Mundo Operário

METROVIÁRIOS

Formar um fundo de greve dos metroviários de SP para enfrentar a privatização

quinta-feira 26 de julho| Edição do dia

Na terça feira (17) os metroviários de São Paulo realizaram assembleia da categoria para discutir exclusivamente a devolução do dinheiro referente a ajuda solidária que essa prestou aos demitidos da greve de 2014. Quando os companheiros foram demitidos em 2014 foi aprovado numa assembleia massiva que seria aumentada a contribuição sindical em 0,6% para pagar uma ajuda de custo aos demitidos. Em contrapartida, os demitidos assinaram termo se comprometendo a devolver integralmente esse valor quando ganhassem o processo, devolução que agora será efetivada a partir do acordo em 12 vezes. Desde o acordo firmado entre categoria e metrô, na campanha salarial, pelo retorno desses companheiros a categoria, setores principalmente de direita e interessados no enfraquecimento do sindicato vieram disseminando a discussão da devolução deste dinheiro individualmente aos metroviários. A inação da maioria da diretoria do sindicato tem sido a base fundamental para o fortalecimento desses setores que buscam ofuscar a vitória que significa a volta desses companheiros demitidos injustamente por lutar e transformam assim essa discussão numa questão mesquinha de dinheiro e favorecimento individual.

Como já alertávamos antes, a falta de iniciativa e trabalho de base por parte da esmagadora maioria da diretoria de nosso sindicato, vem dando cada vez mais base para o fortalecimento desse setor de direita e despolitizado que não enxerga (ou é diretamente contra) o significado profundo que tem a readmissão desses companheiros. A ausência de planos de luta sérios expressa o pessimismo dessa maioria dirigente do nosso sindicato com os trabalhadores, e, no caso da CTB/PCdo B, uma posição interessada na disputa eleitoral pelo governo de São Paulo em prol de Marcio França como "mal menor" para governar o Estado.

A questão fundamental aí colocada é que no marco dos profundos ataques que vem desferindo o metrô de São Paulo contra a categoria, este deseja precarizar os serviços prestados e as condições de trabalho, avançando no processo privatizador e na aplicação da reforma trabalhista. É fundamental que todos nossos recursos e esforços se voltassem para essa luta para barrar os ataques contra os metroviários e a população que sofre cotidianamente com a precarização dos transportes. A proposta inicial por parte da diretoria era de criação de um fundo de greve com os fundos remanescentes da devolução das verbas dos reintegrados ao sindicato, que seria uma base financeira para financiar a luta contra a privatização, questão central que irá definir não só o futuro da categoria como servirá certamente como precedente para a privatização de demais setores estratégicos no país.

O jogo duplo da CTB/PC do B

Na última reunião da diretoria do sindicato antes da referida assembleia, ficou decidido (corretamente) que seria levado desde então como proposta para a destinação os fundos remanescentes da volta dos demitidos a criação de um fundo de greve, para bancar as importantes lutas que seguirão contra a privatização e as reformas que querem impulsionar os capitalistas no país. A posição do Movimento Nossa Classe, defendida na assembléia por Tufão, foi que o fundo de greve fosse administrado por uma comissão independente da diretoria do sindicato, composta por trabalhadores metroviários e que o dinheiro fosse guardado numa conta também independente das finanças do sindicato e com prestação de contas regular, justamente para garantir a transparência no uso desses recursos e que eles fossem de fato utilizados em prol dos interesses da categoria.

A ajuda solidária que a categoria deu durante quatro anos aos seus demitidos políticos foi um gesto importantíssimo para que pudéssemos ter a importante vitória política que foi a readmissão desses companheiros. Vitória política porque demonstra que o forte movimento de greve que construímos por cinco dias no ano de 2014 foi legítimo.

Essa vitória vai contra os interesses dos setores burocráticos da diretoria do sindicato (CTB e CUT) que desde a referida greve fazia uma campanha por baixo de que os lutadores estavam errados em lutar daquela forma e alimentou desde o próprio processo de greve mesmo, setores contra a greve e contra os demitidos. Contribuem com o descrédito da categoria em suas próprias forças no final das contas. Mas sobretudo foi uma vitória contra a empresa, o governo Alckmin e toda a burguesia, pois fortalece a categoria em implementar seus próprios métodos de luta e não confiar em negociatas a portas fechadas entre dirigentes sindicais suspeitos e a patronal.

Por isso defendemos desde o princípio que todo o montante remanescente da devolução da ajuda aos demitidos seja destinado a um fundo de greve, administrado pelos trabalhadores, de forma independente da diretoria do sindicato e inclusive utilizando uma conta bancária à parte.

Para dar prosseguimento a essas importantes lutas, onde a participação das bases da categoria é o que definirá nossas vitórias e derrotas, propomos a todos os metroviários uma campanha para que destinem o montante referente a devolução das verbas dos demitidos para esse fundo de greve e que participem ativamente da conformação dessa comissão independente que tem que ter como principal objetivo a gestão desses valores da melhor forma a contribuir com a organização e luta dos metroviários de forma independente dos capitalistas e da burocracia sindical que nada mais é do que um braço dessa classe exploradora no seio do movimento operário.




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