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GREVE NA FRANÇA

Greves dos ferroviários paralisam a França e enfrentam governo de Macron

terça-feira 3 de abril| Edição do dia

Nesta quarta, 3, os trabalhadores dos trens franceses da Companhia Nacional de Caminhos de Ferro Franceses (SNCF é a sigla em francês) iniciaram sua greve contra a reforma do “Estatuto do Ferroviário” de Emmanuel Macron. Essa reforma promete atacar a previdência e direitos dos trabalhadores das linhas férreas francesas e também visa impor demissões e a privatização desse serviço que atualmente é estatal e exclusivo com relação ao transporte público no país. A resposta dos trabalhadores ferroviários inicia a primeira onda de greves contra o governo de Macron com um calendário de ações que envolve também greves dos trabalhadores do setor de energia elétrica e gás.

Os ferroviários franceses iniciaram um movimento de greve inedito nos últimos 28 anos: Cerca de 80% dos maquinistas da SNCF farão dois dias de greve a cada cinco, durante três meses. O movimento deve paralisar o serviço de transporte que atende em normalidade 30 mil quilômetros de linhas funcionais com 15 mil trens circulando por dia. A greve deve paralisar a circulação de sete a cada oito trens de grande velocidade (TGV, os trens bala) e quatro a cada cinco trens expressos regionais (TER, de irrigação ao interior do país). A força dessa categoria é uma grande ameaça ao governo de Macron que busca com suas reformas atacar profundamente as condições de vida dos trabalhadores em nome de pagar a crise que os capitalistas criaram.

A reforma do Estatuto dos Ferroviários prevê o fim do atual estatuto de aposentadorias, quer destruir a estabilidade no emprego e acabar com benefícios que os trabalhadores e suas famílias recebem por direito. Além disso a reforma garantiria o fim do monopólio da Companhia e a abertura à concorrência internacional, ou seja, permitiria a privatização desse serviço essencial e a sua entrega a companhias privadas que somente estarão preocupadas com o lucro dos grandes empresários. A resposta dos trabalhadores dos trens é uma medida mais que necessária, resgatando o espírito dos jovens que se enfrentaram com a ameaça de reforma trabalhista de Hollande em 2016.

E os ferroviários não estão sozinhos, também trabalhadores dos setores de energia elétrica e gás somaram-se ao calendário organizado pelos sindicatos, em apoio aos ferroviários contra a reforma do Estatuto da SNCF, bem como em favor de uma extensão dos direitos a todos os funcionários públicos da França. Assim como os ferroviários, também estes dois setores de energia são estratégicos, pois, além de prestarem um serviço essencial à população, envolvem também a EDF, companhia que gere as plantas de energia nuclear, responsável por mais de 70% da eletricidade distribuída no país. Também trabalhadores da coleta de lixo e estudantes universitários que lutam contra o vestibular compõem o movimento no setor público, além de trabalhadores do setor privado como a companhia aérea Air France e o gigante supermercadista Carrefour.

Uma resposta contundente dos trabalhadores escancara os mais de 75% da população francesa que considera injusta as políticas do governo e enfrenta os planos de ataques do governo Macron. A classe trabalhadora francesa tem uma grande tradição de luta e sempre foi fator de instabilidade ao controle dos governos. No ano de centenário do Maio Francês de 1968, os trabalhadores e jovens franceses dão um exemplo internacional de que somente com a luta de classes, com os trabalhadores organizados com seus métodos de luta, mostrando que são os maiores responsáveis por toda a produção e reprodução da vida, é possível enfrentar os ataques da crise capitalista numa perspectiva de assumir as rédeas da situação para buscar uma saída de fato a toda exploração e opressão.

No Brasil esse exemplo é endossado pela recente luta dos professores de São Paulo que, com sua greve decidida e unificação com o movimento de repúdio ao assassinato de Marielle Franco, mostrou sua força e derrotou o prefeito Dória que prometia ser um exemplo nacional de ataque às aposentadorias e agora chamam seu sindicato a ir por mais. É tempo de organizar no Brasil e em todos os países, onde os trabalhadores e a população pobre, bem como os imigrantes, sofrem com uma crise capitalista que se propaga contra a vida, um planos de lutas para que a classe trabalhadora enfrente e derrote os capitalistas e seus governos.




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