Política

CRISE DE GOVERNO

Janot: Temer e Aecio serão investigados por corrupção passiva e obstrução à Justiça

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), será investigado por, pelo menos, dois crimes: corrupção passiva e obstrução à investigação de organização criminosa.

sexta-feira 19 de maio| Edição do dia

No pedido de abertura de inquérito contra Temer, o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), a Procuradoria-Geral da República disse haver indícios de constituição e participação em organização criminosa, por parte das autoridades, mas não especificou se todos os três serão investigados por isso neste inquérito específico.

"Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos", e mais: "Desta forma, vislumbra-se também a possível prática do crime de obstrução à Justiça". Em seu pedido para investigar Temer e Aécio a procuradoria afirma que o senados teria "organizado uma forma de impedir que as investigações [da Lava Jato] avançassem por meio da indicação de delegados que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições."

Todas essas medidas estão sendo tomadas, pois na quarta-feira, 17, foi divulgado que o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista gravou sua conversa com o Temer e nesta conversa, o golpista dá aval para que o empresário compre o silêncio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que está na cadeia. Também na quinta, Fachin liberou o áudio da conversa entre Temer e Joesley Batista. O trecho do diálogo em entre Temer e Batista com a referência a Eduardo Cunha é o seguinte, conforme a gravação:

Joesley Batista: Agora... o negócio dos vazamentos. O telefone lá [inaudível] com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, e não sei o que. Eu estou lá me defendendo. Como é que eu... o que é que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok...

Temer: Tem que manter isso, viu... [Inaudível]

Joesley: Todo mês. Também. Eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado aqui no processo, assim [inaudível]...

Rodrigo Janot, procurador-geral da República entendeu que houve “anuência” (consentimento) do golpista Michel Temer para o pagamento de propina mensal para comprar o silêncio de Cunha por parte de Joesley Batista.

Em seu pronunciamento, na quinta-feira, Temer negou as acusações e disse: “Em nenhum momento autorizei que pagasse a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém”. O golpista também afirmou que as gravações são clandestinas, deixando claro em seu discurso o apontamento de que tudo isso seria uma farsa. Para sustentar sua hipótese Temer, sem dar os números concretos, disse que seu governo está sendo atacado porque todas as medidas, além da Reforma da Previdência, estão dando para o Brasil “esperança de dias melhores” Uma pesquisa recente feita pelo IBGE mostra que o seu discurso é uma falácia, como você pode ver aqui.

Na conversa em que gravou o presidente Michel Temer, o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, relata uma sequência de crimes que vão de obstrução à Justiça, suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas.

A gravação já foi considera audível e também possuidora de uma sequência lógica o que atesta a sua veracidade. O ministério Público produziu quatro laudos de "verificação de gravação do arquivo de áudio" nas gravações entregues pelo empresário Joesley Batista no acordo de colaboração premiada assinado com a Procuradoria-geral da República e homologado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise é inicial e ainda devem ser realizadas outras perícias após a instauração da investigação Michel Temer.




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