PROPINAS NO METRO SP

Ex-diretor do Metrô SP revela esquema de propina envolvendo PSDB, DEM e empreiteiras

Os esquemas se iniciaram em 2004 e se estenderam pelos governos Serra e Alckmin, indo até as eleições de 2014. Envolvendo obras da Linha 2-Verde, passou pela Linha 5-Lilás e chegou à licitação da Linha 6-Laranja, segundo o ex-diretor do Metro, Sérgio Brasil.

sexta-feira 30 de agosto| Edição do dia

As empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa pagavam as propinas. Partidos como PPS (hoje Cidadania), PSDB, PFL (hoje DEM) e PTB recebiam o dinheiro mensalmente em troca de apoio ao governo e também para que contratos antigos não fossem questionados na ALESP. Nomes como Rodrigo Garcia (DEM), hoje vice-governador de SP, e o ex-deputado estadual Arnaldo Jardim (Cidadania), hoje deputado federal, aparecem como diretamente ligados ao esquema.

Além disso, as decisões das empreiteiras quanto às obras prevaleciam mesmo quando isso significava ficarem mais caras e mais lentas. Um exemplo disso está na estação Vila Prudente, onde o projeto do Metrô previa a construção de um elevado. As empreiteiras queriam que a obra fosse subterrânea, o que deixava a obra mais cara. No fim a vontade das empreiteiras foi levada a diante.

Várias mudanças como essa, segundo o ex- diretor Sergio Brasil (que teve cargo no metrô por 42 anos e também participou de tudo), foram aprovadas no Tribunal de Contas do Estado. Isso ocorria a partir de Fabio Gandolfo, da Odebrecht, que fazia a articulação com os conselheiros.

Essas escandalosas revelações confirmam ainda mais como o sistema de transportes públicos e suas parcerias público-privadas na verdade são um grande e lucrativo balcão de negócios dos grandes empresários. Os donos de empreiteiras somados a políticos que tem interesses diretamente alinhados com esses capitalistas lucram em cima dos serviços públicos.

O resultado é um transporte lotado, em péssimas condições, aumentando a terceirização. Só em 2019 a ganância capitalista que transforma o direito ao transporte em mercadoria gerou vários acidentes alguns fatais.

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Em outro trecho da delação cita Júlio Semeghini que é atualmente secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia do governo Jair Bolsonaro e também Jurandir Fernandes que é ex-secretário de Transportes Metropolitanos.

"Para mim, os dois principais componentes desse conselho, o presidente Julio Semeghini, que por coincidência era meu chefe – ele trazia diretrizes, necessidades que coincidiam com as que estavam cuidando – e o secretário de Transportes, que é o doutor Jurandir[Fernandes], que é o ente técnico que trazia questões técnicas e cláusulas mais técnicas."

As revelações foram feitas a procuradores da operação Lava Jato, porém o envolvimento de várias figuras que ainda continuam ativas em seus altos cargos comprova a farsa que é essa operação. O judiciário, que ninguém elegeu, foi peça fundamental para a consolidação do Golpe institucional de 2016 que passou por cima da soberania popular do voto. Hoje esse golpe mostra seus resultados ampliando os ataques contra a população e acelerando os processos de privatização. Uma operação, como a Lava Jato, que cumpre esse papel nefasto de tirar a soberania popular emplacando um golpe, jamais será a saída para resolver a questão da corrupção que está inerente ao sistema capitalista. Ela não é imparcial, assim como os esquemas de propina tem interesses que estão alinhados com grandes capitalistas e também com o imperialismo norte americano.

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O PSDB, partido de João Dória que busca se candidatar a presidente em 2022, está envolvido da cabeça aos pés no esquema. O estado de São Paulo que esteve na maior parte do tempo nas mão dos tucanos seguirão a ordem do dia do governo Bolsonaro e Guedes de privatizações e precariedade dos serviços.

Para o transporte ser realmente público e de qualidade não se pode confiar na extrema-direita, na velha política golpista ou de conciliação (como foram os anos de governo petista) e muito menos na operação Lava Jato. É urgente um transporte que não responda aos lucros dos empresários, empreiteiras e vontades dos mercados. Que tenha uma política que não coloque os lucros e a ganância acima do direito ao transporte pode realmente oferecer um serviço de qualidade para a população. Somente um transporte estatizado sob o controle dos trabalhadores e usuários pode ser a saída.




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