Gênero e sexualidade

PÃO E ROSAS

Isso é Pão e Rosas, companheiras!

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

sexta-feira 20 de julho| Edição do dia

O grupo de mulheres Pão e Rosas se formou na Argentina, a partir das jornadas de luta em 2001, inspiradas pela luta operária das mulheres da fábrica têxtil Brukman e prestando solidariedade ativa no combate à patronal. Impulsionado pelo PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, organização irmã do MRT na Argentina) e estudantes e trabalhadoras independentes, a agrupação se colocou em marcha atuando junto às comissões de mulheres dos encontros de fábricas ocupadas e já em 2003 se colocava ativamente no enfrentamento com a Igreja e os setores reacionários pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

De lá pra cá a agrupação cresceu na Argentina e em poucos anos se expandiu por toda América Latina (Chile, Brasil, México, Venezuela, Peru, Bolívia, Uruguai, Costa Rica), Europa (Estado Espanhol, Catalunha, França, Alemanha e Itália) e nos Estados Unidos. Homenageando as operárias têxteis do início do século passado que lutaram por seus direitos, as mulheres do Pão e Rosas lutam pela emancipação das mulheres de toda a opressão, com uma perspectiva socialista e revolucionária.

Nas fábricas, nos locais de trabalho e estudos batalhamos pela auto-organização dos trabalhadores e da juventude para lutar contra o sistema capitalista, que se sustenta a partir da opressão e da exploração, por uma revolução socialista. Nessa luta contra o capitalismo não dividimos a trincheira com mulheres como Cristina Kirchner, Hilary Clinton, Angela Merkel ou Dilma Roussef. Porque, embora sejamos todas mulheres, nossos interesses de classe são opostos. Queremos sim lutar ao lado dos nossos companheiros homens, da nossa classe, para destruir o capitalismo.

Nos últimos anos, nos Encontros Nacionais de Mulheres na Argentina, o Pão e Rosas tem se colocado como uma enorme força motora da aliança entre a juventude e os trabalhadores. Organizou milhares de mulheres trabalhadores e estudantes no combate por ni una menos, contra os feminicídios, defendendo um Plano de Emergência contra a Violência à mulher.

Com Andrea D´Atri à frente, a agrupação lançou uma série de livros que discute a questão da mulher, como “Pão e Rosas - identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo”, “Lutadoras”, “Mulher, Estado e Revolução” e agora impulsiona um curso sobre Feminismo e Socialismo na Universidade Virtual, impulsionada pelo IPS (Instituto do Pensamento Socialista Karl Marx da Argentina). A luta contra a opressão à mulher deve ser um combate de toda a classe operária contra o capitalismo.

Na linha de frente na luta pela legalização do aborto na Argentina, o Pão e Rosas agrupa milhares de mulheres e expressa também com Myrian Bregman, legisladora de Buenos Aires e, Nathalia Gonzalez Seligra e Nicolás del Caño, da bancada de deputados da FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) - que foi a única que votou unificada pela conquista do aborto na Câmara dos Deputados - que os direitos se conquistam nas ruas e mobilizações.

Agora o Pão e Rosas se prepara em cada local de trabalho e estudo, discutindo com a juventude e as trabalhadoras, para o combate do próximo dia 8 de agosto, quando o Senado Federal também vai votar a pauta da legalização do aborto. Será preciso milhares de mulheres e homens nas ruas da Argentina para arrancar esse direito. A construção do Pão e Rosas se dá no chão de fábrica, nos locais de trabalho, escolas e universidades, foram linha de frente, com Katy Balaguer, da luta contra o fechamento da PepsiCo, ocupação de fábrica que deu impulso à enorme batalha contra a Reforma da Previdência no ano passado.

No Brasil, também impulsionamos a luta pelo aborto legal, seguro e gratuito e colocamos todas as nossas energias para que a solidariedade internacional se transforme em um grande movimento que possa trazer a maré verde para nosso país e arrancar aqui também o direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

O Pão e Rosas Brasil foi fundado em 2007, impulsionado por uma greve de trabalhadoras terceirizadas da limpeza da Universidade de São Paulo e que deu origem à obra "A Precarização Tem Rosto de Mulher", organizado por Diana Assunção, fundadora do grupo. Ao longo destes dez anos, participamos e construímos centenas de debates, mesas e palestras sobre feminismo e marxismo, dando grande valor às idéias e à história de luta das mulheres. Os livros são lançados com o objetivo de dar armas teóricas e buscar a continuidade de um feminismo socialista que batalhe pela emancipação da humanidade ao lado dos homens, pela Editora Iskra, impulsionada pelo MRT e no selo Iskra Mulher. Publicamos também "Feminismo e Marxismo", "Trotsky e a luta das mulheres", "Mulher, Estado e Revolução" da historiadora norte-americana Wendy Goldman, em coedição com a Boitempo e apoiamos "Reivindicação dos Direitos das Mulheres" de Mary Wollstonecraft também pela Boitempo, e a última publicação, com anexos exclusivos para a edição brasileira, "Lutadoras - histórias de mulheres que fizeram história".

Com Diana Assunção, Maíra Machado, Flávia Valle, Carolina Cacau à frente, lutamos junto às mulheres do Pão e Rosas da Argentina e de outros países para colocar de pé uma enorme organização de mulheres que possa com a força que vem se expressando no movimento pelas demandas das mulheres em todo o mundo colocar as mulheres na linha de frente e combater por nossos direitos e também contra o capitalismo.

No Brasil, há dois anos do golpe institucional, os golpistas avançaram especialmente sobre os direitos das mulheres, atacando a classe trabalhadora de conjunto. Com a Reforma Trabalhista, aprovaram o trabalho de mulheres grávidas em locais insalubres e com o congelamento dos gastos em saúde e educação por 20 anos, são também as mulheres que sofrem os maiores impactos de serviços públicos que já vinham sofrendo ajustes do PT. Dilma, uma presidenta mulher, apesar de toda demagogia do próprio PT e da Marcha Mundial de Mulheres, e assim como Cristina Kirchner na Argentina, não fez avançar nem um milímetro dos direitos das mulheres, enquanto selava acordos com a Igreja Católica e Evangélica e abria espaço para figuras reacionárias como Marco Feliciano em seu governo.

Para enfrentar este cenário, lançamos ao longo dos anos diversas campanhas contra o trabalho precário, denunciando seu caráter racista e machista e defendendo a efetivação de todos os trabalhadores terceirizados sem a necessidade de concurso público. Também construímos campanhas em defesa da igualdade salarial entre mulheres, negros e brancos, denunciando que no Brasil, uma mulher negra recebe 60% a menos que um homem branco exercendo a mesma função.

O Plano de Emergência defendido pela bancada da FIT na Argentina foi lançado também no Brasil, como medidas básicas a serem adotadas em um país onde uma longa cadeia de violência pela qual as mulheres passam resulta em 12 feminicídios diários. Pode ser conferido na sessão de Gênero e Sexualidade do Esquerda Diário, onde elaboramos e denunciamos a situação de vida das mulheres, com milhares de artigos e dezenas de debates teóricos. Este inclui também a construção de casas abrigo, já que até hoje 97,5% das cidades brasileiras não as possuem. O direito de decidir sobre a própria vida, o próprio corpo, também aparece como demanda fundamental, acompanhada da necessidade imediata de educação sexual para decidir, contraceptivos de qualidade para não abortar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.

Somos parte das professoras de São Paulo que derrotaram Dória, somos parte das trabalhadoras terceirizadas de limpeza, operárias, das jovens endividadas e que tentam sobreviver ao desmonte das universidades e nos reconhecemos nas argentinas que lutam pela legalização do aborto e mulheres em todo o mundo, também naquelas que em 8 de março de 1917 deram início à maior revolução da história, a Revolução Russa e conquistaram inclusive o direito ao aborto.

Por isso queremos sacudir o Brasil no dia 8 de Agosto, ao lado das companheiras argentinas que transformarão a maré verde em tsunami para arrancar o aborto legal do Senado. Reiteramos o chamado ao movimento de mulheres, à todas as mulheres e homens, organizações de esquerda e o PSOL, a que inundemos também o Brasil pela vida das mulheres com grandes manifestações.



Exigimos nosso direito ao pão, mas também à rosas.
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