DIREITO A MORADIA

Favela Coliseu: comunidade aguarda há 22 anos o direito a moradia digna

A Vila Olímpia, na Zona Oeste de São Paulo, se converteu em um bairro nobre com o passar dos anos, com shoppings e apartamentos de luxo. É também, hoje, um importante centro financeiro da cidade. Em meio a tudo isso se encontra o Coliseu, comunidade carente que abriga cerca de 200 famílias. Desde 1995 as famílias aguardam pelo direito a moradia digna.

terça-feira 25 de julho| Edição do dia

Na Vila Olímpia, em meio a uma área nobre, onde se concentram condomínios de luxo e inúmeros escritórios de empresas multinacionais, tais como Chrysler, Santander, Fox e Parmalat, se encontra o Coliseu, também conhecida como favela Funchal. Trata-se de uma comunidade bastante carente, sufocada pela especulação imobiliária dos arredores.

Desde 1995, período no qual a Vila Olímipa passou a se tornar um bairro mais importante, os moradores da comunidade ouvem a promessa de que terão moradia digna. Hoje as 200 famílias vivem entulhadas, em barracos de madeira velhos e, em alguns casos, em situação de risco. Algumas famílias, inclusive, já chegaram a ser desalojadas do local pela prefeitura por se encontrar em tal situação.

A comunidade se estabeleceu na região ainda nos anos 1950, quando a Vila Olímipia era uma região completamente periférica e coberta por mato, recebendo migrantes nordestinos que buscavam trabalho na capital paulista. Com o boom imobiliário dos anos 90, com o surgimento de condomínios de luxo nos arredores, os moradores tiveram de brigar na justiça para permanecer no local- um local que ocupam há mais de 60 anos. O mercado imobiliário não tem interesse algum na permanência da comunidade no local, uma vez que o terreno já foi avaliado em 50 milhões de reais.

A partir da vitoria judicial, os poderosos empresários dos arredores foram obrigados a aceitar a presença da comunidade em meio ao bairro nobre. Ao longo dos anos, casos de discriminação e preconceito contra os moradores se empilharam, conforme relatos deles mesmos. A comunidade, em meio aos condomínios ricos, é um dos vários retratos da desigualdade gritante que existe em nosso país.

Sendo juridicamente obrigada a aceitar a presença da comunidade em meio a uma área de intensa especulação e valorização imobiliária, a prefeitura de São Paulo, então sob a gestão de Maluf, criou a Operação Urbana Faria Lima (cujo nome homenageia um militar da ARENA), que deveria reformar a infra-estrutura da região. A operação, que instituía a construção de prédios para servir como moradia às famílias, não saiu do papel até 2014, quando foi liberada verba para a construção de um conjunto habitacional no terreno.

Contudo, no fim do ano passado, o projeto foi paralisado, uma vez que a Eletropaulo detectou problemas na infra-estrutura elétrica. A licitação da obra recomeça em Novembro deste ano, mas muitos moradores não tem tanta esperança de que o projeto seja levado adiante. A Operação Urbana chegou a sugerir a ideia de prosseguir com o projeto adensando ainda mais os moradores que já vivem empilhados no local, precarizando ainda mais suas vidas, para que parte do terreno fosse aproveitada pelo mercado imobiliário, demonstrando que a prefeitura está a serviço das empreiteiras. Contudo, a comunidade se impôs, e rejeitou a ideia, defendendo seu direito à vida digna diante da ânsia por lucro dos empresários.

Agora, a previsão do governo municipal é de iniciar as obras somente no ano que vem. Já são 22 anos de espera por parte da comunidade para ter direito a uma moradia minimamente digna em meio aos condomínios luxuosos da Vila Olímpia. É evidente que não há interesse algum por parte da prefeitura e do mercado imobiliário em resolver o problema. Ao contrário, a ideia é manter a comunidade em condições precárias e pressionar a saída dos moradores do local. Resta ver se, em 2018, o governo seguirá resistindo a resolver os problemas da comunidade.




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