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Fumaça de queimadas na Amazônia chega em SC e RS, com chuva escura e cidades sob fumaça

Cidades da Região Oeste de SC e do Sul do RS sofreram o mesmo efeito visto em SP pelas queimadas na Amazônia. Em Chapecó e Dionísio Cerqueira (ambas de SC), essa terça (10) e quarta (11) tiveram dias esfumaçados. Na cidade de Camaquã (RS), moradores relataram chuva escurecida na cidade.

quarta-feira 11 de setembro| Edição do dia

Na tarde de ontem (10) e de hoje (11) duas cidades de Santa Catarina sofreram com dias nublados e cinzentos fruto das queimadas na Amazônia, que chegaram na na Região Sul do país via correntes de vento. Cidades como Chapecó e Dionísio Cerqueira sentiram os efeitos nessa semana. No Rio Grande do Sul, a cidade de Camaquã sofreu também com chuvas escuras, que nitidamente carregavam consigo os efeitos das absurdas queimadas na Amazônia.

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Tanto as cidades que ficaram dois dias sob fumaça de queimadas, quanto a chuva no RS, chegam ao sul do país por correntes de vento vindas da Região Norte do país. "Eu me assustei a hora que vi que a água da chuva estava preta, nunca vi nada parecido." contou uma moradora do Bairro Santa Marta, em Camaquã (RS), ao
portal Gazeta Regional.

Veja aqui abaixo um video captado mostrando a água da chuva da cidade do RS:

A cena se repete, pois no final de agosto, no dia 19, algo parecido aconteceu em São Paulo, na capital e cidades mais próximas como Campinas. O dia simplesmente havia virado noite às 15h, com um céu preto. Dias depois alguns meteorologistas e pesquisadores detectaram partículas no ar, e na chuva do dia 19 de agosto em SP que levavam a conclusão de que isso era consequência das queimadas na Amazônia.

Bolsonaro enfrentou (e ainda enfrenta) uma crise por conta do avanço na destruição da Amazônia pelos latifundiários. A sede de lucros desse setor da economia, impulsionado pelo discurso radicalmente reacionário de Jair Bolsonaro, sobre exploração das riquezas, ataque à comunidades indígenas, quilombolas e contra áreas de preservação.

Como noticiamos aqui hoje, outros focos de queimadas criminosas foram descobertos, agora em áreas de Cerrado, onde foram identificados mais de 7 mil focos de incêndio. No primeiro dia de setembro, os focos de queimadas foram mais numerosos no cerrado do que na região Amazônica, onde no primeiro foram registrados 7.304 focos, e na Amazônia, 6.200 focos de queimadas. Entretanto, a região amazônica ainda é a mais atingida quando consideramos o total de destruição no decorrer do ano, como mostra a matéria do Esquerda Diário publicada hoje.

Por isso colocamos desde o Esquerda Diário, o MRT e também da Juventude Faísca, que a luta contra essa sede de lucros dos capitalistas que destrói o meio ambiente tem de ser uma luta anticapitalista. Sem ilusões em interesses imperialistas, em soluções “interessadas” de países do G7 e sua demagogia. É necessário uma profunda transformação na estrutura do país, assim como medidas de emergência.

Veja também: Ricardo Salles procura imperialismo europeu para discutir Amazônia

Enquanto o governo corta investimento nas áreas de preservação ambiental, e a pasta do Meio Ambiente dirigida por Salles não investe o que ainda possuem no combate à essas ações criminosas, defendemos que se parem imediatamente os repasses milionários do Plano Safra para os latifundiários, aplicando esse dinheiro no combate direto às queimadas na Amazônia.
Mas, junto com isso precisamos também debater a necessidade de estatizar o enorme monopólio da produção agrícola, que hoje tem fortes interesses de aumentar suas áreas de exploração, passando por cima de indígenas, quilombolas, áreas de preservação e movimentos sociais, destruindo o meio ambiente em nome de seus lucros. Uma estatização que coloque os trabalhadores que dia-a-dia são explorados por essa sede capitalista, no controle da produção, e que possa assim pensar uma forma não predatória de uso de nossos recursos naturais.

Além destes dois pontos, não podemos esquecer também de uma demanda muito importante, ainda mais num governo que foi eleito dizendo que não haveria “um centímetro de terra para índios” no Brasil. É necessária uma profunda reforma agrária no Brasil, que acabe com o latifúndio no país, distribuindo terra a quem deseja nela trabalhar, que garanta autonomia e integralidade das terras indígenas e quilombolas, e integre as pequenas propriedades de cinturões verdes nas cidades, com os pequenos proprietários no campo, com grandes fazendas e fábricas sob controle dos que nela trabalham. A economia deve ser centralizada não no lucro, mas sim na satisfação das necessidades da população. Para livrar os seres humanos e a natureza de toda a exploração, é preciso levantarmos uma luta anticapitalista e anti-imperialista.

Assista também ao Podcast do Ideias de Esquerda Internacional: G7 e crise da Amazônia




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