Política

DEMAGOGIA A SERVIÇO DOS ATAQUES

Folha ataca gratuidade do ensino e previdência fingindo defender os pobres: não vai colar

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 30 de novembro| Edição do dia

“Quem é a elite?”, pergunta o editorial da Folha de S. Paulo. A resposta, dada pelos membros da elite que os são milionários donos dessa empresa, não poderia deixar de ser profundamente hipócrita. Os empresários, banqueiros, latifundiários, especuladores; enfim, todos os grandes capitalistas em geral estão de fora da conta da “elite” listada pelo jornal paulistano.

Segundo eles, a “elite” são os funcionários públicos, os setores mais altos da pequena-burguesia (ou, para ficar com seus termos sociológicos mais fluídos, a “classe média”). Partem de setores que têm um nível de vida acima do restante dos brasileiros, com uma renda mensal de R$ 27 mil, e vão gradualmente ampliando seu leque de “privilegiados” até chegar a trabalhadores que recebem R$ 2.150, pois já estão “acima da média nacional”. Pode ser que a Folha considere, então, esse setor privilegiado, mas ele não recebe sequer o salário mínimo estipulado pela constituição de 1988, que é calculado pelo Dieese atualmente em R$ 3.754,16 (para suprir as necessidades básicas de uma família de 4 pessoas).

Cinicamente, a Folha finge tomar partido dos mais pobres contra essa “elite”. Seria interessante saber quanto a Folha paga a seus motoboys, vigilantes, faxineiras; e qual a fatia do lucro que vai para os autores dessas linhas canalhas.

Na conta da Folha não entram como privilégio os lucros das empresas mi e bilionárias que estão implementando a reforma trabalhista e contratando trabalhadores por R$ 115 reais ao mês, ou até mesmo colocando a possibilidade de pagar para trabalhar ou até R$ 4,50 a hora.

E está bem claro o motivo disso: por trás de sua demagogia, a Folha – que como toda a classe patronal sempre defendeu com unhas e dentes as reformas de Temer – não tem absolutamente nenhuma preocupação de defesa dos trabalhadores, mas, pelo contrário, de atacar os serviços públicos. Por isso, elegem como os grandes “privilégios” a serem cortados a gratuidade da educação pública e a aposentadoria dos servidores.

Não é por acaso que a “bolsa banqueiro”, que é o pagamento dos juros da dívida pública com metade do orçamento nacional, não é mencionado como um privilégio a ser combatido, quando não apenas consome muito mais dinheiro público, como, aí sim, representa não um direito social elementar, como educação e previdência, mas sim o lucro milionário de um punhado de parasitas.

Porque seu interesse é contra os pobres que a Folha não coloca na sua lista de privilegiados os donos e acionistas da Kroton-Anhanguera, que em 2017 aumentou seus lucros em 5,6%, atingindo o patamar de R$ 2,1 bilhões de lucro líquido. É o “privilégio” de um estudante de uma universidade federal ou estadual que a Folha quer combater.

A “solução” da Folha é um absurdo: acabar com os serviços públicos gratuitos – enriquecendo, portanto, ainda mais os empresários desses setores – em nome de combater “privilégios”. Nós, por outro lado, temos propostas reais para combater os privilégios: fim do pagamento da dívida pública para investir na educação, previdência e demais serviços públicos; taxação das grandes fortunas; estatização sob controle de estudantes e trabalhadores dos grandes monopólios educacionais. Isso resolveria de fato os reais “privilégios”. E, porque não, os grandes monopólios da comunicação, como a Folha, também poderiam ser estatizados sob controle dos trabalhadores, aí poderíamos acabar com o privilégio da família Frias, que possui todo um jornal para promover suas mentiras enquanto a esmagadora maioria da população não pode dizer o que pensa em um jornal de grande circulação.




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