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Greve na UNIFAP é marcada por golpes

A Universidade Federal do Amapá, fundada em 1992, sempre enfrentou diversos problemas infraestruturais e políticos. Também em função disso, sua história é marcada por muitas resistências, paralisações e atos públicos construídos pelo movimento sindical (docentes e técnicos) e estudantil.

domingo 9 de agosto de 2015| Edição do dia

A Universidade Federal do Amapá, fundada em 1992, sempre enfrentou diversos problemas infraestruturais e políticos. Também em função disso, sua história é marcada por muitas resistências, paralisações e atos públicos construídos pelo movimento sindical (docentes e técnicos) e estudantil.

No momento atual não é diferente, visto que os docentes e técnicos da UNIFAP aderiram à greve nacional do ANDES-SN e da FASUBRA desde o início, em 28 de maio. Esse movimento grevista se mantém forte com o desenvolvimento de uma série de atos e outras atividades unificadas no Comando de Greve e Mobilização de professores, técnicos e estudantes.

Para além da luta pela pauta nacional, o movimento grevista na UNIFAP tem enfrentado uma série de problemas em função de atos autoritários da reitoria. A reitora, Profa. Eliane Superti, que vem do colegiado de Ciências Sociais, tem tomado medidas que contrariam a construção de uma universidade pública e democrática.

A primeira medida que golpeou a classe trabalhadora em luta por uma universidade de qualidade foi a judicialização da greve dos Técnicos, após um cenário marcado por piquetes e trancaços na frente da universidade, com ação contra o Sinstaufap (Sindicato dos técnicos do Amapá). Tal ação, sem qualquer fundamento, foi impetrada para tentar coibir os trabalhadores em sua luta. Após pressão do movimento dos técnicos, docentes e estudantes, com atos e denúncias públicas, a reitoria afirmou que retiraria a ação.

Outra atitude abusiva da reitora foi seu pronunciamento sobre a validação de atividades acadêmicas desenvolvidas com o calendário acadêmico suspenso.

Após forte mobilização dos movimentos sindical e estudantil, por votação democrática, pelo Conselho Superior da Instituição, o calendário acadêmico foi suspenso com data retroativa ao início da greve. Porém, no dia seguinte à votação a própria reitora encaminhou e-mail para professor que é coordenador de curso, indicando que as atividades que fossem realizadas a partir do dia 28 de maio deveriam ser registradas com data posterior, a partir da regularização do calendário.

Ou seja, há uma orientação para que seja fraudado documentos de registro de aulas e ainda descumprimento de norma emanada pelo órgão superior da UNIFAP, o CONSU. Essa orientação ilegal da reitora procura atender aos interesses específicos dos Cursos de Medicina e Direito, os quais têm professores que em sua maioria são contra a greve, pois não possuem como fonte de renda somente o salário que recebem da universidade, o que mostra sua falta de interesse na construção da mesma.

Fato é que a reitoria autorizou de forma arbitrária e ilegal a continuidade de atividades acadêmicas com o calendário acadêmico suspenso.

Considerando que em agosto, caso não houvesse a suspensão do calendário em função da greve, seria iniciado o segundo semestre, a polêmica atual é a retomada das aulas do curso de Medicina. A justificativa dos professores e estudantes do curso, é que a metodologia avaliativa é diferente dos outros cursos, onde todos são sistematizados pelo SIGU. A coordenadora do curso de Medicina respondeu: “mesmo que estivéssemos inclusos no sistema, daríamos um jeito de fazer a rematrícula, pois temos um documento da reitoria que nos permite continuar com as atividades”. Isso evidencia um claro golpe pela parte da reitora a todos os grevistas que lutam para manter e avançar nas pautas com uma perspectiva de melhorias para universidade, que sempre foi tão sucateada e precarizada.

Essa luta nacional tem denunciado e buscado reverter os cortes na educação pública. Localmente o movimento dos estudantes, técnicos e docentes, tem reivindicado da reitoria a abertura das contas da universidade, com a exposição pública do orçamento e seus cortes (especificamente de 50% em capital, e 10% em custeio). Desde o início da greve a reitoria tem fugido desse debate, inclusive desmarcando várias reuniões ampliadas para a exposição dos mesmos.

É necessário fortalecer a luta na Federal do Amapá e em todas as federais do país, portanto, fazemos um chamado à que todas as federais que não estão em greve ainda, passem a aderir esta luta. Para barrar os cortes e os ajustes do governo Dilma e do PT é necessário ampliar nossa mobilização local e nacional. Com o anúncio do novo corte de 8,6 bilhões nas áreas sociais, que prejudicará mais uma vez a educação, essa mobilização se mostra cada vez mais urgente. Nós, a juventude, devemos ser porta-voz e construir a greve em unidade com a classe trabalhadora, denunciando todos os ataques e golpes promovidos pelas reitorias, governos e prefeituras! Não vamos permitir que trabalhadores e estudantes paguem pela crise.




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