e ainda quer acabar com a possibilidade de se aposentar, está longe de dar qualquer proteção as crianças. Mas sim vem lhes tirando o futuro.

Os tucanos à mesa

Mas o principal do dia foi a reunião dos tucanos, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, João Dória e José serra sentaram na mesma mesa para jantar. O PSDB vem se preparando para as eleições de 2018, contudo esse ano surgiu uma nova figura que está criando mais disputas internas. Se antes os principais nomes em disputa eram Aécio, José Serra e Alckmin, agora com a Lava Jato e com a entrada de Dória, os nomes se embaralham. Aécio é o tucano mais citado na Lava Jato, apesar de ser um nome nacional, é rechaçado pelos casos de corrupção. José Serra se ligou muito ao governo Temer ao aceitar um cargo que após menos de um ano já saiu, esse movimento ajudou a queimar mais a figura se colando a um governo rechaçado, além de também ser citado na Lava Jato.

Assim o espaço aparentemente aberto para Alckmin esta sendo obstruído por seu apadrinhado Dória. Recentemente até FHC e Dória trocaram farpas, com este último falando que o tucano histórico havia errado duas vezes nas suas previsões de que o empresário não seria eleito. Por sua vez FHC criticou o perfil técnico, falando que é preciso ser um líder.

Contudo em declarações mais recentes FHC abre margem para uma possível candidatura afirmando que quem escolhe os presidenciáveis é a população, e que ele mesmo prefere não se posicionar. Dória conseguiu emergir com o perfil novo, usando as redes sociais e querendo “mostrar serviço”, criando uma imagem por fora da política tradicional desgastada.

Dória pesar de ainda gozar de certa popularidade, vem aplicando um projeto profundamente liberal, para ele a cidade é um negócio onde tudo pode ser privatizado ou gerar lucro, além disso suas medidas de impedir festas populares como o carnaval, apagar os grafites da cidade, mostram toda sua ideologia reacionária buscando uma cidade “limpa”, cinza e completamente privatizada. Recentemente Dória tentou incriminar a greve dos metroviários no dia 15M, contudo foi totalmente derrotado com a greve acontecendo forte.

Ainda deve correr a interna tucana, outra possibilidade alentada é que esteja fazendo uma manobra para erguer Dória e para ele competir a governador e Alckmin a presidência em 2018. Preservando assim seu bastião em São Paulo. Especulações a parte, o PSDB vem se preparando para aparecer como uma direita nova, técnica e séria, para possivelmente competir com Lula.

O partido também é dos principais entusiastas da reforma política, que busca restringir ainda mais o regime eleitoral e excluir a esquerda. Mas apesar da imagem, o fato é que o PSDB está sendo um dos sustentadores do governo Temer, apoiando suas medidas reacionáriase que se governo devem seguir aprofundando.

Basta de jantares e luxos para atacarem os trabalhadores. Que os capitalistas paguem pela crise

Enquanto a realeza e a casta política senta a mesa para comer e discutir como vão garantir os ataques aos trabalhadores, ou como vão se eleger para implementar um plano neoliberal, a contradição desses jantares com os interesses da população que não tem acesso a necessidades minimas e vem sofrendo com os cortes escancara a necessidade de se enfrentar o capitalismo e seus políticos patronais e empresários.

Esses luxos são pagos em cima da exploração dos trabalhadores e da população pobre, a realeza paulista é parte da nata burguesa mais concentrada do país que deve ser combatida. No dia 15 de março a classe trabalhadora começou a entrar em cena, Alckmin e Dória não foram capazes de impedir. No dia 28 é possível repetir com ainda mais força, esse dia esta sendo chamado pelas centrais sindicais, apesar de darem uma trégua de 1 mês ao governo. Assim é preciso existir uma greve geral efetiva e de verdade, precisamos tomar a luta em nossas mãos colocando de pé comitês de base nos locais de trabalho e estudo pra derrotar as medidas do Temer e da direita do PSDB.




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