Juventude

MOBILIZAÇÃO NAS ESTADUAIS PAULISTAS

Estudantes da USP aprovam greve a partir do dia 29 de maio

Em importante assembleia estudantes demonstram disposição de mobilização e aprovam greve a partir do dia 29, defendendo a necessidade de unificação com professores e funcionários das três estaduais paulistas.

Odete Cristina

São Paulo

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

Reunidos em assembleia geral, na última quinta-feira, os estudantes da Universidade de São Paulo mostraram sua disposição para a luta. Numa das maiores assembleias do último período centenas de estudantes debateram sobre a necessidade de organizar uma forte mobilização para que nos coloquemos em cena diante de todos os acontecimentos. A enorme politização contra a continuidade do golpe institucional, os avanços bonapartistas do regime e todos os ataques contra a juventude e os trabalhadores dentro e fora da USP foi o motor que despertou nos estudantes a vontade de se mobilizar e fazer algo frente a essa conjuntura. Apesar da enorme demora do DCE (atualmente dirigido pelo PT, Levante Popular da Juventude e UJS), em convocar espaços democráticos para que os estudantes pudessem como nos organizamos diante do que vem acontecendo na USP e no país, os estudantes realizaram um importante paralisação no último dia 17, e mostraram a força da solidariedade com as lutas em curso pelo país, como a paralisação dos professores e estudantes das redes particulares de São Paulo e o sentimento de unidade com os trabalhadores e professores das estaduais paulistas. A decisão de organizar uma greve foi em respostas ao chamado do fórum que representa as entidades de estudantes, trabalhadores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp, o “Fórum das Seis”.

Desde a juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, nos posicionamos nessa assembleia defendendo a necessidade de construir uma forte luta, massiva e unificada a altura dos nossos grandes desafios, a partir de debater profundamente quais são os eixos da nossa mobilização. Sabemos que para isso é necessário combater tanto o imobilismo representado pela direção do DCE, com o apoio de correntes como Afronte, Rua e UJC, que a cada nova assembleia adiam o início da mobilização, defendendo um abstrato indicativo de greve, sem debater concretamente um plano de luta e qual eixo vamos levar para cada assembleia e reunião de curso, organizando assim centenas de estudantes a partir de uma profunda discussão política que os convença da necessidade de se mobilizar. Mas também combatendo toda pressão vanguardista de não se preocupar em como massificar essa luta, em como fazer com que cada estudante que já se convenceu da necessidade de se mobilizar possa ser sujeito ativo de convencer novos estudantes e exigir que o DCE cumpra seu papel como entidade representativa na hora de organizar a luta.

Para nós, toda a politização existente entre os estudantes deveria se traduzir em eixos políticos democraticamente votados pelo movimento. Infelizmente o DCE por meio de seus métodos burocráticos deixou de lado a discussão do conteúdo da nossa mobilização, debatendo apenas o método de "greve x não greve", tentando dessa forma esvaziar o conteúdo da nossa mobilização e impedir a disposição de luta dos estudantes pudesse se transformar em uma forte mobilização que superasse os freios das direções burocráticas do movimento. Mesmo assim os estudantes decidiram, numa votação apertada que era necessário começar a greve a partir do dia 29 de maio.

Massificar e unificar nosso movimento, construindo fortes assembleias de curso e um grande ato dia 29, em frente a reunião do Conselho Universitário

Agora todos nós que defendemos a necessidade de unificação e massificação do nosso movimento, temos um grande desafio. Contra todo tipo de calunia e mentiras que visam deslegitimar a decisão tomada pelos estudantes, precisamos dar voz ao sentimento de mobilização e construir grandes assembleias de curso para debater a necessidade de começar a greve a partir do dia 29, e também de realizar nesse dia um grande ato unificado com trabalhadores e professores, em frente a reunião do Conselho Universitário.

Em cada reunião e em cada assembleia, precisamos debater e votar os eixos da nossa mobilização. Que para nós devem colocar no centro a necessidade de unificação com professores e trabalhadores, contra o arrocho salarial que os atinge dentro da universidade, como parte de buscarmos nos ligar também a todos os setores da classe trabalhadora que vem sofrendo com a política de ajustes dos governos e empresários. A defesa da permanência estudantil para todos, garantindo o direito elementar para que os estudantes tenham condições de permanecer na universidade. A luta contra a precarização do ensino público e os cortes de Temer na saúde e educação, que se expressam na política de desmonte das universidades, como podemos ver na falta de contratação de funcionários e professores, no desmonte do Hospital Universitário, mas também na falta de investimentos das escolas públicas e na reforma do ensino médio. E para desmascarar o discurso da reitoria de que existe uma crise orçamentaria, defendemos a abertura imediata do livro de contas da USP, mostrando que na verdade a crise é a manutenção dos privilégios do reitor e dos burocratas do Conselho Universitário, e defendendo mais verbas para educação. Desmascarando também o absurdo que é o pagamento rigoroso da dívida pública que foi realizado por todos os governos incluindo os do PT, que consiste em um verdadeiro roubo do povo trabalhador destinado a manter os lucros dos grandes capitalistas imperialistas, enquanto congelam por 20 anos os investimentos em saúde e educação.

Para seguir nossa mobilização precisaremos eleger em cada assembleia delegados de base para constituir nosso comando de greve tomando em nossas mãos os rumos da mobilização. Ao mesmo tempo seguimos exigindo que o DCE cumpra sua função como entidade dos estudantes e realize assembleias e reuniões em todos os cursos, apresentando semanalmente informes dessas reuniões, colocando todos os seus 300 diretores para organizar nas mais de 90 faculdades e institutos da USP em todos os campi o debate sobre os eixos da nossa greve. Mais do que nunca precisamos nos unificar em torno de pautas comuns, democraticamente votadas pelo movimento, construindo uma forte mobilização capaz de fazer ecoar nossa indignação frente a precarização do ensino público e de todos os ataques frutos da continuidade do golpe institucional. A juventude pode ao lado da classe trabalhadora fazer ecoor sua voz e sua luta.




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