Cultura

RAP NACIONAL

Flora Matos, preta de quebrada

No segundo semestre de 2017 a rapper Flora Matos lançou um dos melhores discos do ano.

Gabriela Farrabrás

São Paulo | @gabriela_eagle

sexta-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

Se Brasília como nossa capital política produz apenas fatos bizarros e ataques a classe trabalhadora, como berço de grande parte da nossa música nacional já nos presenteou com grandes nomes e continua nos presenteando; Flora Matos veio de brasília, mas vai muito mais longe “Nova York, Los Angeles, Miami, Paris ou Londres”.

Aos 29 anos Flora se consolida como uma das maiores rappers nacionais - e essa afirmação pode ser dita sem receio algum depois de seu último disco, Eletrocardiograma.

O nome de Flora começou a rodar a cena musical em 2009 com sua primeira mixtape, Flora Matos vs. Stereodubs, já nessa época Flora foi recebida no meio do rap como uma grande promessa em uma época em que o cenário hip hop era quase que exclusivamente masculino. Oito anos depois Flora se provou como mais do que uma promessa.

Desde antes de seu primeiro hit “Pretin”, em 2011, Flora já tinha se tornado Mc residente em grandes boates em São Paulo, feito turnês independentes na Europa e Estados Unidos; não era por acaso que seu disco era um dos mais aguardados por quem acompanha rap nacional.

Quando Flora lançou “Qunado você vem” em meados de 2017 ela já deu uma palinha da delícia que seria esse disco, mas foi com o hit “Preta de Quebrada”, que invadiu as pistas do rolês da juventude preta, que o público teve a certeza que viria uma obra prima - e veio.

Muitos portais resumiram, de maneira rasa, Eletrocardiograma a um disco sobre um relacionamento amoroso, - como é resumida toda obra produzida por uma mulher. O fato é que Eletrocardiograma é um disco com uma produção musical impecável, que traz uma nova pegada ao rap, um disco delicioso pra curtir e dançar.

Vale ressaltar, que apesar do disco ser inegavelmente uma grande obra não foi posto entre os melhores discos de rap do último ano pelo mesmo motivo que nenhum disco ou mixtape produzido por uma mulher esteve nessas listas. A cena hip hop, assim como todos os espaços públicos, ainda é um ambiente marjoritariamente masculino, e isso não ocorre por falta de mulheres Mcs, muito pelo contrário; é preciso escutar as mulheres, e é um presente poder escutar Flora Matos, pois - nas palavras dela: “se você não liga não entendeu nada”.




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