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General de Bolsonaro mostra sua missão na Petrobras: tudo aos acionistas, ataque aos petroleiros

O general Silva e Luna deu uma entrevista onde ofereceu nenhuma promessa de controle dos preços abusivos que roubam a população, fez muitas promessas para os acionistas e para o “mercado”, entre elas a de atacar direitos dos petroleiros e cortar pessoal. Na entrevista também fica evidente como não entende nada de petróleo.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

terça-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

O General Silva e Luna concedeu longa entrevista à Radio Bandeirantes onde deixou claro o que pretende fazer na empresa: garantir lucros para os acionistas, atacar os petroleiros e, para a população que está sendo extorquida com os preços abusivos dos combustíveis, que variam conforme o dólar e cotação do petróleo, ofereceu absolutamente nada. Com esta sinalização, novas declarações de Bolsonaro, anúncio de novas privatizações como a da Eletrobrás, os militares e o governo que compõem tentam deixar claro ao imperialismo e a todos “investidores” milionários e bilionários que seu interesse será o grande balizador da gestão militar na Petrobras e do governo como um todo.

A entrevista na íntegra está disponível no final da matéria.

A declaração de missão do general deixa claro como eram absolutamente infundadas as previsões de setores da mídia de que haveria uma guinada contra os “interesses do mercado”. Esses interesses sempre unificaram os militares, o STF, o centrão, a Globo, os tucanos, DEM, etc, e constituem uma clausula “pétrea” do regime do golpe institucional: acelerar a entrega dos recursos do país, entregando muito mais do que o PT já entregava. Também fica evidente como eram absurdas as posições de parlamentares do PT e sites afins a este partido que se iludiam (ou buscavam iludir) com a possibilidade de um nacionalismo do generalato brasileiro, em grande parte treinado em missões junto aos EUA e admirador submisso do amo do norte e suas multinacionais.

Silva e Luna deixa claríssimo em uma passagem da entrevista como quer atacar os petroleiros e ter como norte o lucro dos acionistas: “Empresa estatal tem que trabalhar como se estivesse competindo com qualquer empresa semelhante que produz pro mercado. (....) Mas agora a gestão está trabalhando todo dia pra reduzir custos e produzir lucros pra ser colocada em proveito de quem paga a conta: o consumidor, o usuário , o acionista. Então, como ideia geral, o fato de ser privatizado ou não tem um passo anterior, que é verificar a qualidade das pessoas em todos os níveis, do CEO à senhora que serve o cafezinho, se ela sabe qual a missão, qual o propósito, porque ela está fazendo as coisas.

Fica claro como além de uma visão machista sobre o papel das mulheres na empresa, não há nenhuma preocupação social regendo sua missão, a preocupação é o acionista. Era pura venda de ilusão aos trabalhadores quem da esquerda achava que um militar poderia ter uma visão diferente desta, um general que inclusive foi ministro de Temer, e foi parte de comandar a intervenção federal no Rio de Janeiro, na qual a vida de Marielle foi arrancada.

Sobre os preços dos combustíveis ele partiu de afirmar que não há alternativa que não o preço internacional, mas que haveria que ter alguma regulação. Sua ideia de regular os preços, com algum subsídio ou “colchão” nas palavras dele, mostra que ele fará toda a população pagar algum imposto para o lucro dos acionistas privados, sobretudo imperialistas, ou também (sem excluir a possibilidade anterior) que ele não entende absolutamente nada de Petróleo e nem mesmo da história das Forças Armadas, que são responsáveis de um modelo de estocagem ser totalmente impossível de realizar na Petrobras.

Ele afirmou numa passagem da entrevista:

Vou colocar uma experiência destes dois anos muito críticos que tenho aqui em Itaipu em relação a fluência de água pra chegar aqui. Nós mantivemos o colchão possível em Itaipu de modo a atender o contrato que temos com a Eletrobrás no Brasil e com a Ande no Paraguai, que são os compradores da nossa energia. E assim conseguimos entregar. No ano passado tivemos que bater três recordes seguidos pra poder entregar a quantidade necessária, se não, não seria possível. E o que é esse "colchão regulador"? É uma quantidade de água que sempre mantemos pra que no momento mais crítico que temos de baixar o nível de água do reservatório. Esse colchão pra uma empresa como a Petrobrás (to imaginando alto aqui) seria como um sub-regulador que tivesse essa condição. Então não seria colocando mais ou colocando menos. Essa solução criativa do Reino Unido ela altera ou no combustível ou no imposto.

Um imposto de “colchão” significará que todo brasileiro seguirá pagando para o lucro dos acionistas privados da Petrobras e o lucro dos compradores imperialistas das refinarias que Bolsonaro colocou à venda. Neste modelo a Petrobras seria ressarcida por não praticar o preço internacional, o lucro dos acionistas seria garantido e ao invés de você pagar esse lucro quando abastece o carro, compra um botijão de gás, pagará por via de impostos

A outra interpretação da proposta do general é sem pé nem cabeça, não há “represa de petróleo”. Isso ilustra como ele não entende nada da Petrobras ou mesmo da história das Forças Armadas e sua intervenção na empresa. Desde meados da ditadura, por decisão militar, a Petrobras opera com baixíssimo estoque, cerca de 3 dias. Esta decisão tomada na ditadura tinha uma justificativa baseada em planos militares, sob FHC (e continuado desde então) concluiu-se que este modelo era mais lucrativo: tendo o mínimo de produto imobilizado e o máximo de capital de giro. Não é viável aumentar o estoque, não há tancagem no país para isso, mesmo se utilizasse o máximo de tancagem, dificilmente a empresa conseguirá um estoque maior que 9-11 dias. E agora que estão privatizando refinarias e terminais teriam que combinar isso com os xeiques árabes e outros compradores, que evidentemente não estão preocupados com o abastecimento mas com o máximo de lucro.
O que o general buscou mostrar que entende de uma coisa: como atacar os petroleiros. Quando questionado sobre direitos conquistados como vale-alimentação, plano de saúde, direito creche ou cuidador, direitos que seriam revoltantes segundo o reacionário entrevistador, o general respondeu: “Eu teria que checar caso essas críticas sejam acolhidas pelo conselho. Temos que analisar junto com as pessoas locais. Entendo que sua colocação está perfeita. Eu vivi um pouco disso aqui nesses dois anos.

E sua visão de atacar os petroleiros não se limitou ao ataque a seus direitos adquiridos com luta, greves, toca também o tamanho do efetivo e propõem o assédio moral de forçar as pessoas a se mudarem de estado para se realocar em outras unidades (mas com tantas privatizações, realocar-se onde?). Ele afirmou:

“Hoje a gente sabe que está se trocando muitas pessoas por um bom sistema de processo. Aliás, uma empresa são pessoas e processos, o restante é consequência. Então se tiver um bom processo reduz a quantidade de pessoas. (...) [falando de Itaipu] a gente não contrataria mais ninguém nos próximos três anos. E aquelas pessoas que foram perdendo seus empregos por conta da função deixar de existir, por ter sido trocado por um [ininteligível], ele vai ser realocado, vai ter que aprender pra que possa ocupar outro lugar dentro da empresa. Não vai ser dispensado, ele permanece, mas vai ser realocado n’outro local. As demandas que vão aumentando com o crescimento da empresa faz com que estes sejam realocados, sendo preparados com uma nova capacidade e serviço dentro da mesma área ou em outro setor. Esse é um procedimento que já reduz de alguma forma e estabiliza o número de pessoas na empresa, sendo uma qualidade de gestão. Pois é importante que se avance com aquilo que a máquina faz (...)”.

Com essa entrevista se escancara a missão do general na empresa: oferecer a Bolsonaro maior controle político sobre a empresa, o que inclui, possivelmente, leva-lo a tiracolo para entrevistas como faz com Pazuello e quem sabe oferecer um discurso político para o presidente pintando um alvo: os petroleiros. E tudo isso submetido ao interesse maior a que servem: os 43,11% do capital da Petrobras que pertencem a gigantes imperialistas e os compradores imperialistas e bilionários das privatizações.

Essa missão do general inclui comparar a empresa com BP e outras empresas imperialistas, como pode notar-se na entrevista completa abaixo. A BP é uma empresa que praticamente não tem funcionários efetivos e terceiriza completamente suas atividades – e assim, com super-exploração e precarização é responsável por incontáveis crimes ambientais neste processo, o maior deles sendo o do mega derramamento de petróleo no Golfo do México.

Essa entrevista deixa claríssimo aos petroleiros como devem esperar ataques desta gestão de um militar entreguista, deixa também claro a cada trabalhador brasileiro que ele continuará a pagar a conta do lucro imperialista pois o petróleo a cada dia é menos “nosso”. Para barrar os ataques aos direitos dos petroleiros, garantir seus empregos, impedir as privatizações e garantir combustíveis baratos a toda população é necessária uma forte greve petroleira.

Pode te interessar: Aumento dos combustíveis: petroleiro explica os verdadeiros motivos pela alta dos preços

Veja a entrevista do general Silva e Luna




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