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CAMPANHA SALARIAL METROVIÁRIOS

Intransigência e atitude anti-sindical do Metrô marcam campanha salarial em SP

Nesta quinta-feira, dia 17/05, na terceira reunião de negociação da campanha salarial, Metrô mantém intransigência com metroviários.

terça-feira 17 de maio de 2016| Edição do dia

Nesta terça, 17, dia da terceira reunião de negociação da campanha salarial 2016, a direção da Companhia do Metropolitano de São Paulo emitiu comunicado que reforça a postura anti-sindical que a empresa vem tendo nos últimos anos. Tenta proibir de maneira autoritária as medidas de mobilização históricas como a realização de setoriais da manutenção, a retirada de uniformes dos trabalhadores da estação e trens, e a realização de manifestações nas estações. Na mesma linha de intransigência, empresa rompeu temporariamente a negociação quando os demitidos políticos da greve de 2014 exigiram o cumprimento das duas decisões judiciais favoráveis a readmissão na reunião de negociação.

Na última assembleia da categoria, organizada no dia 10 de maio na sede do Sindicato dos Metroviários, foi deliberada a realização de setoriais (reuniões de base) da manutenção do lado de fora dos pátios de Jabaquara e Itaquera para permitir a participação dos demitidos políticos da greve de 2014, que hoje são impossibilitados de entrarem nos pátios. A readmissão imediata se mantêm como um dos eixos da pauta de reivindicações, exigência que ganha ainda mais força depois que a decisão na justiça em 2ª Instância reafirmou a ilegalidade da justa causa, mas ainda mantém os demitidos fora do local de trabalho.

A direção da empresa, que é controlada a duas décadas pelos tucanos do PSDB e trabalha para privatizar o Metrô de São Paulo, aumenta a cada dia os ataques ao direito de greve e a postura anti-sindical. Além de manter as demissões ilegais, tenta agora intimidar os metroviários na campanha salarial para que não realizem as setoriais para organizar a mobilização da categoria e deixem de realizar a principal medida de mobilização votada ate agora: a retirada dos uniformes na próxima segunda, 23.

Veja abaixo depoimento de Marilia Rocha, operadora de trem da Linha 3 vermelha, que participou da negociação com a empresa nesta quinta-feira, denunciando a postura da empresa que não negocia as demandas dos trabalhadores e não readmite os metroviários demitidos por lutar, e ainda faz um chamado que unifique as lutas dos trabalhadores dos transportes a nível nacional para combater a privatização dos transportes:

Para França, trabalhador da manutenção do Pátio Jabaquara (Oficina Compressores) "O Metrô avança ofensivamente contra os nós, justamente agora que se aproxima da data que ele quer que termine a campanha salarial. Em nota no site da empresa, a companhia nos proíbe e nos ameaça com sanções e descontos no DSR (Desconto Semanal Remunerado), inclusive caso a gente não faça a setorial do jeito que ela quer: sem a presença dos demitidos, e no espaço que ela escolher. É um absurdo que seja a empresa quem queria determina a forma e o lugar de onde nos organizamos. Ela tenta através dessa ofensiva nos colocar um freio antes mesmo de sairmos do lugar. As setoriais devem responder a altura e permitir que nossos companheiros demitidos não só possam expressar sua (e nossa) luta, mas que a partir delas surja de fato a amostra que não toleraremos nem mais um dia o afastamento deles de seus postos de trabalho, assim como também não permitiremos que a empresa siga falando em nosso nome seja nem mesmo com suas ameaças. A categoria deve comparecer em peso amanhã na assembleia, as 18h30, para discutir os rumos da nossa luta. Por isso o sindicato deve não apenas ficar a reboque das negociações e dos "calendários" de luta, chamando os metroviários de SP a se unificarem com a luta contra o sucateamento e privatização dos transportes em SP com rodoviários e CPTM, e que esta hoje sendo prometida pelo governo Temer a nível nacional, nos unificando as lutas dos metroviários de Belo Horizonte e Recife que hoje se encontram em greve".




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