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Desmatamento | Intervenção milionária das Forças Armadas na Amazônia não diminuíram desmatamento em 16 meses

As operações colocadas pelo governo Bolsonaro já custaram mais de R$550 milhões e ficaram ativas em quase metade da gestão Bolsonaro, mas mesmo assim mostraram quase nenhum impacto positivo nos números de desmatamento. A intervenção das Forças Armadas ocorre em terras indígenas e unidades de conservação, mesmos territórios que Bolsonaro quer vender para o agronegócio.

segunda-feira 25 de outubro | Edição do dia

Imagem: Adriano Machado/Reuters

Ao todo ocorreram três operações das chamadas GLOs (garantias de lei e ordem) do governo Bolsonaro na Amazônia: primeira GLO Operação Verde Brasil foi de agosto a outubro de 2019, custando R$1,5 milhão por dia; o Verde Brasil 2 foi de maio de 2020 a abril de 2021, com custo de R$410 milhões; e a Operação Samaúma foi do fim de junho ao fim de agosto de 2021, com custo de R$50 milhões. Ao todo foram gastos R$550 milhões: seis vezes maior que o orçamento do Ibama em 2020 para gastos com fiscalização ambiental, licenciamento e gestão da biodiversidade.

Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) mostram que o desmatamento entre agosto de 2020 e julho de 2021 teria sido apenas 5% menor que o registrado no ciclo anterior. A perda de vegetação entre agosto de 2019 e julho de 2020, entretanto, foi 7,1% maior que o ciclo anterior.

- O capitalismo e seus governos destroem o planeta: destruamos o capitalismo!

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) afirma que a área desmatada entre janeiro e setembro registra um número 39% maior que o mesmo período em 2020, o pior índice em dez anos.

As três intervenções já custaram milhões e não mostraram quase nenhuma eficiência, principalmente combinada com a política do governo Bolsonaro de disponibilizar as terras brasileiras para a exploração do agronegócio, mas Mourão continua insistindo na continuação das GLOs. O vice-presidente afirma que as operações devem continuar para que os negociadores brasileiros tenham números positivos para apresentar na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas e demonstrem o comprometimento do estado brasileiro e do governo Bolsonaro em resolver esse problema.

As ações das GLOs ocorriam nas mesmas terras indígenas e unidades de conservação que Bolsonaro quer vender para o agronegócio, e demonstram que o comprometimento do governo Bolsonaro nunca foi em resolver o problema do desmatamento. Mourão ainda afirma que o conceito de soberania "está intimamente ligado ao problema que vive a Amazônia", no que diz respeito o fluxo de refugiados, o tráfico de drogas e de armas (em que as próprias Forças Armadas já estiveram envolvidas em casos escandalosos) e a "interdependência econômica internacional".

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