DÉFCIT DE HABITAÇÃO

Falta de moradia bate recorde no país

Segundo estudo realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de imóveis sem condições adequadas de moradia no Brasil aumentou em 220 mil entre 2015 e 2017 e bateu o triste recorde de falta de 7,78 milhões de moradias.

segunda-feira 7 de janeiro| Edição do dia

Segundo estudo realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de imóveis sem condições adequadas de moradia no Brasil aumentou em 220 mil entre 2015 e 2017 e bateu o triste recorde de falta de 7,78 milhões de moradias.

O cálculo do déficit habitacional leva em consideração as pessoas que vivem em moradias sem condições adequadas, com construções frágeis, na rua, ou que possui mais de uma família dentro da mesma moradia ou mais de três pessoas num mesmo dormitório.

A conjuntura de crise econômica em que passa o país, o desemprego que atinge mais de 12 milhões de brasileiros, o aumento da informalidade do trabalho que ocorreu no último ano e os baixos salários que predominam no mercado de trabalho brasileiro são componentes importantes para a geração de números recordes como esse. Além destes elementos, o estudo demonstra que o preço do aluguel, que vem de uma trajetória de alta nos últimos anos, tem um peso excessivo, em especial para as famílias que ganham até três salários mínimos.

O desenvolvimento desordenado das cidades, sem planejamento, sem estrutura universal de saneamento básico, somado a especulação imobiliária e as altas taxas de lucro das construtoras, são as bases que movem essa tragédia de desenvolvimento urbano, promovida por uma burguesia débil e um estado negligente.

O trabalhador é obrigado a morar em favelas e cortiços, quando tem algum dinheiro para o aluguel, ou mesmo na rua, quando sua renda já não suporta mais os altos preços da moradia. Os baixos salários e o desemprego jogam milhões de pessoas em condições precárias de moradia. Em algumas cidades brasileiras não seria preciso construir uma só casa, pois existem mais moradias do que gente para morar. Porém, a especulação imobiliária não permite que esse déficit seja superado: são milhares de imóveis vazios que servem só para especulação e não para moradia

O estudo divulgado também aponta que para atender à demanda de moradia que existe no Brasil seria necessário criar 1,2 milhões de moradias por ano, durante dez anos. Este triste cenário para os trabalhadores e a população pobre é visto pelas construtoras com otimismo e uma grande oportunidade de lucro. Por isso, empresas como MRV que crescem nesse setor cobram mais isenções do governo e esperam que a economia melhore e que aumente as vendas nos próximos anos.

O governo federal atual, de Jair Bolsonaro, já mostrou, em menos de duas semanas, que veio para aprofundar de vez os ataques aos trabalhadores. No seu discurso de posse e nas suas entrevistas, nenhuma menção a gigantesca desigualdade social do Brasil -traduzida em números como esses-, mas esteve contido lá a menção aos enormes ataques que irá realizar aos trabalhadores com a reforma da previdência, privatizações, ajustes fiscais, para beneficiar os empresários. A falta de condições básicas de vida para os trabalhadores e a população pobre é uma das faces mais cruéis das consequências da crise econômica gerada pela burguesia e que agora querem descarregar nas costas dos trabalhadores.

É neste quadro que Bolsonaro quer criminalizar ainda mais setores dos movimentos sociais e a esquerda, taxando integrantes do MTST como terroristas. Contra estes ataques, apenas a aliança da classe trabalhadora com todos os setores oprimidos podem dar uma resposta à essa situação!




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