Internacional

VIOLÊNCIA POLICIAL

França: Após agredir enfermeira em 16 de junho, quatro policiais registram queixa contra Farida C.

Após o espancamento e a custódia pela polícia na repressão aos atos dos trabalhadores da saúde franceses, hoje foi descoberto que quatro policiais fizeram uma queixa contra Farida, enfermeira cuja prisão violenta circulou na mídia. Ela foi convocada para ir ao tribunal em setembro por "violência contra pessoas que detêm autoridade pública, desacato e rebelião".

quinta-feira 18 de junho| Edição do dia

Crédito da foto: Estelle Ruiz / Hans Lucas / Hans Lucas via AFP

Terça-feira, 16 de junho, termina a manifestação dos trabalhadores da saúde em Paris e, como o normal, a polícia joga uma chuva de gás lacrimogêneo na marcha, lança granadas de efeito moral e avança sobre os manifestantes. Farida C., enfermeira, "vê pessoas correndo por todos os lugares", e também é gaseada extensivamente. Ela “quebra”, em suas próprias palavras, mostra o dedo e lança algumas pedras na direção das forças em equipamentos anti-motim.

A resposta disso não demorou a chegar. Pouco depois, vários policiais a arrastaram pelos cabelos, pressionaram-na contra uma árvore antes de jogá-la no chão e prendê-la. Farida gritava que precisa de seu ventoline para asma, nada acontece. A prisão é filmada de vários ângulos, e a polícia reconhece: “sem violência, estamos sendo filmados!” um deles diz aos colegas. É preciso se perguntar qual é o nível de violência que eles têm quando não são filmados.

Imen Millaz, a filha de Farida C., falou ontem em frente à delegacia do 7º distrito, onde ficava sua mãe, em frente aos companheiros reunidos: “Vi minha mãe em desânimo como nunca havia visto, pois é uma pessoa muito, muito forte. É preciso muitas coisas para destruí-la ... Então eles não a destruíram, ela não se destrói assim, mas ainda assim eles deram um grande golpe, vários, como seu corpo testemunha. Sabemos do que lhe acusam, é literalmente de ter jogado três pedras e mostrado os dois dedos do meio".

Hoje é Farida C. que é questionada pela própria polícia por três pedras e os dedos do meio que não fizeram qualquer dano, pelos mesmos que a brutalizaram e se recusaram a deixá-la usar o remédio da asma.

Farida C. trabalhou jornadas de 10 a 14 horas por dia durante o pico, viu 20 de seus pacientes morrerem, pegou o coronavírus e quis expressar sua raiva. Então, onde está a violência? Do lado de uma enfermeira exausta, atingida por gás, mal paga, ou do lado de uma força policial ultra-repressiva? Está, por extensão, do lado de um Estado que deixou enfermeiras da linha de frente contra o coronavírus sem máscaras, sem equipamento, e que continua sem freio em sua política de desmanche do hospital público?

Este caso aparece em pleno momento de questionar o papel da polícia, em conexão com a escala crescente do movimento contra a violência policial, em face do qual o Estado está tentando a todo custo anular as acusações de violência policial e relegitimar a polícia e suas armas. Castaner (ministro do interior) está bem posicionado nessa ofensiva reacionária. Falando em poucas palavras sobre Farida C., o Ministro do Interior denunciou "aqueles que querem quebrar o pacto republicano atacando seus guardiões" e anunciou a criação de um grupo de trabalho para simplificar o procedimento em caso de desacato ou de violência contra policiais. Um chefe de acusações que já é conhecido pelo uso do desacato para criminalizar os manifestantes ou qualquer pessoa contrária diante de um abuso.

Farida foi convocada a comparecer ao tribunal em 25 de setembro por três crimes: violência contra pessoas que detinham autoridade pública, desacato e rebelião. Um julgamento muito político que seguiremos cuidadosamente, para apoiar Farida C. contra a repressão da qual ela é vítima, bem como todas as vítimas de violência policial.

Inès Rossi, da França via Revolution Permanente, parte da Rede Internacional La Izquierda Diario.




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