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Itália: ex-funcionário do FMI nomeado para formar governo, mas poderia ter novas eleições

O presidente italiano nomeou Carlo Cottarelli para que forme um novo governo. O Movimento 5 Estrelas e a ultradireitista Liga anunciaram que não o apoiarão e assim haveria novas eleições.

terça-feira 29 de maio| Edição do dia

foto: T. Gentile

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, jogou uma nova e provável última carta para encontrar uma saída à grave crise em que o país se encontra depois de 85 dias sem governo. Na busca por evitar novas eleições encarregou o economista e ex-funcionário do FMI Carlo Cottarelli de formar um executivo, que assume o desafio sem muita esperança.

O presidente Mattarella tomou essa decisão depois de rechaçar o governo de coalizão entre a ultradireitista Liga e o direitista Movimento 5 Estrelas (M5S), liderado por Giuseppe Conte, ao vetar a presença do nacionalista eurocético e crítico do euro Paolo Savona como ministro de economia.

Cottarelli, ex-dirigente do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 64 anos, explicou à imprensa que aceitou a tarefa de chefe de estado para apresentar um programa de governo que leve o país a novas eleições em 2019, o que seria uma saída mediante um governo “técnico” que administre o país.

O primeiro-ministro nomeado apresentará a Mattarella seu gabinete, mas explicou que em caso de não conseguir a confiança do parlamento, renunciará imediatamente e seguirá só para as funções urgentes até as eleições, que serão convocadas depois de agosto.

Cottarelli, além de ex-funcionário do FMI é conhecido por ter sido comissário extraordinário para a redução dos gastos públicos em 2013 com o governo de Enrico Letta, explicou que sua missão será deixar aprovada a lei orçamentária e "conduzir o país a novas eleições no início de 2019". Para a imprensa, assegurou que seu governo "realizará uma gestão prudente das contas públicas" ao lembrar que recentemente a tensão aumentou sobre a economia italiana com a subida do risco país.

O cenário desta nova tentativa de formar governo é desalentador porque nasce praticamente sem futuro, pois não tem os apoios necessários para conseguir a confiança em nenhuma das câmaras do parlamento, por esse motivo já se se discute as datas das possíveis eleições, que seriam no meio de setembro ou em outubro.

O chamado a novas eleições tampouco resolve o risco de que voltem a se repetir os resultados fragmentados que não permitiram formar uma maioria depois da votação de 4 de março, situação que vem se repetindo no país. A Liga, que eliminou a palavra Norte de seu símbolo para a campanha eleitoral, e o M5S já anunciaram que não votarão a confiança no executivo de Cottarelli.

Ambos partidos já têm a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, mas além disso também anunciaram que não votarão a favor do "governo do presidente" Força Itália, de Silvio Berlusconi, e os neofascistas do Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni.

O líder da ultradireitista Liga, Matteo Salvini, deu uma advertência a seus sócios eleitorais do Força Itália e aos Irmãos da Itália ao afirmar que se apoiassem Cottarelli acabaria a coalizão com que se apresentaram nas eleições.

A tentativa do presidente Mattarella busca a formação de um governo “técnico” sem chamar os partidos saídos das urnas. Esse governo deveria estabelecer um programa que possa satisfazer os apetites de uma grande parte dos empresários, que pedem que as empresas paguem menos impostos, mais flexibilidade, privatizações e redução dos salários, como está escrito no projeto de lei do M5S chamado “entrada da cidadania” assim como também a redução do déficit público tal como a UE e o FMI desejam. Mas o rechaço das duas forças que tiveram mais votos nas eleições torna difícil que um governo desse tipo possa se formar.

Por outro lado uma nova campanha eleitoral poderia ser virulenta e com a pressão da volatilidade dos mercados. Uma nova eleição também poderia fortalecer mais a ultradireitista Liga, e seu líder Matteo Salvini assegurou que se volta a ter a possibilidade de formar governo, o fará com o rechaçado Ministro de Economia, professor Paolo Savona. Começou uma nova etapa da crise política na Itália.

Tradução: Francisco Marques




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