Política

PARALISAÇÕES UNICAMP

Faísca: semana de luta na UNICAMP prepara ida ao 1º de maio contra o golpe

A Faísca - Juventude Revolucionária e Anticapitalista esteve na paralisação que 18 cursos e também os funcionários construiram nessa quarta, 27, na UNICAMP. Além da contundente posição de muitos dos estudantes em mobilização contra o golpe institucional em curso no país hoje, uma forte discussão se instalou contra o plano de cortes de 40 milhões da reitoria da universidade, bem como os debates estiveram ligados à necessidade de combater os ajustes dos governos. Nós da Faísca participamos com uma ampla convocação de todos para estarmos no ato de 1º de maio em SP, como os estudantes do IA, IFCH e IE já aprovaram em suas assembleias.

sábado 30 de abril de 2016| Edição do dia

A paralisação unificada começou às 7h30 da manhã com um trancaço de 2 portões da que são as principais entradas para a universidade. O bloqueio das entradas foi feito com trabalhadores da UNICAMP, que decidiram em assembleia da categoria cobrir o trancaço o, e pelos estudantes do IFCH, do IA, da Economia, Letras, Matemática entre outros, que levaram a faixa “Contra o impeachment e os cortes na educação: por permanência e cotas já!” votada em assembleia geral do DCE.

Após o trancaços, as atividades levaram os debates a faculdades e institutos


Assembleia do IA

No Instituto de Artes (IA), diante da precarização estrutural do espaço e da polarização nacional, os estudantes se posicionaram contra o golpe e o corte de 40 milhões (sendo que 2 milhões é só do IA). A situação se torna cada vez mais combativa no instituto. Os estudantes realizaram assembleia, também na quarta-feira, e deliberaram continuar paralisados pelo resto da semana. Com atividades em diversos institutos e faculdades, a mobilização do IA tende a contagiar a Unicamp e debater a importância dos estudantes tomarem partido diante da crise politica e econômica que atinge o Brasil, e que chegou na universidade.


Assembleia do IFCH

No Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), os estudantes de ciências sociais, história e filosofia unificaram-se na luta. Pelo Centro Acadêmico de Ciências Humanas, CACH, o tema da paralisação foi "Contra o golpe e os ataques dos governos à educação: cotas e permanência já!", afinal o que tem de mais reacionário na nossa sociedade vem se expressando no IFCH, como as pixações racistas, machistas, LGBTfóbicas, fascistas, com o símbolo da Klu Klux Klan. Além dessa expressão reacionária nas paredes, o instituto conta com redes elétricas velhas ao ponto de ter risco de incêndio e falta de tonner para impressões. E, com o mesmo conteúdo da paralisação, os estudantes do CACH votaram amplamente por construir o 1º de Maio em SP, no Anhangabaú, contra o golpe e os ataques dos governos].


Roda de conversa sobre feminismo no IE

No Instituto de Economia os estudantes paralisaram as atividades para lutar contra o golpe institucional no cenário nacional e contra os cortes de todos os governos à educação. Está na pauta dos dias dos estudantes de economia debater sobre o impeachment e suas consequências para a classe trabalhadora e a juventude. Além disso, se ligando aos debates nacionais, os alunos fizeram uma roda de conversa sobre feminismo, uma mesa sobre a crise de representatividade atual, um debate de cotas e inclusão dos negros na universidade, entre outros. O que marca uma posição política dos alunos, em torno da situação nacional, mas ligando essa situação à questões especifícas da universidade.


Assembleia da Mecânica

Na Mecânica a paralisação contou com diversas atividades para discutir o corte de 40 milhões. Paralisações ocorreram também na Engenharia Elétrica, no Instituto de Estudos da Linguagem, na Faculdade de Educação e no Instituto de Geociências. Contando com o apoio tirado em assembleia dos cursos de Matemática e Biologia.

Ao final do dia de paralisações, ocorreu uma mesa sobre conjuntura nacional, em que se reuniram cerca de 100 estudantes para discutir os rumos que o país está tomando. A composição da mesa foi de Danilo Magrão, professor do estado de SP e militante do MRT, Zago, professor da Unicamp e militante do PSTU, Paulo Golveia, trabalhador da Unicamp e militante do PSOL, e Carolina Guerra, estudante de Ciências Sociais. Houve, em meio ao consenso acerca do show de horrores da câmara, inclusive denúncia sobre como o reacionarismo de Bolsonaro e a ditadura militar se expressa na universidade com os trotes violentos, e até nos ditadores que são homenageados também pela nossa universidade, como Jarbas Passarinho. A partir da Faísca também discutimos a importante tarefa dos estudantes e da juventude de construir um plano de lutas efetivo para derrotar o golpe, a partir dos nossos métodos, como a nossa paralisação mostra o caminho, para construir uma saída independente, que derrote também as burocracias estudantis, da UNE, setores que defendem o PT, que não organizam e desviam as lutas para que não sejam fonte de instabilidade ao regime apodrecido. Não aceitamos que a esquerda seja funcional à direita, quando não se coloca firmemente contra o golpe institucional e acaba por não se enfrentar com o conservadorismo e nem por construir um plano efetivo de lutas. Por isso achamos equivocada a posição de setores do PSOL ligados à Luciana Genro e do PSTU, que não reconhecem que há um golpe e/ou defendem eleições gerais para apenas trocar os jogadores e não mudar as regras do jogo. A luta contra o projeto político e derrotas construídos pelo PT e pelas direções burocráticas que construiram no movimento passa hoje por derrotar o golpe, impedir a ofensiva da direita mais reacionária do país e derrotar o imobilismo das burocracias.

Acabou o amor, a Unicamp vai incendiar o 1º de maio, derrotar o golpe e os ataques dos governos!

Pela Faísca, defendemos que os estudantes tem que se mobilizar contra os cortes na educação, sendo o dia de ontem um forte exemplo nessa luta. Por isso também lutamos contra o golpe reacionário que está em curso, [como o Esquerda Diário já vem demonstrando, a plataforma dos golpistas busca aprofundar os cortes na educação http://www.esquerdadiario.com.br/O-impeachment-e-a-educacao-o-que-temos-com-isso ]. Nosso chamado aos atos do 1º de maio se vinculam a repudiarmos o golpe e reforçarmos uma forte mobilização nacional contra todos os ajustes dos governos do PSDB, PT e PMDB.

No movimento estudantil a mobilização contra o golpe não pode ocorrer nos moldes que a UNE está chamado, com mesas estéreis e sem nenhuma vinculação com a luta. Exigimos que a majoritária União da Juventude Socialista e também o Campo Popular, composto pelo Levante Popular da Juventude, rompam sua postura passiva com as lutas em curso e façam um amplo chamado nacional “Contra o golpe e os cortes na educação”. Organizar a luta e expressá-la no Primeiro de Maio é a única maneira consequente de lutarmos contra a direita reacionária e a precarização da educação.

Por isso chamamos, a partir da Faísca, a unificação dos cursos mobilizados para que incendiemos a Unicamp e rompamos os muros da universidade, para encontrarmos força na luta de secundaristas dos DICs e do centro de Campinas contra o cortes das merendas, superlotação de salas de aula e barrarmos o corte de 40 milhões, bem como queremos nos somar aos professores do Estado que também estão atacados! Devemos unificar as lutas contra os cortes dos governos e defender, de fato, a educação!

E também convidamos a juventude da Unicamp a construir um 1° de Maio contra o golpe e os ataques dos governos, para mobilizar uma luta dura contra a direita neoliberal, mas também contra os cortes do governo Dilma, do Alckmin em SP, do Pezão no RJ, do Carlin em Contagem (MG).

Façamos um grande bloco de estudantes da Unicamp no 1º de Maio, expressando as mobilizações desta semana de luta, para que essa universidade, junto com estudantes do Brasil inteiro, sejam um exemplo para o movimento estudantil na luta contra o golpe e os ajustes. Precisamos nos demarcar claramente contra o impeachment reacionário em curso, e marchar ao lado dos secundaristas que mostraram sua força no Rio e em SP, ao lado dos trabalhadores para criar uma alternativa classista ao cenário nacional de crise política.




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