Mundo Operário

CRISE DO ESTADO RJ

Estudantes, professores e técnicos se manifestam contra o fechamento do Hospital Pedro Ernesto.

terça-feira 3 de maio de 2016| Edição do dia

Cerca de 200 pessoas entre estudantes, profissionais do hospital, residentes e professores fizeram ato, dia 02/05, em frente ao Hosital Universitário Pedro Ernesto em resposta á ameaça de fechamento do Hospital. O diretor da unidade, Edmar José Alves dos Santos, na audiência pública no dia 30 de março, que aconteceu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, relatou que a unidade necessitava de verba no valor de R$ 7 milhões para pagar as empresas terceirizadas e manter o hospital funcionando, contundo este valor não está sendo pago em dia. A Secretaria estadual de Fazenda afirma que, em abril, fez dois repasses ao Pedro Ernesto, sendo que R$ 4,1 milhões foram depositados no dia 4 e R$ 3,5 milhões, na sexta-feira. Diretor da unidade de saúde, Edmar Santos alega que o primeiro pagamento feito no mês passado era referente à conta não fechada de março e os feitos nessa sexta referente á abril.

O Hupe vem sofrendo com atrasos no repasse da verba de custeio, desde o ano passado. Em janeiro, profissionais terceirizados da limpeza da empresa CONSTRUIR que estavam á 3 meses sem receber e em péssimas condições de trabalho, entraram em greve, afetando o funcionamento do serviço. A UERJ reinscindiu o contrato com a construir acarretando na demissão em massa de aproximandamente 800 funcionários que foram demitidos sem nenhum direito garantido. E a novela pode se repetir com os novos funcionários terceirizados, já que o repasse da verba não está sendo feito para o Hupe.

Situação que já vem sendo recorrente também para os residentes multi-profissionais do programa de especialização do Hospital Universitário que já estão há dois meses sem receber neste ano, mas há um ano com os pagamentos sendo feitos com atrasado, e sem nenhuma previsão para regularização. Há algumas semanas somente os residentes médicos receberam suas bolsas do mês de janeiro, ocasionando ações dos residentes em repúdio á esta separação das categorias

Não é de hoje que o HUPE vem passando por esse processo de sucateamento, como todos os serviços de saúde do Estado, onde faltam os materias mais essenciais e os atrasos do salários dos profissionias já virou rotina.

Como a estudante e presidente do CA de de medicina Bruna Trajano relata “desde o ano passado a gente vem enfrentando um aprofundamento desse subfinancimento que faz parte do projeto desse governo pra saúde já algum tempo, e foi aprofundado um pouco mais com essa crise economica, suposta crise economica que tá colocada. A gente vive um cenário de instabilidade no qual a gente não sabe se no dia seguinte, na semana seguinte a gente terá nosso hospital, que o nosso principal cenário de prática, aberto pra atender a população. E ai a gente tem a população desassistida que não tem pra onde correr porque, além de muitos hospitais no Rio de Janeiro não fazerem os mesmos procedimentos que a gente faz aqui, a saúde no estado inteiro está um caos. A gente fica, quase 600 estudantes, que seriam futuros médicos, sem o cenário de prática, porque não tem instituições no RJ para absorver esses estudantes, atrapalhando a formação de 600 médicos, além dos residentes médicos e multi-profissionais também. A gente tá na luta não só no ano passado, mas uma luta que se fortalece no final do ano passado, e vem até agora e não tem condições da gente viver nesse cenário de incerteza.”

O Hupe assim como outros serviços de saúde, que fazem parte da UER, está em greve, funcionando por essencialidade, exatamente pelo descaso que o governo do Pezão e Dornelles vem tratando a Saúde e educação no Rio de Janeiro. Implementando os ajustes afetando a população que utiliza esses os serviços essenciais.

O Hupe é o único hospital universitário administrado pelo estado do Rio. Hoje dos seus 512 leitos, só está funcionando com 200 leitos, corresponde à metade de sua capacidade total. É evidente que o motivo da precarização do HU da UERJ está ligado aos interesses privados do mercado, então a luta pelo não fechamento do hospital é também para que ele não tenha o mesmo destino dos HUs da UFF e UNIRIO que foram privatizados funcionando agora pela administração da EBSERH.

Jonatas do comando de greve dos técnicos administrativos da UERJ, fala sobre a importância do ato chamdo em defesa do HUPE. “a gente apoiou a convocação desse ato, junto também com o comando unificado, de toda a universidade, professores, estudantes, terceirizados e contratados. A gente tem vivido uma situação muito dramática aqui na universidade, são diversos contratados da Policlinica Piquet Carneiro, há mais de 5 meses sem receber seus salários, terceirizados que não recebiam a mais de 3 meses foram sumariamente demitidos da CONSTRUIR, fora a ameaça de fechamento do hospital por parte do Diretor que é somente uma marionete do governo.

Na realidade a ideia também do governo Dornelles quanto da administração central da universidade é projeto que que já vem desde o governo federal e vem passando pelo governo estadual e os governos municpais m que é o processo de privatização das universidades, á partir das OS ou das EBSERH, no caso no Estado a politica tem sido as OS. E o nosso grande medo é o Hospital Pedro Ernesto que é uma referência em ciênciam tecnologia, em pesquisa cientifica na area da medicina, biologia, nutrição, dentre tantas areas da saúde. E de que este Hospital seja entregue na mãos dos empresários da educação.

Por isso que a gente convocou esse ato unificado junto com as outras categorias, com os terceirizados, contratados da UERJ e nós estamos ai na luta para evitar que o hospital seja privatizado. E que na realidade a gente consiga contra atacar esse governo e trazer o hospital para as nossas mãos. Que o hospital possa ter uma gestão de trabalhadores com verbas próprias, que a gente consiga que o hospital consiga voltar a ser um hopsital de excelência e que a tende a população com qualidade, que a população pobre com os fechamentos dos hospitais é a que mais é atingida no Rio de janeiro. E esse governo sempre mostrou seu desprezo, seu desapego pelos pobres. Então a gente tá aqui para defender a classe trabalhadora, um governo popular que realmente possa fazer que esse hospital sirva aos interesses da população pobre mais carente, da população trabalhadora.”




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