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ELEIÇÕES ESTADOS UNIDOS

Hillary Clinton nomeada por aclamação como candidata à presidência

O segundo dia da convenção democrata terminou com o chamado de Bernie Sanders a suspender a contagem de votos e nomear, por aclamação, a Hillary Clinton como candidata à presidência.

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

quarta-feira 27 de julho de 2016| Edição do dia

A convenção democrata deixou para trás um dia marcado pelo escândalo do vazamento de e-mails e da renúncia da presidente do partido Debbie Wasserman Schultz. No discurso de encerramento, Sanders lembrou a campanha histórica que seus apoiadores levaram a frente, mas chamou àqueles que haviam apoiado sua “revolução política” a votarem em Clinton.

Unir o partido por trás de Clinton

O segundo dia da convenção esteve marcado pela busca de unidade do partido. Destacou-se pelos discursos das mães dos adolescentes negros assassinados Trayvon Martin e Michael Brown e trabalharam todas as conferências do partido.

Na parte da tarde, foi realizada a tradicional “votação nominal”, uma revisão de votos em que cada estado anuncia em quem seus delegados votarão. Os dois candidatos plausíveis para nomeação foram Hillary Clinton e Bernie Sanders, já que o último, ainda que já tenha anunciado que apoiará Clinton, não retirou sua candidatura antes da Filadélfia.

O clima esquentou quando a hora da votação se aproximou. Estritamente falando, nada iria mudar o resultado das primárias mas depois de várias negociações entre as duas campanhas, decidiu-se realizar a contagem até o fim. Quando terminaram todos os estados, o próprio Bernie Sanders fez o chamado de suspender a votação e nomear a Hillary Clinton por aclamação.


Bernie Sanders faz o chamado a nomeação de Clinton por aclamação

O chamado do senador a apoiar a quem havia sido designada durante as primárias como a “candidata do establishment”, serviu para canalizar o descontentamento e a decepção dos seguidores de Bernie Sanders. E dessa forma, os protestos e momentos de maior tensão foram evitados.

Vários seguidores de Bernie Sanders denunciaram ter sido silenciados na convenção. Um por um, os estados foram anunciando seus votos, e em muitos casos os apoiadores de Bernie Sanders aproveitaram a oportunidade para destacar a campanha do senador e as ideias que ele defendeu. Mas, sobretudo, ele representava a possibilidade dos delegados clintonistas de “agradecer” e reconhecer a contribuição de Bernie Sanders ao partido, ao permitir uma campanha “eletrizante” e com discussões. A verdade é que a decisão de Sanders de se apresentar nas primárias democratas permitiu a canalização do descontentamento com a elite política dentro do partido.

Dessa forma, e depois de uma longa carreira com mais tropeços do que gostaria, Hillary Clinton finalmente conseguiu sua coroa e é candidata. A ex-secretária de Estado se tornou, na terça-feira, dia 26, a primeira mulher, candidata de um dos partidos majoritários, a concorrer à presidência dos Estados Unidos.

Bernie Sanders deixa a convenção com um peso político considerável dentro do partido democrata, como se viu durante a “chamada de votação nominal”. A isso se soma o fato de que, com sua candidatura, Sanders permitiu a entrada de amplos setores de ativistas, que estão muito longes dos políticos de carreira do partido. Isso foi visto nos cáucus de vários estados e voltou a ser visto na convenção democrata com os protestos e as zombarias dos que chegaram a Filadélfia com expectativas de seguir lutando por Bernie, ainda que ele já havia renunciado.

A diferença com seus seguidores parece ser cada vez maior, incluindo quando parte deles votem por Clinton como “mal menor” diante do medo que desperta a possibilidade de uma vitória de Donald Trump. Outros já anunciaram que votarão por Jill Stein, candidata pelo Partido Verde, em rechaço a Trump e à Clinton. O que é certo é que o fenômeno que moveu a campanha de Sanders não vai acabar com o fim da convenção.




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