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Já são 15 trabalhadores da USP mortos pela COVID-19, a reitoria e o PSDB são responsáveis

Um dia depois do ato de homenagem a trabalhador José Manuel Sapia, mais uma trabalhadora do HU morre pela política da reitoria da universidade, da superintendência e da política do PSDB. Selma Ignácio Simões era trabalhadora da enfermagem do HU e grupo de risco. Seguirá presente em nossas lutas.

sexta-feira 27 de novembro de 2020| Edição do dia

Mais uma vida é arrancada pela negligência da reitoria, da superintendência da universidade e dos governos PSDB e Bolsonaro. Selma era trabalhadora da enfermagem do Hospital Universitário e era do grupo de risco. Já são 15 funcionários mortos por COVID-19 na universidade, e essa é a terceira morte de funcionário que era parte do grupo de risco e foi mantido trabalhando, o que resultou na contaminação.

Ontem mesmo (26) foi chamado pelos trabalhadores um em homenagem ao funcionário da farmácia do hospital, José Manoel Sapia, que morreu vítima da covid-19 no último dia 14. Sapia também era parte do grupo de risco, no entanto foi mantido trabalhando no hospital por ordem do superintendente do hospital, o médico Paulo Ramos Margarido.

Intervenções de Marcello Pablito e Babi Della Torre no ato de ontem, em frente ao Hospital Universitário em homenagem a...

Publicado por Nossa Classe - USP em Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Desde o início da pandemia os trabalhadores do hospital denunciaram a falta de EPIs, racionamento de álcool em gel e mascaras e exigiam a necessidade de testagem para todos os funcionários, efetivos, terceirizados e residentes e a liberação daqueles que fazem parte do grupo de risco, ou seja, maiores de 60 anos e que possuem alguma comorbidade que eleva o risco de morte. Para responder a sobrecarga de trabalho e possibilitar a liberação do grupo de risco é necessário contratações emergenciais via USP, demanda também levantada pelos funcionários desde o início. Contratar também os funcionários terceirizados como efetivos, para que tenham os mesmos direitos e não sigam morrendo pelas péssimas condições de vida e trabalho a que estão expostos.

Mais contratações inclusive seriam essenciais para reabrir o pronto-socorro do hospital para a comunidade, sendo o Hospital Universitário um centro de excelência que está subutilizado em meio a esse cenário. No entanto, o reitor da USP, Vahan Agopyan, e o superintendente do hospital Paulo Margarido se recusaram a tomar as medidas básicas para resguardar a vida dos trabalhadores e da comunidade.

No ato, trabalhadores denunciaram a postura criminosa de Paulo Margarido, que além de não garantir esses direitos ainda chegou a tirar foto de um ato realizado pelos funcionários exigindo máscara para incluir em um relatório como “prova” de que os funcionários têm máscara, afinal estavam de máscara no ato. Barbara De La Torre, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário e trabalhadora do HU, denuncia também que enquanto médicos do grupo de risco foram liberados imediatamente do início da pandemia, terceirizados da limpeza, nutrição etc e mesmo efetivos da enfermagem não foram, deixando evidente que para essa reitoria e superintendência algumas vidas valem mais que outras. Sequer soltaram qualquer nota de solidariedade às famílias pelas mortes.

Contra essa situação, trabalhadores da USP estão em greve sanitária, mantendo apenas o trabalho remoto, desde o dia 09 de novembro contra o plano de retorno da reitoria, imposto sem nenhuma discussão com os trabalhadores ou o sindicato da categoria. O Plano incluía o retorno compulsório das atividades presenciais não essenciais dos funcionários apenas, professores e estudantes só retornarão em 2021, além de rever o conceito de grupo de risco, contrariando pesquisas e orientações da OMS. A greve também exige a necessidade de testagem periódica (com o teste RT-PCR) de todos os trabalhadores em atividades presenciais, sejam efetivos ou terceirizados.

Bolsonaro, Covas e Doria, junto com a reitoria e a superintendência, encaram mortes como essas como números. Muito para além das estatísticas, nossa força e nossa organização precisam mostrar que valorizamos a vida e a história de cada um desse companheiros e de outros tantos colegas de trabalho, amigos e familiares que se foram por essa atuação negligente dos governos e empresários. Selma e Sapia estão presentes e vivem em nossa luta, hoje e sempre, até mostrarmos para os capitalistas que nossas vidas valem mais que seus lucros.




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