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Estudantes franceses ocupam anexo da Sorbonne contra as reformas do presidente Macron

Contra as mudanças na forma de ingresso para novos estudantes anunciadas pelo governo de Emmanuel Macron, estudantes ocupam o Centro Tolbiac, um dos anexos da histórica universidade de Paris.

sexta-feira 13 de abril| Edição do dia

Imagem de Marcos Lucio Fernandes

Com início no dia 26 de março, os estudantes ocuparam o prédio anexo da histórica Sorbonne, em Paris, que já foi palco de lutas de aliança operário-estudantil em Maio de 1968. A ocupação ocorre em resposta a um projeto de lei do mandato de Macron que altera a forma de ingresso nas universidades francesas, cujos estudantes consideram um processo seletivo mais discriminatório porque aumentam as desigualdades sociais para o acesso ao ensino superior, mas existe uma lógica de uma luta mais abrangente, porque entra também a pauta de reivindicações como a crise dos refugiados imigrantes no país.

Segundo a rádio francesa RFI, o prédio está coberto de faixas e identificações de que os estudantes estão ocupando o anexo da Sorbonne, funcionando "de maneira diferente há várias semanas". O que os estudantes afirmaram para a rádio é que a universidade nunca esteve tão aberta nos últimos tempos quanto neste momento, afinal qualquer pessoa pode entrar e participar das discussões e atividades que ocorrem na ocupação.

Durante esta semana, George Haddad, atual presidente da Sorbonne, anunciou que enviaria forças policiais para retirar os estudantes que estão ocupando o anexo contra as reformas de Macron e também houveram ataques de direita à ocupação. No dia 6 de abril, alguns manifestantes de direita tentaram invadir no intuito de desocupação, com tacos de baseball e garrafas, no período da noite.

No entanto, os estudantes continuam firmes e a RFI diz que não demonstram medo. Depoimentos dos ocupantes nos mostram que estão dispostos a avaliar: "se a polícia vier, e ela com certeza virá, veremos o que acontece. Me oponho à decisão de Haddad, acho hipócrita que ele tenha se eleito prometendo nunca enviar policiais à Universidade, e que agora ele ceda à pressão do governo", diz Sophie, estudante francesa.

Além disso, o intuito da ocupação também é para discutir o papel das universidades na sociedade, afinal se posicionam contra a reforma no acesso, mas também que o conhecimento no ensino superior pode ser construído de outra forma. Sophie também afirma que "certos cursos podem parecer estranhos na universidade, apesar dela ser um lugar de produção intelectual, e esse também é nosso objetivo: mostrar que há outros tipos de saberes. Tivemos aqui formações para participar de manifestações, de primeiros socorros, de produção de cartazes. Isso tudo é saber, diferente daquele que nos é imposto". Philippe, outro estudante diz: "Aqui na ocupação as pessoas aprendem, leem livros, produzem. É a primeira vez que alguns fizeram as tarefas de casa para outras pessoas. Essa experiência permite a conexão com coisas da vida concreta, do cotidiano, e acaba com essa lógica burguesa das universidades, porque os alunos do ensino superior são pessoas que foram selecionadas, de uma certa forma".

Num cenário em que os ferroviários também estão lutando contra a reforma da previdência de Macron e se unificam com os estudantes em cortes de rua, como já noticiamos na rede de diários La Izquierda Diario, é fundamental que voltemos aos exemplos franceses de hoje, mas também de Maio de 1968. Greves gerais de trabalhadores irromperam a partir das greves da juventude universitária contra a restrição do acesso à universidade e um profundo questionamento em relação à produção de conhecimento para a burguesia. Todo apoio aos estudantes e trabalhadores franceses, que neste ano de 2018 travam uma luta fundamental contra os ataques do governo Macron.




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