Sociedade

CAPITALIZAÇÃO

Guedes e Bolsonaro querem que você, sozinho, seja responsável pela sua aposentadoria

Inspirados no terrível modelo de previdência privatista e capitalização implementado no Chile, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem isentar o Estado da responsabilidade de prover uma existência digna aos que trabalharam e contribuíram a vida inteira para seguir garantindo a famosa “bolsa banqueiro” e o pagamento da dívida pública.

quinta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

É mentira de Paulo Guedes que o modelo de capitalização que quer adotar para o sistema previdenciário no Brasil é melhor para os trabalhadores. Para chantagear, Guedes diz que hoje os aposentados são sustentados pelos trabalhadores ativos, e por isso um regime de capitalização fará com que cada trabalhador receba, quando (e se) aposentado, o que ele mesmo garantiu durante sua vida de trabalho.

É uma espécie de poupança individual gerida por órgãos públicos ou privados (claramente com o objetivo de rumar para completa privatização da previdência) supostamente “à escolha do trabalhador”, o que é bastante parecido com um sistema de previdência privado presente no Chile, ou um “cofre” onde se deposita parte do seu salário, e sua futura aposentadoria dependerá do quanto você depositou durante a vida, não interessando se o trabalhador passou por desemprego, baixa de salários, problemas de saúde que impossibilitem que trabalhe, acidentes, etc. No fim da vida só se aposenta quem sobreviver aos anos de trabalho precário e quem tiver uma poupança que permita, caso contrário, continuará trabalhando.

Bolsonaro, o principal admirador de Guedes, se interessa muito por esse modelo, pois com ele consegue seguir pagando a dívida pública (que nem é uma dívida, e sim um roubo, e nem é pública, porque os trabalhadores que a pagam com seus impostos, trabalho e serviços não fizeram dívida alguma com os imperialistas). Além disso, é ótimo para suas relações amistosas com os capitalistas, nacionais e internacionais, que cada trabalhador coloque nas mãos da iniciativa privada sua poupança, pois com esse dinheiro sob seu controle podem investir no mercado financeiro e lucrar com especulações. Afinal, a cara desse governo é a cara da subordinação do país aos magnatas do mundo, e Bolsonaro, querido de Trump, tem feito jus a essa marca com sua proposta de reforma de previdência.

Mas o país em que Guedes se inspira, o Chile, que chama de “Suíça da América Latina”, tem altos índices de suicídio dentre os idosos, por falta de previdência pública. Privada desde os anos de1980 pela ditadura de Pinochet, a previdência no Chile mostra o que os planos de Bolsonaro e Guedes reservam para os trabalhadores brasileiros: a mais profunda miséria e degradação, levando inclusive suicídios generalizados aos idosos, frutos da barbárie de um capitalismo em decadência.

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É preciso lutar contra a reforma da previdência de Bolsonaro e Guedes como tem lutado as professoras do município de São Paulo contra essa reforma de Covas e Doria a nível municipal. As centrais sindicais devem, imediatamente, cercar os municipários de SP de solidariedade, organizando lutas e greves em todas as categorias que dirigem. Chega de trégua da CUT e da CTB com Bolsonaro, apenas a organização em cada local de trabalho pode impedir que os governos e os capitalistas tirem a aposentadoria dos trabalhadores!

Nós do Esquerda Diário e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores faremos parte de todas as medidas unificadas contra a reforma draconiana deste governo (ainda pior que a que Temer tentou aprovar) que querem implementar os capitalistas, apresentando nessa frente única dos trabalhadores nossa perspectiva também de batalhar por uma saída para que os capitalistas paguem pela crise, junto ao rechaço urgente à reforma da previdência e às demais retiradas de direitos econômicos, políticos e sociais, defender o fim do pagamento da chamada “dívida pública” junto com a estatização dos bancos e o monopólio estatal da exportação e importação de bens e capitais, funcionando sob controle dos trabalhadores.




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