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G7 na França: uma reunião envolta em importantes tensões políticas

Os 7 países imperialistas que constituem o histórico grupo geopolítico e financeiro se reuniram este ano em Biarritz, no sul da França. Com discursos hipócritas sobre a desigualdade, os presidentes negociaram ao redor de temáticas centrais como o conflito comercial entre EUA e China, a geopolítica do Oriente Médio, a relação com o Irã e a catástrofe na Amazônia.

segunda-feira 26 de agosto| Edição do dia

Com as principais potências imperialistas, representando aproximadamente 40% do PIB mundial, a cúpula do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) se organiza sob o novo paradigma internacional ditado por Donald Trump e suas relações com a China. Este ano, por trás de temas supostamente democráticos, como a desigualdade, a integração das mulheres no mercado de trabalho e a crise ambiental, se escondem discussões geopolíticas e econômicas.

O encontro tem como principal objetivo discutir sobre a composição das grandes potências, porém é um debate cruzado por fortes tensões, como os anunciamentos de Trump sobre um aumento de 5% das tarifas sobre os produtos chineses e sobre os possíveis elementos da caída econômica que representa o conflito comercial em escala internacional, as relações dos distintos membros com o Irã e o encontro de Trump com seu novo parceiro inglês, Boris Johnson.

Um G7 cruzado por crescentes tensões econômicas

Trump continua afirmando que a economia norte americana segue crescendo, negando as previsões de recessão para o ano que vem, uma das principais preocupações do G7 são as consequências do conflito EUA-China. O informe do Banco Central Europeu no 22 de agosto, de uma possível aceleração da recessão econômica a escala europeia, parece inquietar particularmente os sócios europeus frente a vontade nacionalista de Trump de privilegiar os interesses do seu país frente a contração da economia mundial.

Frente ao anúncio das tarifas sobre produtos chineses e do aumento das já existentes sobre os produtos automotivos da Alemanha (que representa 29% do PIB europeu), os principais socioeconômicos de Trump veem com preocupação sua política internacional. Por outro lado, a economia Chinesa anuncia uma retrocesso em seu crescimento de 6,2% neste ano, uma desaceleração que tem consequências importantes sobre a economia do leste e o desenvolvimento de sua própria indústria. Do lado dos europeus, a preocupação sobre este tema é tanta que se anuncia uma vontade de impulsionar a compra de dívida pública por parte do banco central, de forma acelerada, como preparação a uma possível crise internacional.

Apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos e sua atitude de mostrar-se como principal tomador de decisões a escala internacional (refletido pela crise diplomática que eclodiu com a Dinamarca em torno da oferta de Trump de comprar a Groenlândia), o golpe à bolsa de Wall Street no último 14 de agosto mostra a contradição entre o crescimento de capital financeiro e o debil crescimento economico do pais. Além da pressão sobre a Reserva Federal dos Estados Unidos para que reduza a taxa de juros de referência, as taxas alfandegárias e seus impactos na economia dos EUA são a principal preocupação. Além disso, Macron acrescentou o imposto GAFA (pelo Google, Apple, Facebook e Amazon), uma questão que leva meses de polêmica.

Irã e Rússia, países centrais das discussões da cúpula

O convidado surpresa do encontro foi Mohammad Zarif, ministro iraniano das relações exteriores, convidado por seu colega francês. Desde a abertura da crise na cúpula de 2017, Macron insiste na necessidade de diminuir o conflito entre o país do Oriente Médio e os Estados Unidos. Uma discussão que anuncia possíveis elementos de crise diplomática é a tentativa de abertura comercial do Irã para produtos alemães e franceses. Os interesses econômicos dos socios europeus se chocam frontalmente com a pressão aplicada por Trump, que rechaça todo o tipo de acordo sob a desculpa do risco nuclear que o Irã representa.

A Rússia também é um dos temas centrais da discussão dos membros da cúpula. Excluída depois da crise de Crimea, em 2015, a ideia de Trump de uma reintegração rompe com a vontade de seus sócios. A vontade de Trump de construir relações bilaterais com a Rússia está oposta a antiga relação que haviam construído Merkel, Hollande e Obama com Putin. Com a preocupação de acabar com o processo de aliança entre a China e a Rússia, ainda que a reunião deste ano não tire uma resolução aberta, uma possível nova discussão surge entre as potências imperialistas e Putin.

A chegada de Boris Johnson marca um novo momento nas relações europeias

A outra grande novidade para Trump durante este G7 é a presença de Boris Johnson, seu novo parceiro inglês que levantou a necessidade de um Hard Brexit para o dia 31 de outubro. Embora Merkel e Macron, com o apoio de Jean Claude Juncker, tentem por todos os meios evitar um Brexit sem acordo, um "Brexit duro" parece interessar a Trump. Afim de minar as relações na União Europeia, Trump propôs a Johnson um acordo comercial bilateral. “É o homem indicado para o Brexit”, afirmou Trump sobre o primeiro ministro britânico, tentando empurrar as contradições entre os europeus para evitar um isolamento de Johnson na Europa.

Entre outras preocupações, o G7 deu lugar a várias discussões por parte das burguesias imperialistas em torno da situação no Oriente Médio, maior coordenação entre os serviços de inteligência para controlar o terrorismo e a entrada de migrantes. A crise na Amazônia também esteve presente e Macron quis colocar-se demagogicamente como defensor do meio ambiente. Uma postura verdadeiramente hipócrita, tal como o resto dos membros do G7 que estão tentando posicionar-se da melhor maneira possível para aproveitar os recursos da Amazônia, depois de haver apoiado abertamente Bolsonaro desde que ele chegou ao poder.




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