Cultura

ATAQUE À CULTURA EM SP

Folha de São Paulo se junta à campanha de Doria contra o fomento ao teatro e à dança em SP

Fernando Pardal

@fepardal

segunda-feira 6 de novembro| Edição do dia

Desde o início da gestão Doria o financiamento à cultura vem sendo duramente atacado em São Paulo, o que foi feito com corte de verbas em diversos projetos, particularmente em escolas e periferias, e até mesmo com ameaças de agressão feitas pelo próprio secretário da gestão.

Todos esses ataques vem sendo enfrentados pelos trabalhadores da cultura, como foi por exemplo na ocupação da Secretaria da Cultura. A gestão Doria, contudo, continua na ofensiva, e agora decidiu atacar uma das mais importantes conquistas da cultura livre, pública e independente de São Paulo: as leis de fomento à arte e à cultura em SP.

Para isso, Doria não está só: ele contou com a ajuda do Tribunal de Contas do Município que suspendeu a nova edição do Fomento do Teatro, passando por cima da lei conquistada há mais de uma década.

Recrutando outros aliados, agora a prefeitura de São Paulo conseguiu a ajuda do jornal patronal Folha de S. Paulo, que em uma absurda e manipuladora matéria, passou a atacar esse patrimônio cultural do povo de São Paulo. Depois da suspensão do fomento ao teatro, o alvo deles é o fomento à dança.

A matéria é mentirosa desde o título: a tentativa de associar o fomento à gestão de Haddad é uma forma de tentar atrelar a defesa de uma cultura livre, independente e com financiamento público à gestão petista e, assim, mais facilmente lhe vencer, tentando apresentá-la como um "apadrinhamento" de artistas ligados ao PT. Nada mais falso.

Quem conhece a história da luta do fomento em São Paulo sabe que ele foi fruto da organização coletiva dos coletivos teatrais, de centenas de artistas e trabalhadores da cultura no movimento "Arte contra a barbárie", que conseguiu a duras penas arrancar uma lei em moldes bastante progressistas. Em seguida, outros setores da arte seguiram seu exemplo, como ocorreu na dança, e conquistaram também o direito a um financiamento que - ainda que escasso - é público e gerido em alguma medida de forma independente.

Esse modelo de gerenciamento independente dos recursos também é atacado na absurda matéria da Folha: a comissão de julgamento dos projetos aprovados pelo fomento possui um formato excepcionalmente democrático - ainda que não o suficiente - em que uma parte do júri é eleito entre a própria categoria.

O questionamento absurdo da matéria se sustenta no fato de que a maior parte dos jurados e companhias contempladas com o fomento são ligadas às Cooperativas Paulistas de Teatro e de Dança. O que é evidente, já que são entidades representativas dessas categorias, seus sindicatos, por assim dizer, e que em grande medida estiveram e estão à frente das lutas pela conquista e manutenção dessas leis. O que há de errado em que os artistas estejam filiados a essas entidades?

É perfeitamente possível que a forma como hoje funcionam as comissões julgadoras possuam seus problemas, seus favorecimentos e seus elementos antidemocráticos. Isso, cabe ser debatido e ter soluções apontadas entre os artistas e a população. A intenção da matéria da Folha e da gestão Doria, muito pelo contrário, não é apontar possíveis falhas e aprimorar a democracia do funcionamento dos fomentos (que dirá aumentar as verbas, que são ínfimas diante do orçamento e do tamanho da população de São Paulo).

A intenção desse jornal, em uma matéria evidentemente encomendada pela campanha contra o fomento feita pela gestão privatista de Doria, é de fazer uma campanha contra essas conquistas no financiamento público da cultura. Para eles, a cultura deve funcionar como mercadoria, e o financiamento "público" deve seguir os modelos privatistas da renúncia fiscal, tal como na Lei Rouanet, onde quem decide o que recebe ou não dinheiro são as divisões de marketing de grandes empresas capitalistas, que patrocinam eventos culturais para se auto-promover, utilizando o dinheiro que deveriam pagar em impostos.

Para finalizar, reproduzimos abaixo a postagem feita em seu perfil de Facebook por Rudifran Almeida Pompeu, atual presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, sobre a matéria publicada na Folha:

Em defesa das leis de fomento, o Esquerda Diário está lançando uma campanha com o mote: "PELO FINANCIAMENTO PÚBLICO DA ARTE E DA CULTURA!
EM DEFESA DAS LEIS DE FOMENTO EM SÃO PAULO!"

Chamamos todos os que defendem o caráter público da arte e da cultura a mandarem fotos e vídeos de apoio a essa causa.




Tópicos relacionados

João Doria   /    Arte   /    São Paulo (capital)   /    Cultura

Comentários

Comentar