Expulsão de partidários é expressão do fracasso eleitoral e ruína do PSDB

terça-feira 9 de outubro| Edição do dia

Em meio a uma profunda crise interna, agravada pelo resultado do primeiro turno das eleições, o diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu nesta segunda-feira, 8, expulsar sumariamente do partido o ex-governador Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e outros 15 filiados por "infidelidade partidária" nas campanhas de João Doria ao governo paulista e de Geraldo Alckmin a presidente. Cabe recurso ao diretório estadual.

A ala de Doria, mais marcadamente golpista, parece ganhar força em um momento que as eleições apontaram um fortalecimento da extrema-direita. O ex-prefeito de São Paulo na verdade não via a hora do naufrágio derradeiro da candidatura de Alckmin para declarar seu apoio a Bolsonaro, assim como outros tucanos que defendiam a inevitável declaração de derrota e a debandada para o lado de Bolsonaro.

Crítico ferrenho de Doria desde a eleição à Prefeitura, em 2016, Goldman apoiou a candidatura de Paulo Skaf (MDB), que teve 21% dos votos e ficou fora do segundo turno. No debate da TV Globo, na semana passada, o ex-governador e aliado do senador José Serra (PSDB) foi com um adesivo de Skaf colado no peito e sentou-se ao lado dos apoiadores do emedebista.

Entre os expulsos do partido está Flávio Beal, apoiador de Doria que fomentou o voto "Bolsodoria", defendendo apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) já no primeiro turno.

Ao ser informado da decisão, Goldman disse que não conseguia conter a gargalhada. "Não tem ninguém com condição moral no PSDB de me expulsar de lugar nenhum", afirmou. Saulo de Castro não comentou a expulsão.

É nesse clima de disputas internas que os tucanos se reunirão hoje na Executiva nacional do PSDB, em Brasília, na qual farão uma avaliação das eleições e devem definir o posicionamento no segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT). Uma ala ligada a Alckmin prega a neutralidade, enquanto Doria defende apoio ao capitão.

O mea culpa de Tasso Jereissati se prova correto, o maior erro do partido foi questionar o resultado eleitoral de 2014 e cerrar fileiras com o golpismo apostando que conseguiriam se eleger em 2018. De lá para cá o regime pendeu para a direita, mas ultrapassando até os tucanos, e nem mesmo todas as manobras do judiciário para emplacar Alckmin, ou todas as alianças com o centrão garantiram o prêmio que se esperava. Pelo contrário, ao se unir às demais forças golpistas para rifar a de conciliação do PT como pilar do regime de 88, conseguiram provocar a sua própria expulsão, ou no mínimo sua repaginação ainda mais golpista e reacionária na ala liderada por Doria.




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