FRANÇA 19M

Grande jornada de luta na França contra a reforma trabalhista

Apesar dos intentos do governo de dividir o movimento e a repressão policial, milhares de jovens e trabalhadores voltaram a sair às ruas neste 19 de maio. Trata-se da segunda jornada de luta nesta semana, depois da primeira ação que se realizou nesta quinta-feira, dia 17. No meio de greves por tempo indeterminado de distintos sindicatos e uma marcha em protesto à polícia pelo ódio que gerou na população a repressão que levaram adiante.

sábado 21 de maio de 2016| Edição do dia

A briga contra a política do governo de Hollande que quer passar por meio de um decreto a antipopular Lei de Trabalho, gerou repúdio na população. A reforma trabalhista proposta pelo governo é um presente para os empresários que flexibiliza as condições de contratação, facilita as demissões, aumenta as jornadas de trabalho e destróis a negociação coletiva.

Nesta terça-feira mais de 100.000 pessoas se manifestaram durante a tarde em Paris, seguindo a convocatória realizada por sindicatos de trabalhadores e entidades estudantis (CGT, FO, Sud, FSU entre outros).

Na linha de frente da mobilização se encontravam os jovens secundaristas e universitários, os trabalhadores precários e os trabalhadores da educação. Atrás estavam as colunas da CGT, FO e Solidaires.

Grande parte da marcha se realizou de maneira pacífica. E isto se explica porque a polícia tratou de manter-se à margem. No entanto ao chegar à estação Campo Formio o clima voltou a ficar tenso. Os esquadrões de polícia antidistúrbio (CRS) começou a lançar gás lacrimogêneo e a fazer um cerco ao redor dos manifestantes.

A polícia também levou a cabo detenções arbitrárias, puramente para criar um clima de medo.

Um centenário de membros da segurança das centrais sindicais fizeram um cordão para evitar que as colunas de trabalhadores sigam entrando e para separar as colunas sindicais de um grupo de ativistas e jóvens autoorganizados, deixando estes últimos entre a segurança dos sindicatos e os escudos da polícia. Este foi uma tentativa das direções sindicais para evitar que as bases que marchavam em suas colunas se juntassem ao setor de jóvens e trabalhadores mais avançados e aqueles que se enfrentaram com a repressão policial.

Esta ação demosntra que as direções sindicais têm o mesmo temor que o governo. Que os milhares de trabalhadores sindicalizados se unan aos setores de jóvens e trabalhadores que estão à frente da luta contra a reforma trabalhista. Setores que lutam diariamente pela unidade nas ruas de todos os setores em luta e que são conscientes de que é necessário uma greve e um plano de luta até o final para acabar com a reforma trabalhista. Esta unidade seria um coquetel explosivo.

A mobilização também foi importante no interior do país.

Em Marselha uma enorme mobilização de trabalhadores com cerca de 90.000 pessoas segundo os sindicatos, tomou as ruas. As colunas da CGT foram as mais numerosas, atrás das quais marchavam trabalhadores ferroviários, portuários, trabalhadores da saúde e carteiros, entre outros. A polícia de choque manteve uma presença ameaçadora durante toda a mobilização. Os sindicatos bloquearam desde manhã a petroquímica Lavéra na periferia de Martigues. A luta contra a lei de trabalho em Marselha se viu levando adiante com total determinação, mediante greves por tempo indeterminado, manifestações massivas e o bloqueio de pontos estratégicos da economia.

Em Bordeux, uns 10.000 manifestantes saíram às ruas, entre os quais se destacavam as colunas de trabalhadores portuários e ferroviários. Em Toulouse se mobilizaram umas 16.000 pessoas, enquanto em Lyon cerca de 9.000 manifestantes marcharam enfrentando a provocação e repressão da polícia.

Em todo país a jornada de mobilização desta quinta-feira foi maior que a de terça-feira. Tudo demonstra que a luta está longe de terminar e que a briga contra o decreto de Hollande e a repressão policial não conseguiu dividir nem debilitar a energia dos manifestantes senão pelo contrário, parece ter jogado mais lenha na fogueira.




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