Educação

MOVIMENTO ESTUDANTIL

Estudantes de Ciências Sociais da USP paralisam aula em apoio a trabalhadores

quinta-feira 30 de abril de 2015| Edição do dia

Nesta quarta feira, dia 29/04, estudantes do curso de ciências sociais paralisaram uma de suas aulas da disciplina de Sociologia brasileira do sindicalismo em apoio aos trabalhadores da FFLCH (Faculdade de filosofia, letras e ciências humanas).

Em meio a crise que cruza a USP, os trabalhadores realizam um congresso que, dentre diversos temas, debaterá sua posição sobre problemas centrais que cruzam a Universidade, como a crise orçamentária, o desmonte e a sobrecarga de trabalho nas unidades, a falta de investimento e políticas de permanência e acesso, etc.

Diante disto, os funcionários da FFLCH foram alvo de um importante ataque anti-sindical por parte de Sérgio Adorno, diretor da referida unidade, que, diferentemente de dezenas de outras unidades de ensino e trabalho, que possibilitaram a seus trabalhadores delegados ser liberados, proibiu a liberação e, assim, a participação dos trabalhadores nos espaços do Congresso.

Com isto, os estudantes, em sala de aula, decidiram debater a situação atual da Universidade e optaram por paralisar sua aula em apoio aos trabalhadores e em repúdio ao ataque anti-operário e anti-sindical que visa restringir a organização política dentro da Universidade.

Também, redigiram uma nota em que, dentre outras questões, chama aos demais estudantes da disciplina e do curso de ciências sociais se somarem a este apoio e a paralisação que ocorrerá este dia 30/04, pela implementação de cotas raciais e sociais na USP.

Após votação, em discussão com a professora da referida matéria, aprofundaram o debate sobre a atual crise que perpassa a USP, os cortes de bolsas e permanência, de creches e moradia, as restrições ao espaço de organização sindical,o aprofundamento da terceirização dos serviços, inclusive de professores- como já se dá nas Universidades Federais - e a profunda penetração de interesses privados no espaço público, evidenciada pelas Fundações privadas e empresas terceirizadas que lucram milhões com pesquisas alheias as necessidades da maioria da população e cujos presidentes e donos se encontram em organismos de direção na Universidade.

Mateus Pinho, estudante de Ciências Sociais e militante da Juventude Às Ruas relata que “A unidade na discussão, no debate e na luta entre os trabalhadores, inclusive os terceirizado, demitidos massivamente pela reitoria, professores e estudantes é fundamental para dar uma solução para a crise da USP de uma forma que responda a necessidade real de a Universidade estar aberta e a serviço do povo pobre e trabalhador, que é quem a financia. Hoje, paralisando esta aula, damos um recado aos trabalhadores de que nossa luta é uma só; aos estudantes de que nossos interesses são os mesmos; e à burocracia e Reitoria, de que esta aliança está disposta a ir até o fim pela democratização da USP contra seus privilégios".

Segue a nota dos estudantes:

“Nota de estudantes da disciplina sociologia brasileira do sindicalismo -

Nós, estudantes dessa disciplina da turma do noturno, em apoio e solidariedade aos/as trabalhadores/as e em repúdio à conduta da diretoria da FFLCH de restringir as condições de exercício do direito de organização sindical, deliberamos paralisar também nossa aula.

Apoiamos também a paralisação no dia 30/04 por cotas raciais e convidamos nossos/as colegas de curso a aderirem à referida paralisação”




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