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Governo Temer anuncia corte bilionário para início 2018

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, declarou que o governo federal começará 2018 com novos cortes bilionários na despesa. Segundo ele, o principal motivo do corte foi o revés que a equipe econômica de Temer sofreu nos últimos dias ao não conseguir concretizar ajustes que eram dados como certos para este fim de ano.

quarta-feira 20 de dezembro de 2017| Edição do dia

Tais revezes foram: a não aprovação no Congresso da mudança na tributação de fundos exclusivos de investimentos; a decisão do STF que mantém o reajuste salarial dos servidores em 2018 e a mesma alíquota de 11% da Previdência do funcionalismo (o governo queria aumentá-la para 14% e congelar os reajustes); e por fim não aprovação do projeto de lei que acaba com a desoneração da folha de pagamento para alguns setores, que anda a passos lentos na Câmara. De acordo com a equipe econômica de Temer, o Tesouro já havia advertido que seria preciso cortar R$ 21,4 bilhões das despesas não obrigatórias (que incluem os investimentos) em 2018 caso as medidas de ajuste não fossem aprovadas. Ou seja, podemos prever que o “feliz ano novo” de Temer para nós trabalhadores será descarregar ainda mais os prejuízos da crise em nossas costas.

“Alarde” e “Urgência” dos Ajustes: A Operação Ideológica do Governo e da Grande Mídia Para Enganar o Trabalhador.

Enquanto trabalhadores analisemos a conclusão do Estadão sobre a notícia acima: “Sem espaço para cortar despesas, o governo não terá outra solução a não ser que "passar" a faca nos investimentos”. Numa sociedade dividida em classes sociais - como a nossa - as ideias dominantes são sempre as ideias da classe social dominante (banqueiros, empresários etc.) pois esta possui dinheiro e poder para propagar suas ideias e interesses em larga escala para toda população através de jornais, propagandas na tv, intelectuais interessados etc. E ainda mais num país como o Brasil em que 5% dos mais ricos possuem a mesma fatia de renda que os outros 95% e que dentre esses 5% apenas seis pessoas concentram a mesma riqueza que 100 milhões de pessoas(praticamente metade da população do país). E uma vez que esta classe dominante possui o controle não apenas dos meios de produção das coisas, mas também sobre os meios de produção e de distribuição das ideias, realiza nos grandes jornais sempre a mesma operação ideológica: naturalizar os interesses desses 5% de empresários e banqueiros – que resultam em cortes dos direitos e a super-exploração de milhões com as Reformas da Previdência, Trabalhista e cortes na saúde e educação pública- como “o melhor para o Brasil”, “o melhor para todos”, “o mais racional”, “o que exige o mercado”, “urgentes para o país não quebrar” etc.

Voltemos ao Estadão: Em quais investimentos o governo terá que “passar a faca”? “Sem espaço para cortar despesas”? Será que não existe mesmo outra solução?

Em 2017 o que Temer mais fez foi “passar a faca” nos direitos dos trabalhadores através dos ajustes. Em relação à educação realizou um corte de mais de 4,3 bilhões no MEC, causando uma enorme crise em importantes universidades federais que fecharam cursos, cortaram bolsas, demitiram trabalhadores, atrasaram recorrentemente os salários dos terceirizados e que mal conseguiam pagar as contas de água e luz para manter seu funcionamento. Em abril, na mesma semana em que reprimia com força policial a manifestação de mais de 3 mil indígenas do Acampamento Terra Livre e em que havia ocorrido o brutal massacre do povo Gamela por mando de fazendeiros – que chegaram a decepar as mãos de dois indígenas – o governo cortou cerca de 50% dos recursos da Fundação Nacional do Índio FUNAI (R$ 60,7 milhões), justamente no momento em que mais cresce a violência no campo contra as comunidades indígenas.

Do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTI) o corte foi estrondoso: 44% do orçamento cortado e anuncio de mais cortes para 2018, o que levou ganhadores do Prêmio Nobel e 250 pesquisadores da área de Matemática escreverem cartas à Temer repudiando a destruição da ciência no país.

Ao mesmo tempo ainda para beneficiar latifundiários e a bancada ruralista vimos no início do ano o governo realizar um corte de 50% nas verbas para fiscalização e resgate de trabalhadores em condição escrava no Brasil e em setembro cortar 100% das verbas, o que gerou uma greve de fiscais do Ministério do Trabalho em mais 20 estados que denunciavam tal medida como a “legalização” do trabalho escravo no Brasil.

Por outro lado vimos o Temer gastar aproximadamenteR$15 bilhões na compra de parlamentares – considerando as duas votações - para se salvar das acusações de corrupção. Vemos o governo gastar mais bilhões na compra de deputados para a aprovação da Reforma da Previdência. E apenas para finalizar com alguns poucos exemplos, vimos ser aprovada no Congresso a MP795 de Temer que perdoa dividas e isentas petroleiras estrangeiras, de modo que as isenções podem chegar a cerca de R$ 1 TRILHÃO DE REAIS até 2040.

Conclusão

Enquanto trabalhadores não podemos cair na pressão e no alarde da mídia que com hipocrisia coloca um agudo tom de urgência na aprovação de medidas que atacam nossos direitos – como a Reforma da Previdência – enquanto outras possíveis soluções como fazer banqueiros e grandes empresários pagarem seus impostos como nós pagamos (acabando com as isenções criminosas), taxar as grandes fortunas e fazer com que todo político ganhe um salário médio de um trabalhador comum nem são citadas. No momento em que mais de 1,5 milhão de servidores não receberam seu 13º salário no país, em que o governo anuncia a Reforma da Previdência para fevereiro e em que agora anuncia um corte bilionário no orçamento de 2018 para o início do ano, é fundamental que as direções burocráticas das Centrais Sindicais (Força Sindical, CUT, CTB e UGT) parem de dar tréguas ao governo e de negociar por trás a vida dos trabalhadores e organizem um plano concreto de lutas para que organizemos através de assembleias de base nas categorias uma grande greve geral para barrar tantos ataques.




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