Mundo Operário

GREVE DOS RODOVIÁRIOS

Greve dos motoristas de ônibus em Santo André escancara o problema do transporte público

O estopim da greve, que teve inicio nessa terça-feira (22/09), realizada pelos mais de 500 trabalhadores rodoviários, foi a demissão de dois companheiros, sendo um deles membro da Cipa, representante eleito que tem estabilidade no emprego para lutar pelo direito dos trabalhadores.

quarta-feira 23 de setembro de 2015| Edição do dia

A terça-feira (22/09) começou bastante conturbada em Santo André, uma das principais cidades do ABC paulista, o motivo foi a greve deflagrada pelos trabalhadores rodoviários de duas empresas que atentem a região mais populosa da cidade, a região conhecia como Jardim Santo André, uma região de periferia que detém o maior numero demográfico da cidade, e é atendida por duas empresas de ônibus, que fazem o transporte para o centro da cidade, a viação Guarará e viação São José, sendo essa ultima a responsável também pelo transporte até a cidade vizinha de São Caetano do Sul.

Já durante a madrugada os trabalhadores aprovaram em assembleia a paralização total dos mais de cem veículos das duas empresas na garagem localizada na Vila Pires. A motivação da greve era claro, o dono da empresa havia demitido, de forma ilegal, dois trabalhadores no dia anterior, um deles representante eleito pelos trabalhadores para CIPA, e que vinha denunciando as péssimas condições de trabalho, existem relatos impressionantes dos trabalhadores sobre os riscos oferecidos a população durante o transporte, como falta de manutenção e higiene na frota de onibus, além disso a empresa vem cometendo diversas irregularidades trabalhistas, não depositam o FGTS desde fevereiro atrasando pagamentos, além de vários trabalhadores em desvio de função por mais de dois anos (trabalhadores que era cobradores e se tornaram motorista, até hoje ainda não conseguiram a equiparação salarial e a revisão na carteira de trabalho).

A situação se tornou insustentável nessa segunda-feira, quando o patrão, demitiu trabalhadores que se recusavam a dirigir ônibus sem as menores condições de segurança, “Os ônibus estão em péssimo estado, roda caindo, carro sem a tampa de combustível ou com óleo derramando. Sem falar do desvio de função. Há companheiro que trabalha como motorista há sete meses, mas ganha como cobrador”, relatou presidente do Sintetra, Francisco Mendes da Silva, o Chicão. Além das péssimas condições de trabalho, os funcionários estão sendo perseguidos e assediados pela chefia que os obriga a trabalhar com pequeno efetivo de carros para maximizar os lucros em cada viagem. “quem sofre com isso são os passageiros, que são obrigados a pegar o ônibus lotado sempre, principalmente nos horários de pico”, afirmou um dos grevistas que preferiu não se identificar.

Quem é o dono dessa fabrica de dinheiro?

A viação São José opera linhas intermunicipais que ligam Santo André a São Caetano. A Guarará atua somente em Santo André, na região da Vila Luzita. Juntas, as empresas contam com cerca de 100 ônibus e operam cerca de 18 linhas de transporte fundamentais para o deslocamento das regiões mais periféricas da cidade. Com a paralização foram afetadas cerca de 63 mil pessoas, as duas empresas pertencem a uma única família.

A família Passarelli domina o ramo do transporte público há décadas, o império erguido por Sebastião Passarelli começou no ABC em 1960 com a fundação da viação são lucas, que ligava o ABC Paulista às regiões da Vila Industrial e Parque Dom Pedro II, na capital. Hoje domina grande parte do transporte publico na região, sendo proprietário de empresas como: Viação São Lucas, Viação São Victor, Viação São Luis, Viação Humaitá, Viação Campestre, Viação Bartira, E.A.O.S.A.- Empresa Auto- Ônibus Santo André -, Viação Ribeirão Pires, Viação Barão de Mauá, Viação Santa Terezinha, Viação São Camilo, Penha, Viação Tucuruvi, Viação Santa Paula, Viação São José, Expresso Guarará, entre outras. Todos na região que utilizam o transporte publico conhecem essas empresas e o infortúnio que é ser obrigado a utiliza-los diariamente.

O patriarca morreu ano passado deixando a fortuna e todas empresas para seu filho, que atualmente pensa que pode fazer o que quiser, com relação a demissão do trabalhador da CIPA, o atual dono da empresa afirmou “ a empresa é minha, e eu mando embora quem eu quiser”, o mais constrangedor é que milhares de trabalhadores dependem do serviço prestado por essa empresa sucateada pela ganancia desse filhinho de papai. Centenas de trabalhadores que transportam a população com salários miseráveis, por muitos anos, em condições de trabalho insalubres, hoje se deparam com o que parecia impossível, um patrão pior do que já tiveram anteriormente, que acha graça na miséria alheia e pensa que pode fazer oque quiser com os trabalhadores.




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