Internacional

BOLÍVIA

Golpistas reprimem massiva marcha que entrava em La Paz exigindo renúncia de Áñez e contra o golpe

A coluna de manifestantes que descia de Senkata, em El Alto, e chegava a La Paz nesta quinta-feira, foi brutalmente reprimida com gás lacrimogêneo, que as forças policiais do governo golpista de Jeanine Áñez lançaram contra milhares de pessoas que ingressaram com caixões dos assassinados na terça-feira.

quinta-feira 21 de novembro| Edição do dia

A coluna de manifestantes que descia de Senkata, em El Alto, e chegava a La Paz nesta quinta-feira, foi brutalmente reprimida com gás lacrimogêneo, que as forças policiais do governo golpista de Jeanine Áñez lançaram contra milhares de pessoas que ingressaram com caixões dos assassinados na terça-feira.

A marcha desta quinta-feira foi votada por unanimidade pelo cabildo (assembleia popular) de Senkata, depois da repressão por parte do Exército e da polícia que deixou 8 mortos nesta terça-feira.

As colunas cantavam consignas reivindicando a resistência dos trabalhadores e indígenas de El Alto, "Não somos do MAS, não somos terroristas, somos El Alto e El Alto se respeita". Também cantavam, "Áñez assassina, o povo não te quer".

Assim como definiram na assembleia aberta de Senkata, milhares marcharam rumo à capital boliviana para exigir a renúncia da autoproclamada presidenta Áñez.

Nesta quarta-feira, logo após a brutal repressão empregada pelo Exército e pela Polícia na terça-feira para desfazer o bloqueio de Senkata, foi realizada uma enorme assembleia aberta com a participação de milhares de moradores de El Alto. Ali votaram, entre outras questões, marchar hoje, quinta-feira, rumo à cidade de La Paz para exigir justiça para seus mortos, repudiar o golpe e exigir a renúncia de Jeanine Áñez.

Os milhares de manifestantes marcharam carregando alto os caixões dos oito assassinados na repressão da terça-feira. Mulheres cobertas com lenços pretos e familiares das vítimas encabeçam a mobilizações. Os cantos pedem justiça por seus mortos e repudiam o golpe e Áñez. Muitos denunciaram aos repórteres de La Izquierda Diario que acompanhavam a mobilização que os mortes na repressão de terça-feira são mais do que é conhecido pela mídia. “Não são três, são muitos mais mortos”.

Ao longo da avenida 6 de Março, os moradores carregavam tecidos pretos e gritavam contra a autoproclamada presidenta, que hoje é cabeça do governo surgido do golpe cívico-militar. De outros pontos da cidade partiram colunas para confluir com a mobilização.

A assembleia de Senkata também determinou exigir a liberdade de todos os detidos pelos golpistas que tentam impor uma ditadura cívico-militar e realizar um chamado à unificação de todo o país na luta contra o golpe de Estado.

Ao mesmo tempo que por volta de 10.000 pessoas estão esperando, muitas se somam à marcha à medida que avança pela avenida 6 de Março em El Alto. Os bloqueios se intensificaram em toda a zona e o transporte foi paralisado.

A via até Senkata também está bloqueada desde quarta-feira de maneira completa, nos dias anteriores estava aberta a passagem e o transporte circulava. Mas logo após a repressão, outros distritos se somaram aos bloqueios e radicalizaram as medidas. O bloqueio agora não é apenas no Distrito 8, ontem as rusa e avenidas do 1, 2 e 3 também estavam incomunicáveis.

Esta radicalização das manifestações em El Alto, e as demandas contra o golpe e pela renúncia de Jeanine Áñez, contrastam com a política dos parlamentares do MAS de Evo Morales e da Central Operária Boliviana (COB), que se colocaram no reconhecimento da autoproclamada presidenta, reconhecendo o golpe de Estado ao negociar o caminho das eleições com Áñez e os golpistas.




Tópicos relacionados

Internacional

Comentários

Comentar