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Hospital da UFRJ suspende internações e cirurgias eletivas por corte de verbas

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), interrompeu novas internações e cirurgias eletivas (aquelas em que se consegue escolher a melhor data para se realizar o procedimento cirúrgico) e não emergenciais por conta do déficit de R$ 11 milhões no repasse financeiro do Fundo Nacional de Saúde para os serviços prestados pela unidade ao Sistema Único de Saúde (SUS).

quarta-feira 2 de dezembro de 2015| Edição do dia

De acordo com nota oficial do hospital, a demora no repasse de recursos financeiros em outubro e novembro provocou atrasos no pagamento de fornecedores e a interrupção do abastecimento da unidade, que ficou sem caixa para adquirir medicamentos, material cirúrgico e outros insumos básicos necessários para a manutenção das "atividades em funcionamento pleno".

Na nota, o hospital da UFRJ informa que os pacientes até então internados seguem com tratamento normalizado até o momento. "A instituição reafirma o seu compromisso com o atendimento de excelência à população e informa que as atividades serão restabelecidas assim que os recursos forem repassados", diz o documento.

O Ministério da Saúde respondeu, em nota, que os pagamentos efetuados para a UFRJ estão regulares. "Neste ano, já foram repassados pelo Ministério da Saúde R$ 90,3 milhões para a instituição. Cabe destacar ainda que o recurso é enviado diretamente à universidade, sendo o gestor local o responsável por pactuar o valor a ser recebido pela unidade", diz a nota.

Segundo ministério, do total de recursos encaminhados, mais de R$ 70 milhões são referentes ao custeio dos serviços de média e alta complexidades, para atendimento aos serviços de transplante de órgãos, tecidos e células e cirurgias do aparelho circulatório, entre outros procedimentos.

O dito e o não dito

O quanto o governo federal diz que passa, ou deixa de passar, ou quanto o Hospital necessita para seguir com suas funções todas em andamento, será muito difícil de saber por ora. O que se sabe é que declarado por este mesmo governo é um corte de R$ 11 bilhões para a educação federal, e que o Brasil precisará "apertar os cintos" para poder dar seguimento ao seus planos de ajustes, e quem irá arcar com este prejuízo e com a crise não gerada por eles serão os trabalhadores e a juventude.

Como já viemos denunciando no Esquerda Diário, com os cortes anunciados pelo governo federal, está previsto o repasse de 33 milhões para a universidade “se virar” até o final do semestre, uma quantia muito aquém do que está sendo pedido em caráter emergencial, e quase 10% do valor total das dívidas da um universidade.

O governo Dilma há muito tempo vem dando inúmeras amostras de que não se importa para a “qualidade amplamente reconhecida” da UFRJ, e mostrou isso com o corte monstruoso no início do ano, que só foi aumentando em 2015. Foram afetados os trabalhadores, tanto terceirizados quando efetivos, a assistência estudantil, até as bolsas de pesquisa, com cortes no PIBID, atrasos frequentes na CNPQ e redução das bolsas de pós-graduação.




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