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Governo federal não se importa com o fechamento do Arquivo Nacional

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 25 de julho| Edição do dia

Por causa do corte de verbas de 36% no orçamento, o Arquivo Nacional, que é ligado ao Ministério da Justiça (MJ), pode fechar as portas no mês que vem.

A construção centenária que abriga o Arquivo Nacional armazena documentos que contam a história do Brasil desde os tempos coloniais. Como os originais da Lei Áurea, de todas as constituições nacionais, imagens da construção de Brasília e da ditadura militar. O acervo guarda ainda o passaporte do inventor e aeronauta Santos Dumont.

“No primeiro semestre deste ano, foram gastos cerca de R$ 12 milhões, sobrando só R$ 2 milhões, de julho até dezembro. Ou seja, a nossa perspectiva real é a de fechar o Arquivo Nacional, possivelmente, até o fim de agosto”, lamenta Rodrigo Mourelle, presidente da Assan.

Todo dinheiro que resta será usado na manutenção básica, para pagar as contas de água e energia. Exposições futuras foram suspensas, assim como reformas estruturais. Uma delas seria no prédio da Praça da República, no Centro, que reúne quase todo o acervo. Uma inspeção do Corpo de Bombeiros no edifício identificou falhas no sistema de combate a incêndio.

Segundo a Assan, a redução da verba dificulta a manutenção do prédio e compromete a segurança das mais de 20 mil ilustrações, 8 mil livros raros e cerca de 1,7 milhão de fotos e negativos.

O governo golpista de Temer quer não apenas descarregar o custo da crise nas costas dos trabalhadores e jovens, mas destruir marcos históricos como o Arquivo Nacional, com a insubstituível documentação que ficará amontoada em depósitos para apodrecer. Um escândalo que coloca em risco o patrimônio cultural em meio á calamidade pública provocada pelos capitalistas e seus políticos, esses para os quais sempre há dinheiro, e que recebem constantes aumentos salariais astronômicos para manter seus privilégios.




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