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JUSTIÇA POR MARIELLE

GCMs destroem homenagem à Marielle em Ouro Preto e dizem: "recado foi dado em 2018"

Tapete com homenagem a Marielle Franco é destruido por Guarda Municipal em Ouro Preto neste domingo (21) em celebrações da Semana Santa. A nota oficial da Guarda Civíl ainda diz que a "liberdade de expressão não é absoluta" e que "o recado foi dado em 2018".

segunda-feira 22 de abril| Edição do dia

Neste domingo, a Guarda Municipal de Ouro Preto pisoteou e destruiu um tapete de serragem que homenageava Marielle Franco, feito por moradores da cidade. Os tapetes são tradicionais em Ouro Preto, como parte das comemorações da cidade na semana santa. Junto à marielle havia homenagens aos mortos em Brumadinho, e uma homenagem à Notre Dame, que sofreu na última semana um grave incêndio que causou danos graves à catedral história na França.

Em vídeo, que mostramos aqui abaixo, os oficiais da Guarda aparecem pisoteando e destruindo o tapete em homenagem a Marielle, enquanto moradores e envolvidos protestam contra o ato de censura da polícia.

Veja o video aqui:

Em nota a Guarda Municipal de Ouro Preto deu declarações absurdas em respeito ao caso, agradecendo a todos que contribuem para a “gloriosa Semana Santa, em especial aos bravamente mantiveram a ordem do principio ao fim”. Na sequencia da nota, afirmam que destruíram a homenagem a Marielle por seu “cunho político”, que não condiziria com os “tapetes devocionais”, e seguem ainda informando que “a liberdade de expressão não é absoluta”. Uma declaração desprezível, e que de forma nítida e expressa, passa por cima dos direitos da população.

Como se não bastasse, a Guarda, se sentindo legitimada pelo Governo Bolsonaro para ataques como este, segue na nota: “O recado já foi dado em 2018, em 2019 não foi diferente. Respeitem Ouro Preto, nossas tradições. Vale salientar que os guardas só desmancharam os tapetes com os pés, porque não tínhamos outro instrumento”.


Na imagem: Tapete similar ao feito em homenagem à Marielle, para as vítimas de Brumadinho. | Imagem: G1

“O recado já foi dado em 2018”, dizem, fazendo clara a referência à eleição do ultra direitista Jair Bolsonaro à presidência. O episódio mostra mais uma vez a cara desprezível dessa extrema-direita, e do conforto das forças policiais para reprimir a população.

A nota na íntegra segue abaixo:

“O Comando da Guarda Civil Municipal vem publicamente agradecer a todos que contribuíram direita e indiretamente para a gloriosa Semana Santa de Ouro Preto, em especial aos guardas, polícias que bravamente mantiveram a ordem do princípio ao fim.

Quanto ao episódio onde os agentes municipais desmancham desenhos de cunho político entre outros que nenhuma relação possuem com os "tapetes devocionais", informamos que a liberdade de expressão não é absoluta ainda mais quando outros direitos estão sendo afetados.

O recado já foi dado em 2018, em 2019 não foi diferente. Respeitem Ouro Preto, nossas tradições. Vale salientar que os guardas só desmancharam os tapetes com os pés, porque não tínhamos outro instrumento”.

São estas mesmas polícias que querem cada vez mais liberdade para agir e reprimir, que querem, com o pacote anti-crime de Moro, mais liberdade ainda e carta branca para poder matar, assassinando a juventude negra e trabalhadora nas periferias do país, fazendo diariamente novas Marielles, Marias Eduardas, Marcos Vinicius, e Evaldos.

Veja também: Pão e Rosas chama PSOL a construir Encontro Nacional por Marielle Franco

Já se passou mais de um ano sem justiça por Marielle e Anderson, executados brutalmente em abril do ano passado. Para conquistar justiça, não é possível confiar nas forças do Estado. Exigimos que o Estado dê as condições para uma investigação independente, liberando as provas já obtidas e garantindo segurança das comissões indicadas pelos movimentos sociais, sindicatos e grupos de advogados ativistas para que investiguem em segurança.




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