Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL NO RIO

Favela Nova Brasília “ganha” torre blindada e conflitos já mataram 5 pessoas em seis dias

Em entrevista ao G1 comandante da UPP Nova Brasília, que está à frente da Unidade Pacificadora desde 2014, fala sobre as ações policiais para a implementação da torre blindada dentro da comunidade.

terça-feira 2 de maio de 2017| Edição do dia

Foto: Marcia Foletto

Na última sexta feira, 28, a torre blindada começou a funcionar no largo do samba na Nova Brasília. A estrutura tem mais de 6 metros e comporta até nove policiais, tem mais de 10 pontos de posicionamentos de armas e resiste a tiros de fuzis e explosões de granadas. Segundo o major, a implementação da torre neste largo é estratégica pois prejudica o funcionamento de uma das bocas de fumo mais lucrativas da Nova Brasília, e tem uma visão privilegiada da favela. A torre está posicionada na metade de uma das vias principais da favela, na rua Sete de Setembro, e tem duas entradas e acessos a três becos que dão em distintas regiões na comunidade.

Durante o processo de implementação da torre, no final de abril, ocorreram confrontos entre policiais e bandidos que resultaram na morte de 6 moradores, em apenas 5 dias de operações. De acordo com o Major Zuma, essas mortes são um "balanço desfavorável", mas que não vão impedir que a polícia continue com operações, ou retroceda na ocupação desse território. Para ele, os recorrentes confrontos são um sinal que a polícia está incomodando os bandidos e o tráfico de drogas que funcionava no local. Quando questionado sobre o papel da torre e da ação da UPP dentro da comunidade, ele relata que estão devolvendo o território para os moradores, já que no largo circulavam pessoas armadas, e que com a implementação da torre os moradores podem andar pelo local com segurança e voltar a fazer festas.

Mas essa não é a realidade vivida por quem mora nas favelas, ditas pacificadas, muitos menos pelas favelas do complexo do alemão, que tem sofrido diariamente com a violência, com a impossibilidade de ir trabalhar ou levar seus filhos na escola sem que corram risco de serem alvejados ou mortos, e nem dentro de suas casas possuem qualquer segurança.

Apesar do que defende durante a entrevista, que a UPP propicia segurança à população, como se recorrentes ações policiais não matassem jovens diariamente nas favelas cariocas, além das invasões da casa de moradores para implementação de base militar, e que os atos que tem ocorrido no território não são ações de pessoas de bem, mas sim a mando de bandidos ou de ações do próprio tráfico.
As Unidades Pacificadores já são sinônimo de violência e mortes. E a justificativa de política de guerra às drogas já não cola, pois ela significa para os cariocas a matança indiscriminada da juventude negra e pobre das favelas e periferias, e tem surtido resposta dos moradores, que têm feito atos contra violência policial que sofrem diariamente, mesmo que a polícia não reconheça isso, deixando evidente que não é esse tipo de política pública que a favela necessita e deseja.

Não será pela mão do aparato repressivo do estado, que tem deixado um rastro de sangue e corpos negros, que as favelas cariocas terão acesso a dignidade que eles desejam. A juventude quer viver, quer ter acesso à educação, saúde, cultura, sem ter que escolher entre o tráfico e a polícia.
Pelo Fim da UPP!




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