Economia

IMPERIALISMO

Itau Unibanco chantageia economia do país com a alta do dólar para aplicar reformas

Seguindo a linha do mercado internacional de atacar a economia brasileira para influenciar os rumos da política nacional e forçar a aprovação de reformas, em especial a da previdência, em meio a um conturbado e incerto ano eleitoral, o banco Itau reforça o recado do imperialismo afirmando que no caso das reformas serem engavetadas pelo novo presidente o dólar pode se estabilizar em patamar superior a R$ 4,50.

quarta-feira 27 de junho| Edição do dia

Desde o início do mês o mercado financeiro internacional intensificou suas investidas contra a economia brasileira para tentar influenciar os rumos da política e do cenário eleitoral. O aumento do dólar e as constantes ameaças de evasão de investimentos internacionais buscam forçar a aprovação da reforma da previdência e aumentar ainda mais os recursos destinados para a manutenção da dívida pública.

Em um relatório divulgado nesta terça-feira, 26 de junho, assinado pelo economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, e pela economista Julia Gottlieb, as itenções do capital financeiro internacional ficam evidêntes. Segundo o relatório "a aprovação das reformas, especialmente daquelas que geram uma dinâmica fiscal mais sustentável, será o ponto-chave para determinar se o País vai migrar para um regime de muito, pouco ou até nenhum financiamento externo". No caso de não serem aprovadas as reformas, "para gerar superávits em conta corrente, seria necessário uma moeda nacional depreciada, elevando o valor do dolar para cima de R$ 4,50. Ou então, "(...) em um cenário de aprovação de reformas e melhora dos fundamentos, podemos migrar para um regime de alta disponibilidade de financiamento externo e câmbio mais apreciado (abaixo dos R$ 3,50).".
É importante entender que quando o representante empresarial do Itau Unibanco, menciona uma "dinâmica fiscal mais sustentável", na verdade refere-se a aumentar os recursos endereçados para a manutenção da dívida pública. O banco Itau é o maior banco privado de capital imperialista no Brasil, é também a empresa que mais lucrou no país em 2017 (cerca de R$ 25 bi) e é uma das 12 mega empresas que possui preferência na comercialização dos títulos da dívida pública brasileira. Por isso garantir o corte em recursos públicos, em especial na previdência, mas também na saúde, educação, seguro desemprego, etc, para destinar ao pagamento e ao aumento da dívida pública, é seu principal interesse econômico, assim como de todo o mercado financeiro mundial.

Mas, embora o relatório fale de planos futuros pós eleições, o capital financeiro internacional já vem atacando duramente a economia brasileira com algumas amostras práticas de sua chantagem. O Banco Central, por sua vez, vem respondendo a cada nova medida intensificando sua posição de submissão. Só no dia 14 de junho o Banco Central despejou US$ 5 bilhões para segurar a alta do dólar, por meio da emissão de swaps cambiais, enchendo os bolsos do capital financeiro internacional. Ainda assim, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou com máxima de R$ 3,8095.

Nesta terça-feira, 26 de junho, o Banco Central tomou medidas ainda mais drásticas e vendeu parte das reservas internacionais para tentar conter a alta do dólar, disponibilizado cerca de US$ 500 milhões para o mercado financeiro. A venda de recursos da reserva internacional é um salto de qualidade nas medidas de contenção do Banco Central, que chegou a cogitar a venda de US$ 3 bilhões. Ainda assim o dólar fechou neste mesmo dia em R$ 3,77. A reserva internacional é um recurso exclusivo destinado para a contenção da desvalorização da moeda nacional. Atualmente estão empregados exclusivamente para este fim cerca de US$ 369 bilhões, em sua maior parte em títulos do tesouro americano.

Trocando em miúdos, o recado do Itau Unibanco e do mercado financeiro internacional é: aprovem as reformas ou sofram com as consequências. Tony Volpon, economista da empresa de serviços financeiros UBS, com suas palavras, confirma a chantagem implícita dizendo em uma entrevista ao Financial Times que "a possibilidade de que as reformas no Brasil passem aumenta quando os mercados estão em turbulência".




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