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Flavia Valle: "Estatização da Petrobras sob controle operário é a solução pra redução da gasolina e do gás"

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

O acordo firmado ontem não prevê nenhum benefício para os trabalhadores, apenas para as grandes empresas transportadoras e manteve em curso todos os planos privatistas sobre a Petrobras. Questões que poderiam fazer a diferença para a grande maioria da população, como a redução dos preços do gás de cozinha e da gasolina, sequer foram mencionadas, deixando ainda mais claro a direção patronal para a mobilização dos caminhoneiros, nem sequer demandas da própria categoria dos caminhoneiros como melhores remunerações e condições de trabalho por trecho, foram colocadas para negociação.

Sobre isso, Flávia Valle, professora da rede pública de Minas Gerais e dirigente do MRT, disse que: "A população apoiou a paralisação acreditando que ela poderia lhe trazer algum benefício, mas o que se impõe é uma situação onde a própria população pagará pelo acordo entre o governo e os empresários do transporte, já que para garantir o lucro desses empresários o governo se propôs a subsidiar o aumento do DIESEL através da diminuição de impostos como o CIDE E PIS/COFINS, porém o valor desses impostos teria que retornar para a população em forma de verbas para a manutenção de estradas e rodovias, além de seguridade social".

"Ou seja, é a própria população quem pagará por esses acordos enquanto o preço do gás de cozinha e do litro da gasolina, que mais pesam nos bolsos dos trabalhadores, continuam nas alturas consumindo boa parte de nosso já apertado salário. Mais do que isso, a linha proposta pelo governo no acordo garante que as condições para a privatização da Petrobras continuem valendo, tirando do horizonte qualquer diminuição do preço desses itens básicos pra nossa vida".

Sobre a participação dos empresários do transporte, que buscam apenas mais subsídios, Flávia disse que "Os grandes empresários se apoiam no sentimento legítimo da população de indignação com o alto preço do Gás e da Gasolina para conquistar apoio popular e fazer o governo ceder aos seus interesses, mas a diminuição desses preços não virá pelas mãos dos empresários do transporte, pelo contrário, ela só pode ser conquistada se os próprios trabalhadores se organizarem desde os petroleiros (que já têm uma greve há muito tempo marcada mas que nunca é feita de fato pelas suas lideranças), até os caminhoneiros reais, e não os empresários que os contratam. Uma mobilização assim, organizada nas bases das categorias chaves poderia parar a privatização da Petrobrás, exigir a completa estatização da empresa sob controle dos próprios trabalhadores, que sabem bem o quanto o preço desses itens pesa no bolso de todos os trabalhadores".

Sobre o papel das centrais, Flávia concluiu que "As centrais sindicais, a CUT e CTB, precisam romper com seu imobilismo frente aos ataques de Temer, e encabeçar a mobilização colocando a classe trabalhadora em cena, se separando por completo das entidades e interesses patronais, que vêm usando os trabalhadores caminhoneiros como escudo para garantir seus interesses. Os petroleiros já aprovaram greve em todas as unidades do país, no entanto a Federação Única dos Petroleiros não organiza a greve, exigimos o início imediato da greve petroleiro como parte deste plano para que sejam os trabalhadores e não os patrões que deem uma resposta à crise dos combustíveis e do país".




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