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ENTREGADOR É MORTO NO ES

Homem avança sinal no ES, mata entregador e é liberado pela polícia por ter ajudado

Homem que atropelou entregador em alta velocidade foi absurdamente liberado pela polícia por ter prestado ajuda a vítima, mesmo estando com carro irregular. O crime aconteceu na noite do dia 12/09. No dia de hoje, 14/09, entregadores realizaram forte manifestação em Vitória exigindo justiça.

segunda-feira 14 de setembro| Edição do dia

Imagem: Gazeta ES

Mesmo tendo admitido que ultrapassou o sinal vermelho, e dando a justificativa de não ter conseguido frear o carro, atingiu o entregador de app, que foi arremessado para o outro lado da pista e morreu no local. No dia de hoje, 14/09, entregadores realizaram forte manifestação em Vitória exigindo justiça.

O irmão da vítima, Warley Vieira da Costa disse que testemunhas que estavam no local indicaram que o veículo estava em alta velocidade. Ele ficou indignado com a situação:

- "Existem câmeras de monitoramento em cima do acidente. É só puxar a imagem. Queremos a imagem, queremos as provas. Não quero que meu irmão seja só mais um número", disse Warley.

O vídeo do acidente confirma:

O motorista que colidiu na traseira de uma motocicleta que estava parada em um semáforo, na avenida Fernando Ferrari, em Goiabeiras, Vitória, na noite do último sábado (12), foi ouvido pela polícia e liberado. O entregador Renato Vieira da Costa, de 31 anos foi arremessado para o outro lado da pista, bateu em um muro, cerca de 10 metros de onde ocorreu a batida. Ele não resistiu e morreu no local.

O motorista do carro admitiu para polícia que ultrapassou o sinal vermelho, e mesmo assim foi liberado. Em uma nota escandalosa, a Polícia Civil informou que ele foi encaminhado para a delegacia e liberado, "conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro, uma vez que ele permaneceu no local do acidente e prestou socorro à vítima".

O motorista deu negativo para ingestão de álcool no teste do bafômetro. O carro estava irregular, mas não foi recolhido, com a justificativa que não havia guinchos credenciados disponíveis. Mesmo apresentando um perigo para a sociedade, o indivíduo foi para casa normalmente. Entregadores tomaram as ruas por justiça:

Imagem: Reprodução Twitter/ Entregadores tomaram a Ponte da passagem (Ponte Carlos Lindenberg), na Av. Fernando Ferrari, em Vitória

Na sua imensa maioria os entregadores fazem jornadas esgotantes e ganham um salário de miséria, enquanto as empresas lucram bilhões. Trata-se de um trabalho extremamente precarizado, em grande parte feito por negros e negras, que no Brasil sempre estão nos piores postos de trabalho. Depois do aumento do desemprego e da demanda por conta do isolamento social em meio a pandemia esse tipo de trabalho precarizado deu um salto imenso na quantidade cada vez maior de trabalhadores que são obrigados a trabalhar sem os mais mínimos direitos trabalhistas e assumindo todos os custos de seus equipamentos de trabalho como as mochilas de entrega, manutenção das motos, bicicletas, celulares, maquininhas, capas de chuva, álcool gel, mascaras etc com jornadas de até 14 horas diárias.

É nessa perspectiva que apoiamos a luta dos entregadores por todas as suas reivindicações mais elementares, mas entendendo que todas as lutas devem avançar para questionar o conjunto dos lucros capitalistas e do governo Bolsonaro, e as instituições capitalistas que são os responsáveis tanto pelas dezenas de milhares de mortes pela pandemia quanto pelo avanço do desemprego, da precarização do trabalho e das privações sofridas pelo povo trabalhador.

Somente desenvolvendo a mobilização da classe trabalhadora com seus métodos de luta como as greves e paralisações, poderemos dar uma resposta contra os ataques em cada categoria e nacionalmente, avançando numa luta que possa barrar todos os ataques enormes em curso e construir uma saída dos trabalhadores e do povo pobre e negro para essa crise. Somente a classe trabalhadora aliada ao povo negro podem fazer valer o lema “Vidas Negras Importam” em toda sua dimensão, pois não podemos mais aceitar que os negros percam suas vidas pelas balas da polícia, pelo covid 19 ou pelo trabalho precário.

Informações: A Gazeta




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