Política

CORRUPÇÃO

Janot denuncia PMDB do Senado por formação de quadrilha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira uma denúncia contra toda a cúpula do PMDB no senado. A lista de senadores acusados de corrupção é antiga. O novo movimento de Janot serve para mostrar que ele seria imparcial depois de uma semana de medidas contra o PT. Por outro lado, a pressa com que tem se movido mostra a situação defensiva em que se encontra.

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

sexta-feira 8 de setembro| Edição do dia

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Hoje, mesmo dia que Marcelo Miller, o ex-procurador foi interrogado devido a denúncia de ter ajudado e sido comprado pelos empresários da JBS, foram denunciados sob a acusação de organização criminosa os senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA) e Valdir Raupp (RO). O ex-senador e ex-presidente José Sarney também constam na denúncia. Além deles, também foi acusado o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Esses caciques do PMDB são denunciados por corrupção há muito tempo. Agora Janot resolveu agir.

Em nota, a PGR afirma que os 7 políticos foram denunciados por "receberem propina de R$ 864 milhões e gerarem um prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro".

"A organização criminosa denunciada foi inicialmente constituída e estruturada em 2002, por ocasião da eleição de Lula à Presidência da República", também afirma a procuradoria.

Nessa mesma semana, Janot apresentou uma denúncia semelhante contra a ex-presidente Dilma Rousseff e Luiz Inácio da Silva, apontado como líder da organização criminosa pela procuradoria, entre outros políticos do PT.

Janot tenta se mostrar imparcial e busca uma relocalização ao focar no PT e agora no PMDB. Os privilégios concedidos aos milionários da JBS quando da delação firmada com o Judiciário, causaram repercussões negativas perante a opinião pública, o que fragilizou a Lava Jato e Janot. Agora, o procurador geral tenta em atos apressados contornar ou talvez disfarçar a fraqueza de sua localização política, abalada pelo acordo com os irmãos Batista, atirando denúncias para mais de um lado.

O iminente pedido para anular o acordo da delação da JBS, a denúncia contra o PT, contra o PMDB, e a próxima denúncia que deve encaminhar contra o presidente Michel Temer e o PMDB da Câmara, que deve encontrar menor respaldo do que a primeira, mostram o desespero do procurador-geral em cumprir a promessa de realizar todos os inquéritos nas próximas semanas, antes de deixar o cargo que será ocupado por Raquel Dodge. Não só o andamento das ações mas seu próprio futuro político pesa para sua atuação apressada.

Caberá aos ministro Luiz Edison Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, e ao STF, notificar os acusados e decidir se eles viram réus ou não

Para recuperar algo de sua credibilidade Janot quer mudar o acordo com a JBS e possivelmente solicite a prisão dos irmãos Joesley e do ex-procurador Miller, no entanto não é seu interesse acabar com o privilégio da empresa, nem é de nenhum político capitalista que o tem criticado. A JBS segue lucrando bilhões nas costas do trabalhadores, e irá se beneficiar com as reformas aprovadas. Podem mexer com Joesley mas deixarão os seus bilhões na empresa intactos.

Setores do judiciário divergem da "casta política" em relação a qual resposta dar à crise política, porém todos eles concordam com os ataques contra a classe trabalhadora e com as privatizações, auxiliadas pela Lava Jato e implementadas por Temer.

Não será combatida a corrupção das mãos de Janot, de Temer, do STF, do Congresso ou da Lava Jato. Avançam e travam investigações conforme interesses políticos, podem mirar algum empresário ou político mas sempre advogam pela impunidade dos capitalistas. Todo o foco atual em Joesley Batista poupando sua empresa mostram isso. Para combater a corrupção é necessária uma resposta independente da classe trabalhadora, lutar por expropriar todas empresas corruptas e coloca-las sob administração dos trabalhadores. Para lutar por essas e outras medidas o Esquerda Diário defende uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que seja imposta pela luta.




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