Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Hoje é dia de Maria Eduarda

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

sábado 1º de abril| Edição do dia

Hoje é dia de Maria Eduarda. A menina de 13 anos será sepultada na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Não foi uma bala perdida, foi uma bala que saiu das armas dessa polícia racista e assassina. Mas não foi uma só, foram várias. Com cinismo e arrogância tão característicos da polícia brasileira, o porta-voz da PM disse que o assassinato de Maria Eduarda é um “efeito colateral” da ação da PM.

Em uma carta emocionante, a professora de Maria Eduarda nos contou um pouco sobre essa jovem extraordinária. E o que são as jovens negras e negros deste país, se não extraordinários? Por lutarem dia após dia contra todas as dificuldades impostas por essa realidade tão asquerosa e opressiva que é o capitalismo no Brasil; por insistirem em seu direito de estudar quando a burguesia os quer sem educação, para serem mão-de-obra cada vez mais barata (quem, se não os jovens secundaristas, em sua maioria negras e negros, lutou com tanta força e nos ensinou tanto ano passado?). São extraordinários porque insistem em se manter de pé quando a polícia os quer no chão.

As balas que assassinaram Maria Eduarda são uma mensagem que a burguesia, através da PM, manda sistematicamente para a juventude. Para que a juventude negra direcione seus olhos ao chão, somente ao chão. Maria Eduarda queria um futuro melhor para si e para sua família, enchia a todos de orgulho. Quem pode negar que as balas foram contra o sorriso lindo dessa menina? Todos os que lutam contra essa sociedade de exploração e opressão devem carregar Maria Eduarda no peito. Com ela levamos conosco a juventude negra que quer o direito a seu futuro.

Não há como defender o indefensável, não há como defender a polícia. Não há! Abaixo a polícia racista e assassina! Por uma investigação independente de seu assassinato, formado por uma comissão da Escola Municipal Daniel Piza, pelo sindicato de professores, organismo da classe trabalhadora, entidades de direitos humanos e sob supervisão dos familiares! Maria Eduarda, PRESENTE! AS VIDAS NEGRAS IMPORTAM!




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