28 A EM JOÃO PESSOA

Forte greve na capital paraibana no 28 A

domingo 30 de abril de 2017| Edição do dia

As paralisações de 15 de março, que superaram as organizações sindicais e sociais que formalmente convocaram e haviam criado um clima favorável a continuidade das lutas que as centrais sindicais adiaram por um mês e meio. Mesmo assim, se sentia no ambiente o sucesso da greve geral desta última sexta-feira e em João Pessoa (PB) não foi diferente. A greve geral se massificou frente aos ataques do governo golpista institucional de Temer e especificamente contra a reforma da Previdência (PEC 287/2016) e as mudanças nas leis trabalhistas (PL 6787/2016).

Durante as discussões das reformas no Congresso Nacional, representantes do governo argumentaram de forma neoliberal típica, que elas são necessárias para garantir o pagamento das aposentadorias futuras e conter a retração dos empregos, no momento em que o país vive uma grande crise econômica, argumento este repetido incansavelmente pelo governo e a grande mídia, porém sem destacar a causa desta crise econômica relacionada ao pagamento de juros aos bancos e outras instituições financeiras detentoras da dívida pública.

A proposta de reforma da previdência traz mudanças na idade mínima, tempo de contribuição, aposentadoria rural, servidores públicos e valores da aposentadoria. Sobre a reforma trabalhista, o projeto estabelece a prevalência dos acordos coletivos em relação à lei, fim da obrigatoriedade sobre o imposto sindical, criação de novas modalidades de contratação, parcelamento de férias anuais, horas trabalhadas, transporte até o trabalho, intervalo na jornada de trabalho para repouso e almoço, recisão contratual, demissão entre outros pontos. Todo um retrocesso mesmo no marco dos tímidos direitos sociais brasileiros.

As principais críticas que fazemos às reformas recaem, no caso da reforma da previdência, sobre o tempo de aposentadoria proposto inicialmente para 49 anos, e recentemente rebaixado para 40 anos, proposta tão absurda que qualquer rebaixamento soaria como vitória para a classe trabalhadora, o que não é verdade. A proposta do governo golpista revela é que o trabalhador não se aposente que trabalhe até morrer. É impossível admitir que a reforma outorgue àqueles que contribuíram com a Previdência por muitos anos o direito a receber por seu trabalho. No âmbito do trabalho, que trata sobre a terceirização e a reforma trabalhista, criticamos o rebaixamento dos direitos dos trabalhadores ao estabelecer o padrão de trabalho análogo ao escravo e servil para o conjunto dos trabalhadores brasileiros. As regras previstas na reforma abrem a possibilidade de precarização do mercado de trabalho com o fim dos seus direitos e privilegia os empresários para explorarem ainda mais os trabalhadores, tendo como exemplo a proposta de acabar com a Justiça do Trabalho pelo Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Contra o desmonte da previdência, a terceirização e em defesa dos direitos, as centrais sindicais e os movimentos sociais depois de uma trégua de 45 dias convocaram uma greve geral para ultima sexta-feira (28/4).

Na cidade de João Pessoa (PB) em sintonia com as centrais nacionais participaram: a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Intersindical, Central e Sindical Popular (CSP/Conlutas), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central (NCST), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Além disso, várias categorias profissionais participaram da paralisação na capital paraibana: Rodoviários (motoristas e cobradores de ônibus), Bancários, Servidores da Assembleia Legislativa, Servidores do Ministério Público, Servidores Públicos federais do INSS, Servidores do Ministério do Trabalho, Servidores do Ministério da Saúde, Professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e Universidade Federal da Paraíba (UEPB), Professores da rede municipal de João Pessoa, Trabalhadores da Previdência Social, Trabalhadores dos Correios, Trabalhadores dos Correios, Servidores do Poder Judiciário, Trabalhadores de Estabelecimentos de Ensino da Rede Privada, Servidores Estaduais da administração direta e indireta entre outras categorias declararam apoio e adesão à greve geral.

A greve em João Pessoa, em consonância com o resto do país, foi um sucesso. O ato em João Pessoa começou nas primeiras horas da sexta-feira (28/4) com a interrupção e o bloqueio do tráfego em pelo menos seis pontos da grande (região metropolitana) João Pessoa), houve bloqueios nas avenidas Pedro II (sentido Centro), Cruz das Armas (sentido Centro), Tancredo Neves (dois sentidos), Principal dos Bancários (próximo a rotatória do Centro de Tecnologia da UFPB), Via Oeste e no Bairro das Indústrias (próximo à entrada para João Pessoa), e no trecho da BR-230 na divisa de Bayeux e Santa Rita, cidades da Grande João Pessoa, nas saídas para Natal-RN e Campina Grande. O trânsito nesses trechos só começou a ser liberado por volta das 11 horas da manhã, quando os trabalhadores participantes dos piquetes por toda cidade mobilizaram-se para o segundo ato da greve geral, que ocorreu no centro da cidade Ponto de Cem reis entre às 13:00 e 18:00 horas.

Mais de 20 mil pessoas se mobilizaram e foram paralisados na cidade serviços como: transporte, comércio, setores de educação e saúde públicos e privados.

A greve do dia 28ª mostra também em João Pessoa a disposição de luta da classe trabalhadora independente das tréguas das principais centrais sindicais do país como CUT e CTB que estão preocupadas por subordinara a luta a candidatura de Lula no 2018 assim como a Força Sindical só preocupada por manter o imposto sindical.

Desde Esquerda Diário, impulsionada pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) entendemos que é necessária a continuidade do plano de lutas, não dar nenhuma trégua ao governo, alertando para a necessidade de articular a luta

econômica e luta política vinculando a luta contra as reformas do governo golpista de Temer com a luta pela sua derrubada.

Devemos preparar uma greve geral até derrubar Temer e as reformas impondo com a luta uma Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, não para recompor o sistema político senão numa perspectiva transicional, anticapitalista para que sejam os capitalistas os que paguem pela crise e não os trabalhadores.




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