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BOLSONARO SANGUINÁRIO

"Grupos de extermínio tem meu apoio", disse Bolsonaro em 2003, em troca da pena de morte

segunda-feira 25 de junho| Edição do dia

O histórico de pérolas, melhor dizer excrescências, ditas por Bolsonaro é incontável. Ainda assim, o absurdo de algumas das declarações já concedidas pelo atual pré-candidato a presidência, é de enojar os estômagos mais preparados.

No ano de 2003, em discurso proferido na Câmara dos Deputados, o então deputado federal afirmou que: "Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio,no meu entender, são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio, porque no Rio de Janeiro só as pessoas inocentes são dizimadas. Na Bahia, as informações que tenho - lógico que são grupos ilegais, mas meus parabéns- [são a de que] a marginalidade tem decrescido".

Se o mínimo de bom senso já não fosse o suficiente para refutar a defesa sanguinária pelo deputado da ação das miícias, a própria realidade tratou de um mês depois rebater seu reacionarismo, pois um crime atribuído aos esquadrões da morte da Bahia ganhou repercussão internacional.

Em setembro de 2003, o mecânico Gérson Jesus Bispo foi assassinado dias depois de prestar depoimento à relatora da ONU (Organização das Nações Undias) para execuções sumárias, Asma Jahangir. Ele acusava PMs de torturar e assassinar seu irmão e um amigo.

É impossível não estabelecer o paralelo -ainda mais recém completados 100 dias da sua morte que permanece sem explicações - com o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, morta dias após também denunciar a violência policial nas comunidades.

Justamente, é este o tipo de ação que as declarações reacionárias de Bolsonaro legitimam. Calcados no pressuposto de "bandido bom é bandido morto" esses grupos de extermínio tem como alvo as populações pretas e pobres, que não basta já sofrerem com a violência policial, ainda tornam-se vítimas desses grupos paramilitares.

A fala do deputado ainda expõe sua ignorância quanto ao seu próprio estado de origem. Pedindo o envio dos grupos de extermínio para o Rio, o ex-parlamentar faz parecer que não é notória a ação desses grupos no estado carioca, tendo em suas atuações evoluindo na constituição de mílicias, que para além da violência controlam e cobram por uma infinidade de serviços dentro das comunidades.

A ignorância de Bolsonaro, que também é notória, segundo afirmava o próprio se restringia a assuntos que não eram de sua especialidade: economia, saúde, educação. Porém, até mesmo nos assuntos que se julga autoridade, segurança pública, defende absurdos calcados no seu reacionarismo sanguinário às populações pretas e pobres. Sua fala mais uma vez demonstra como o Estado e essa corja de políticos que o parasita, muitas vezes em aliança com grupos de extermínio e milícias, tem sim responsabilidade pelo assassinato de Marielle, Anderson e outra infinidade de execuções.




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