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VIOLÊNCIA

“Habibs assassino”, gritam manifestantes e familiares de João Victor de 13 anos

Ato realizado nesta quinta, 2, em frente ao Habibs na Vila Nova Cachoeirinha reuniu centenas de pessoas é marcado por gritos de justiça e pela indignação de familiares e moradores da comunidade.

sexta-feira 3 de março| Edição do dia

O ato que teve início às 19h em frente ao Habib’s na Vila Nova Cachoeirinha reuniu centenas de manifestantes, entre eles familiares de João Victor e moradores da comunidade, em resposta ao assassinato do adolescente e ao descaso com o caso. A manifestação fechou uma importante via de acesso ao terminal Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo.

Os gritos de “Habib’s assassino, matou o João Victor” se somava a “Queremos justiça, o estado mata preto todo dia”, isso porque após a repercussão do morte e a comoção pública em volta do caso começam a emergir uma série de negligências que dificultam o andamento do processo de investigação e punição dos responsáveis.

Em depoimento, o pai do garoto, Marcelo Fernandes de Carvalho, 42 anos, afirmou que João Victor vinha sofrendo ameaça por parte do segurança e do gerente do local, pois frequentemente ficava em frente ao restaurante pedindo dinheiro as pessoas que passavam. Além disto, informou que sua vizinha Silvia Helena Croti, de 59 anos, que trabalha como catadora de materiais recicláveis, foi testemunha ocular do episódio e foi completamente ignorada pelos policiais por “ser noia”.

Em entrevista a CartaCapital, o coordenador Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente do Condepe, Ariel de Castro Alves, disse que “se os PMs tivessem levado a testemunha para a delegacia no dia e ela fizesse o reconhecimento, os agressores poderiam ter sido presos em flagrante”.

Durante o ato outras testemunhas também disseram a equipe do Esquerda Diário não serem ouvidas pelos policiais militares que atenderam ao chamado mesmo se colocando à disposição para testemunhar.

Mãe de João Vitor denunciou a cumplicidade da polícia e do Estado frente ao assassinato do filho.

A cumplicidade do Estado que se camufla de negligência aparece logo no registro da ocorrência. Segundo Alves que acompanha o andamento da investigação, os fatos aconteceram no domingo a noite, por volta das 19h e o registro foi realizado apenas na manhã de segunda-feira. Tempo suficiente para o Habib’s sumir ou editar as imagens das câmeras de segurança.

Em nota o Habib’s afirmou que apura a “lamentável ocorrência” e informou que a polícia foi acionada pois o jovem estava “incontrolável” e ameaçava o patrimônio físico da loja e dos clientes.




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