Educação

Faísca lança campanha: “UFMG contra os cortes. A educação vale mais que o lucro deles”

A Juventude Faísca chama toda a comunidade da UFMG a participar desta campanha contra os cortes e em defesa da educação, da pesquisa e da ciência.

terça-feira 29 de agosto| Edição do dia

Cortes de bolsas da graduação e da pós, assistência estudantil insuficiente, bandejão caro, centenas de trabalhadores terceirizados demitidos, falta de professores. A UFMG vem sentindo cada vez mais a crise nas universidades e o plano de Temer de desmontar o ensino superior público.

Estamos em uma crise que tem colocado as universidades brasileiras a ponto de colapso. Notícias como a de que algumas bolsas só seriam garantidas até setembro ou de que não havia mais dinheiro para manter a UFMG funcionando até o fim do semestre preocuparam os estudantes. Universidades como UERJ, no Rio de Janeiro, ou UFTM e UFVJM, em Minas Gerais, já estão seriamente ameaçadas de fecharem neste ano, e a longo prazo estão na mira da privatização. As bolsas do CNPq estão sendo suspensas em universidades como a UFRJ. Existe um plano bem arquitetado de desmonte do ensino público e da ciência.

Desde 2014 a UFMG tem sofrido grandes cortes: 31 milhões em novembro daquele ano, seguido de 50,7 milhões em 2015. A “ponte para o futuro” de Temer tem servido para fazer com que, hoje, o orçamento seja insuficiente para garantir o pagamento de todas as contas. De 2016 para 2017, o orçamento diminuiu 10%, e só 85% do total previsto pela lei orçamentária, que já era de ajuste fiscal, foi liberado.

A nível nacional, Temer já fez aprovar a PEC 55, dos 20 anos de teto aos gastos sociais, e a Reforma do Ensino Médio. Com ele na presidência também perdemos o Ciência Sem Fronteiras e vimos o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação ser fundido ao de Comunicações, com o repasse de verbas para o novo MCTIC caindo quase pela metade.

Segundo a campanha “Conhecimento sem cortes”, desde 2015 quase 12 bilhões de reais foram cortados do orçamento do MCTIC, das universidades e institutos federais e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. No ano passado, ainda no governo Dilma, o Ministério da Educação teve uma redução de 10% do repasse previsto, e Temer fez, em março deste ano, um corte de 4,3 bilhões nas verbas repassadas ao MEC.

Os ajustes do governo Dilma já estavam cortando na educação, mas em 2016 o golpe institucional veio para acelerar e intensificar esses ataques. E os cortes na educação não são ataques isolados. Além deles enfrentamos uma altíssima taxa de desemprego e a recente aprovação da Reforma Trabalhista e da terceirização ilimitada, além da Reforma Política antidemocrática em tramitação e da Reforma da Previdência planejada para este ano. Um plano completo para favorecer os grandes empresários capitalistas enquanto os trabalhadores e a juventude pagam pela crise econômica, com uma histórica retirada de direitos sociais e trabalhistas e aumento da desigualdade e da miséria no país.

A posição da Reitoria frente à crise e a necessidade de uma campanha independente

Frente a tudo isso a Reitoria da UFMG se propõe a “gerir a crise”. Promete que “a UFMG não vai parar”. Se posiciona timidamente na mídia em defesa da universidade, mas não se opõe com força ao governo golpista e a suas medidas.

Essa “gestão” da crise inevitavelmente tem feito os mais desprivilegiados da universidade pagarem: os estudantes, os trabalhadores terceirizados, os técnico-administrativos. Especialmente os negros, as mulheres e os LGBT, que são sempre os que mais sofrem as perdas de direitos e de assistência, os que ocupam os piores postos de trabalho da universidade como terceirizados.

Enquanto isso os altos salários e privilégios do Reitor e da burocracia universitária que manda e desmanda na universidade estão intocados, o conhecimento produzido continua servindo a empresas e a UFMG e as universidades não têm oferecido grande resistência aos planos de Temer.

Por isso é preciso uma saída independente. A crise não é nossa. A crise é dos grandes empresários capitalistas, dos latifundiários, dos banqueiros...e dos políticos deles. E se nós não lutarmos, vamos continuar perdendo direitos enquanto os lucros estão intactos. “A educação vale mais que o lucro deles”.

A saída para não pagar pela crise só pode ser a mobilização dos estudantes junto aos trabalhadores. E precisamos batalhar por uma organização totalmente independente do PT, que boicota a construção de uma greve geral para barrar os cortes, as reformas e as privatizações, pois concilia com os interesses dos capitalistas e empresários, que são os únicos beneficiados por todas essas medidas. E quando nos organizamos, não perde tempo em reprimir nossas lutas, como fez a Polícia Militar comandada pelo governador Fernando Pimentel contra os atos de rua das ocupações e continua fazendo hoje contra as ocupações urbanas.

Batalhamos pela organização desde a base, com assembleias unificadas dos três setores em cada curso e faculdade. Assim como fizemos na luta contra a PEC 55 ocupando 19 prédios da UFMG e como fez recentemente a UERJ em greve, mas agora junto aos trabalhadores para retomar o caminho da greve geral, que no dia 28 de abril mostrou sua força e fez o país tremer, mas que no último dia 30 de junho foi traída e boicotada pelas centrais sindicais pelegas e também pelas atreladas ao PT, que deveriam organizá-la.

É com essas ideias que convidamos todos estudantes, técnico-administrativos, professores e trabalhadores efetivos e terceirizados da UFMG a se somarem a esta campanha, denunciando que a nossa educação vale mais que os interesses dos golpistas e que o lucro dos empresários, e enviando para o Esquerda Diário e para a Faísca os impactos dos cortes nos cursos e nos locais de trabalho.




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