CONTRA O FECHAMENTO DAS ESCOLAS

Impedir o fechamento do Antunes é o primeiro passo para derrotar a reorganização de Alckmin

Sexta-feira passada, centenas de estudantes finalizaram mais um ato na frente da escola José Augusto de Azevedo Antunes, uma das duas escolas que estão previstas de fechar pelo governo Alckmin em Santo André. Com a força dos estudantes e professores, o movimento votou seguir as mobilizações e preparar um plano especial para as escolas que podem fechar.

quarta-feira 11 de novembro de 2015| Edição do dia

Desde que o governo Alckmin anunciou seu projeto de "reorganizar as escolas" um verdadeiro levante secundarista tomou o Estado de São Paulo, com atos, ocupações de Diretoras de Ensino e muita disposição de luta. Das ruas as redes sociais e mídias tradicionais e independentes, os estudantes conquistaram a opinião pública e a força da comunidade de país, professores e alunos impuseram sua voz. Frente a está situação, o projeto previsto foi reduzido com diversas manobras demonstrando que este ataque será de longa duração, uma verdadeira reestruturação do ensino público que começa pelo fechamento de cerca de 94 escolas, períodos noturnos impedindo os jovens trabalhadores de seguir seus estudos e remanejamento de diversas turmas, para além do já conhecida super lotação das salas, falta de professores e materiais.

A luta em defesa da educação diferente do que quer a direção majoritária do nosso sindicato da APEOESP assim como as entidades estudantis governistas como a UMES (PCdoB) e a UBES (PPL) é também contra o governo Dilma e o PT que vem aplicando os ajustes econômicos, assim como cortou mais de 12 milhões da educação, o que chamava de "Pátria Educadora". A crise econômica e a decisão de que sejam os trabalhadores e seus filhos que arquem com ela permite que Alckmin e o PSDB justifiquem tamanho ataque, que todos sabemos ser um projeto antigo deste partido para os serviços públicos.

O que os jovens que lutam ao lado de seus professores sabem é que todos os governos estão contra o seu direito ao futuro. Não a toa, denunciam a relação entre o fechamento das escolas com a construção de mais presídios, a redução da maioridade penal assim como o alto índice de desemprego e o aumento exorbitante da procura pelo ENEM e outros vestibulares enquanto as vagas nas universidades públicas seguem escassas e as bolsas e financiamentos como FIES e PROUNI uma grande incerteza.

Impedir o fechamento do Antunes é possível! Fernão Dias resiste

Enquanto escrevemos este artigo, Fernão Dias, uma das escolas do Estado de São Paulo que está ameaçada por Alckmin de fechar está ocupada por alunos, pais e setores de movimentos sociais. Como uma medida de forças, os estudantes tomaram as escolas dizendo que podem decidir seu futuro e vai ter educação para os filhos dos trabalhadores sim. A tropa de Choque não tardou para obedecer ao governador e ameaçar os estudantes após terem fechado a água e ameaçado desligar a energia. Essa resistência é um exemplo das forças que precisamos ter para enfrentar os ajustes do governo Dilma e os projetos dos governos estaduais que querem fazer com que paguemos pela crise e na educação significa demissões de professores, merendeiras e fechamento das turmas.

O último ato em Santo André contra a reorganizou começou com a repressão policial de Carlos Grana (PT) que revistou alunos no começo do ato e terminou em frente ao E.E. José Augusto de Azevedo Antunes deixando uma importante conclusão para o conjunto do movimento: se nos organizamos e coordenamos nossas forças, somos mais fortes que Alckmin e sua polícia. Agora é preciso votar um plano sério de combate que reúna a força desse movimento, mais a organização do sindicato, que vem sendo muito importante, diretamente com os professores desta escola, construindo desde dentro e desde fora as vias para impedir seu fechamento. Se impedirmos que fechem o Antunes que completou 101 anos recentemente, daremos um grande exemplos que podemos barrar o conjunto dos ataques de Alckmin.

A necessidade de um pólo antigovernista para vencer

Para dar novos passos na luta, é imprescindível que as correntes de esquerda da região dêem um passo a frente na solidariedade e na sua própria atuação. Os coletivos de Juventude como RUA, a UJR, Primavera Socialista e a CSP-Conlutas ABC, que construiu um grande ato no dia 18 de Setembro por uma saída independente, podem fazer a diferença se vierem construir um polo antigovernista e antiburocratico para enfrentar este ataque. Entendendo esta luta como um primeiro passo para lutar seriamente contra os ajustes, já confirmando um pólo a partir das estruturas onde atuam, para fortalecer e massificar essa mobilização.

Jenifer Tristan, estudante inadimplente da Fundação Santo André e da Executiva Nacional da ANEL declarou que: "Desde os primeiros atos, nós da Juventude Às Ruas que construímos a ANEL estivemos presentes defendendo a unidade dos estudantes universitários com os secundaristas e professores porque entendemos que é um ataque a toda educação. No meu curso de geografia, ninguém mais sabe se conseguiria pegar aulas até se formar, o que já significa que muitos tenham que desistir do curso pelas mensalidades altíssimas e que todo ano querem aumentar. Construímos uma entidade antigovernista, porque é muito claro hoje que o PT de Dilma não é diferente do PSDB de Alckmin ou do PMDB de Cunha que atacam a juventude. Cada um a sua maneira, dão os braços para descarregar a crise nas nossas costas. O nosso recado é que não pagaremos pela crise.




Comentários

Comentar