Economia

GOVERNO BOLSONARO

Ibovespa se regojiza com Bolsonaro e atinge 93 mil pontos pela primeira vez na história

Pela primeira vez na história, o Ibovespa superou os 93 mil pontos, depois de mais um dia de resultados recordes desde o início do mandato presidencial de Jair Bolsonaro: prova do anseio febril, virulento dos capitalistas nacionais e estrangeiros pela aprovação da reforma da previdência.

quinta-feira 10 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Crédito ou Débito/ AFRICA ON THE RISE

Hoje (9) a Bovespa teve crescimento de mais de 1%, em comparação aos 0,36%, a 92.031,86 pontos, quando do fechamento de ontem (8). Além de toda a política interna do novo governo para descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores e entregar nossas riquezas nacionais à espoliação imperialista, os analistas burgueses também atribuem o resultado às negociações entre Washington e Pequim, concluídas nessa manhã.

Citando operadores, o Valor Econômico afirma que o estado de humor do capital financeiro mundial é “cautelosamente otimista”. As bolsas asiáticas fecharam em alta, seguindo o movimento dos pregões europeus e estadunidenses e as expectativas de uma de-escalação temporária de uma guerra comercial tendencialmente inevitável entre as duas maiores economias do planeta. Tendo recuado a R$ 3,67 na mínima do dia, o dólar fechou a R$ 3,68, o menor valor desde outubro-novembro do ano passado, quando a cotação ultrapassou os R$ 3,70. Mas, em que pese a conjuntura internacional relativamente favorável, não é coincidência que o resultado histórico da Bovespa tenha sido atingido um dia após o super-ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenozni, terem declarado que a reforma da previdência substituirá o regime atual pela capitalização.

Como já dissemos aqui, “Hoje o nosso modelo de previdência é de repartição, ou seja, os trabalhadores que contribuem atualmente pagam pela previdência dos aposentados. No modelo de capitalização cada trabalhador juntaria o seu próprio fundo, e este seria gerido por bancos, ou administradoras de fundos de pensão, que aplicam o dinheiro no mercado financeiro, abrindo assim mais um mercado de atuação dos bancos pela via do estado.” No Chile, 90% dos trabalhadores aposentam-se recebendo 60% do salário mínimo, graças a capitalização da previdência chilena, da qual se beneficiou notoriamente o BTG Pactual, co-fundado por Paulo Guedes. Ainda na noite de ontem, os dois ministros bolsonaristas disseram também que encaminharão sua proposta ao Congresso até a segunda semana de fevereiro. A euforia dos capitalistas em relação a essa declaração foi observada pelo economista-chefe do Guide Investimentos, Victor Candido, que se referiu à capitalização como “o grande destaque” ao ser entrevistado pelo Valor.

Também não é coincidência que se encontrem entre os principais responsáveis pelo resultado inédito do pregão de hoje empresas como Petrobras, Vale e Gerdau, cujas ações valorizaram cerca de 2%, além de Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com alta de 1,33%, e Usiminas, com mais de 4%; quatro das quais já foram estatais. O fato de que o desempenho dessas empresas depende consideravelmente da economia chinesa é simplesmente uma prova de que o controle sobre o fornecimento de matérias primas, energia e insumos minerais tem importância estratégica para a concorrência entre os países imperialistas. Por outro lado, essa máxima histórica do Ibovespa beneficiou-se da valorização das ações de concessionárias como a CCR, que teve alta de 5,72%, graças a mudança do modelo de concessão de rodovias estudada pelo governo Bolsonaro, que permitirá a cobrança de pedágios mais caros.




Tópicos relacionados

Governo Bolsonaro   /    Bancos   /    Que os capitalistas paguem pela crise!   /    Bolsonaro   /    Monopólios Capitalistas   /    Economia

Comentários

Comentar