RACISMO ESTRUTURAL

Homens negros são a maioria dos casos de óbitos por COVID-19 em Minas Gerais

A sociedade mineira de infectologia divulgou em seu boletim epidemiológico que 75% das mortes por COVID-19 no estado são atribuídas a homens, sendo a maior parte dominante dos casos, homens negros entre 60 e 65 anos devido as condições sanitárias e de acesso a saúde pública atribuídas a essa camada da população pelo racismo estrutural.

quinta-feira 9 de julho| Edição do dia

Há quatro meses desde o início da pandemia, o instituto de infectologia de Minas Gerais divulgou dados sobre as vítimas letais do COVID-19 no estado e um dos mais alarmantes é que as vítimas fatais são homens, majoritariamente negros, principalmente os mais velhos entre os 60 e 65, que acabam tendo que lidar com as difíceis condições impostas pelo sucateamento da saúde e dos serviços públicos.

Um dado como este, invés de ser surpreendente não é nada menos que o esperado quando estamos falando de um estado genocida em que tem a segunda maior população carcerária do mundo, composta de maioria negra, sendo homens em maior número, e também o estado que a cada dez pessoas que são mortas nas mãos da polícia nove são negras, sendo majoritariamente homens negros jovens.

Para além disso soma-se que no Brasil a expectativa de vida dos homens negros seja de 60 anos, o que por si só pode ser um dado superestimado pois, além da violência policial do estado que assola principalmente os homens negros os exterminando, estes são os que estão nos postos de trabalhos mais precários e insalubres e sem garantias trabalhistas. Sendo que no meio da pandemia, crescem esses trabalhos precários ainda sim tidos como "essenciais", tais como os trabalhos de entrega precarizados como Uber Eats, Ifood e Rappi que se utilizam de mão de obra negra para lucrarem muito em meio ao surto.

O presidente da sociedade mineira de infectologia, Estevão Urbano, afirma que um dos grandes responsáveis pelo crescimento dos óbitos devido a circulação do vírus são os jovens, pois, segundo ele, esses saem pra rua e quando voltam para suas casas acabam fazendo o vírus circular mais assim infectando os idosos.

Uma fala bastante desconectada do contexto de que esses jovens são obrigados a trabalharem em meio a esse contexto em empregos que os expõem de forma brutal a contaminação, e que de fato após jornadas de até 12 horas em cima de uma bicicleta para garantir pagamentos miseráveis, retornam às suas casas consequentemente contaminando seus pais e avós.

Enquanto o estado comandado por Bolsonaro, ou localmente por Romeu Zema, não garante o mínimo de assistência a essas famílias os deixando-os a deriva ao mesmo tempo em que libera bilhões aos banqueiros para "salvar a economia" e para a população um auxílio de 600 reais sequer alcança maior parte da população pobre, ainda tendo milhões de pessoas na fila de espera para receber a primeira parcela.

A morte sistemática de pessoas negras pelo COVID-19 não é uma escolha da natureza ou, nesse caso, do vírus.

No Brasil e no mundo as pessoas com mais chances de sobreviverem são pessoas brancas e com renda elevada entre os trabalhadores, com acesso a saúde e condições sanitárias mais dignas. Para além do extermínio policial que mata nossos homens e meninos negros, como foi o caso de George Floyd nos EUA, e João Pedro no RJ, o estado Brasileiro lucra muito administrando os negócios dos grandes empresários aplicando ataques aos direitos trabalhistas e "flexibilizando" as jornadas de trabalho e reduzindo direitos, colocando nossa juventude a um caminho sem perspectiva até mesmo de se aposentar, já que vivenciamos as consequências da reforma trabalhista, que foi um dos principais ataques articulados no governo PT e aplicado no governo Bolsonaro para descarregar a crise em cima dos nossos corpos.

A única forma de salvarmos nossos homens, mulheres e crianças de mais esse extermínio do qual o estado é responsável, é termos um sistema de saúde sob controle dos trabalhadores focado em tratamentos e políticas de prevenção efetivas ao mesmo tempo em que a rede privada é estatizada tendo seus leitos colocados a disposição dos tratamentos de COVID-19. É necessário que as grandes fábricas estejam a serviço de produzirem respiradores ao invés de coisas que não irão ser consumidas nesse momento com urgência, tal como carros e motos. Mas isso só é possível com a auto organização dos trabalhadores negros em classe trabalhadora em conjunto com o restante dos trabalhadores assumindo o controle da produção. Somente a luta dos trabalhadores é capaz de conduzir o restante da sociedade a uma saída pra essa crise da qual o estado genocida não irá dar solução a favor do povo pobre.




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